Bahia Vinga Derrotas Históricas Contra o Remo, Garante Vaga no G4 e Consolida Ascensão no Brasileirão

O confronto, carregado de um peso extra para o Bahia, viu a equipe de Rogério Ceni dominar as ações, criar inúmeras oportunidades de gol e, apesar de uma eficiência questionável em parte do jogo, garantir os três pontos que o colocam em uma posição de destaque na tabela. Jean Lucas e Luciano Juba foram os responsáveis pelos gols do Esquadrão, enquanto Vitor Bueno descontou para o Remo nos acréscimos, em um jogo que, para o torcedor tricolor, significou muito mais do que apenas mais uma vitória.
A Vingança no Campo: Uma Dívida Paga com Juros
A narrativa da “vingança” permeou os bastidores e o campo da Arena Fonte Nova. O Remo havia se tornado um verdadeiro carrasco para o Bahia em 2026, eliminando o time baiano na quinta fase da Copa do Brasil, com vitórias tanto no jogo de ida quanto no de volta. Para agravar a situação, o Leão Azul havia imposto uma humilhante goleada de 4 a 1 sobre o Bahia no primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Essa sequência de resultados negativos contra o mesmo adversário criou uma atmosfera de revanche que foi explicitamente reconhecida pelos jogadores.
Jean Lucas, autor do primeiro gol da partida, resumiu o sentimento no intervalo, em declaração ao Sportv: “É um jogo à parte, a gente estava falando durante a semana. Já era pessoal, tivemos três derrotas para eles, então hoje a gente tinha que vir aqui e fazer um grande espetáculo.” Essa declaração sublinha a motivação extra que impulsionou o Bahia a buscar a vitória a todo custo, transformando o duelo em um acerto de contas necessário para a moral da equipe e de sua torcida. A vitória, embora apertada no placar, foi um desabafo e uma demonstração de força do time que soube esperar o momento certo para dar o troco.
Domínio e Desperdício: A Tônica da Partida
Desde o apito inicial, o Bahia demonstrou superioridade, impondo seu volume de jogo e criando um número impressionante de oportunidades. O primeiro tempo, após um início estudado e com pedidos de pênalti para ambos os lados que não foram atendidos, viu o Tricolor de Aço abrir o placar aos 19 minutos. Um erro na saída de bola do Remo, com Tchamba perdendo o domínio, foi capitalizado por Kike Olivera, que roubou a bola, avançou pela linha de fundo e serviu Jean Lucas. O meio-campista finalizou rasteiro, no canto do gol, sem chances para Marcelo Rangel.
Apesar da vantagem, a ineficiência nas finalizações se tornou um tema recorrente. Antes do intervalo, o Bahia teve pelo menos cinco chances claras para ampliar. Rodrigo Nestor, Jean Lucas e Kanu foram parados por defesas espetaculares de Marcelo Rangel, que se destacava como o principal nome do Remo. Erick Pulga desviou uma finalização de Kike Olivera na trave, e Alejo Véliz, sozinho, cabeceou para fora. O Remo, por sua vez, pouco ameaçava, com a única chance real de Jajá sendo anulada por impedimento após defesa de Ronaldo.
A etapa final seguiu o mesmo roteiro. O Bahia continuou a empilhar chances perdidas, com Kike Olivera e Erick Pulga desperdiçando oportunidades com o gol praticamente aberto. Alejo Véliz, em outra ocasião, ficou cara a cara com Marcelo Rangel, mas chutou por cima. Aos 25 minutos, Kanu chegou a balançar as redes de cabeça após cobrança de falta de Luciano Juba, mas o gol foi corretamente anulado por impedimento. A frustração com a falta de pontaria era palpável, enquanto o Remo, sem criatividade, tentava chutes de longa distância com Vitor Bueno e Gabriel Taliari, que não representavam grande perigo para Ronaldo.
O Alívio no Final e a Pressão do Remo
Com o placar mínimo e as chances perdidas, o Bahia viu o Remo crescer na reta final, impulsionado pela necessidade de buscar o empate. Vitor Bueno, em cobrança de escanteio, quase surpreendeu Ronaldo, e Zé Ivaldo desviou de cabeça para fora. A pressão do time paraense, no entanto, foi quebrada por um contra-ataque fulminante do Bahia. Aos 43 minutos, Ademir puxou a jogada e deixou Alejo Véliz em ótima posição. O atacante foi derrubado por Matheus Felipe dentro da área, e o árbitro assinalou o pênalti.
Luciano Juba, com frieza, cobrou a penalidade, tirando de Marcelo Rangel e marcando o segundo gol do Bahia, que parecia selar a vitória. Contudo, nos acréscimos, o Remo conseguiu descontar, também de pênalti, após Éverton Ribeiro calçar Gabriel Taliari. Vitor Bueno converteu a cobrança com firmeza, estabelecendo o placar final de 2 a 1. Apesar do susto no fim, a vitória do Bahia foi incontestável, dada a superioridade demonstrada ao longo dos 90 minutos.
Implicações na Tabela e o Futuro das Equipes
Com este triunfo, o Bahia de Rogério Ceni alcançou a impressionante marca de quatro vitórias consecutivas e 11 jogos de invencibilidade no Campeonato Brasileiro. A equipe chegou aos 46 pontos, a mesma pontuação do Athletico, terceiro colocado, mas permanece na quarta posição devido ao menor número de vitórias. A entrada no G4 é um marco significativo na campanha do Esquadrão, que agora se consolida como um forte candidato a uma vaga na Libertadores.
Para o Remo, a situação é dramática. A derrota para o Bahia foi a quarta consecutiva e estendeu a sequência sem vitórias para sete jogos no Brasileirão. Com apenas 23 pontos, o time de Léo Condé segue afundado na vice-lanterna da competição, a cinco pontos do Grêmio, o primeiro time fora da zona de rebaixamento. A equipe paraense enfrenta uma luta árdua para evitar a queda para a Série B.
Ambas as equipes já têm compromissos marcados para a 28ª rodada do Brasileirão no próximo final de semana. O Bahia terá um confronto direto de suma importância na parte de cima da tabela, enfrentando o Athletico na Arena da Baixada no domingo, dia 20. Já o Remo buscará uma reação desesperada contra o Santos, no Mangueirão, no sábado, dia 19. Os próximos jogos serão decisivos para as aspirações de ambos os clubes na reta final da temporada.
A vitória do Bahia sobre o Remo, mais do que três pontos, representou um resgate de orgulho e a confirmação de uma fase ascendente sob o comando de Rogério Ceni. Para o Remo, a derrota aprofunda a crise e exige uma mudança drástica de rumo para evitar o rebaixamento.