Marieta Severo: O Legado Imortal de Uma Diva Octogenária Que Redefine a Arte Brasileira

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Em 2 de novembro de 2026, a aclamada atriz Marieta Severo celebrou seus 80 anos, marcando uma trajetória de mais de seis décadas que a consolidou como um dos pilares da dramaturgia brasileira. A comemoração de seu octogésimo aniversário ocorre dias após sua estreia em uma plataforma de streaming internacional, a Netflix, com o lançamento de “Dom de iludir”, evidenciando a contínua relevância e adaptabilidade de uma artista que transita com maestria entre o teatro de vanguarda, o cinema autoral e a televisão popular, alcançando milhões de lares e corações em todo o Brasil. Sua busca incessante pela qualidade, independentemente do formato, é a marca registrada de uma carreira que se recusa a ser categorizada, preferindo a excelência em cada empreendimento. Nascida Marieta Severo da Costa no Rio de Janeiro, sua jornada profissional teve início precoce, aos 19 anos, em 1965, com o filme “Society em baby doll”. Este foi apenas o prelúdio de uma carreira multifacetada que a levaria a estrelar mais de 30 peças de teatro, 40 filmes e 15 novelas. Já em 1966, sua presença na televisão foi notada em “O Sheik de Agadir”, na TV Globo, demonstrando desde cedo a versatilidade que se tornaria sua assinatura. A atriz sempre enfatizou sua paixão por “uma grande história, com um personagem muito bem construído, com material muito bom”, uma filosofia que guiou suas escolhas e a levou a explorar diferentes linguagens artísticas com igual dedicação e brilho. A televisão, em particular, foi o palco para Marieta Severo criar personagens inesquecíveis que se enraizaram na memória coletiva brasileira. Em 1989, ela deu vida a Madeleine Bouchet em “De que rei sou eu?”, uma figura que, em suas próprias palavras ao Memória Globo, era “o máximo”, atuando como uma “pulga no sapato dos conservadores do Reino de Avilan”. Sua capacidade de transitar entre o humor e o drama, a mocinha e a vilã, a tornou uma das atrizes mais populares de sua geração. Vilãs, aliás, ocuparam um lugar especial em sua galeria de tipos, como a implacável Loretta Pellegrini em “Pátria minha” e, de forma ainda mais marcante, a inescrupulosa Alma de “Laços de Família”, exibida em 2000, que permanece uma das mais lembradas de sua trajetória. Mais recentemente, em 2015, Fanny, a dona de uma agência de modelos em “Verdades secretas”, reafirmou sua maestria em papéis complexos e cheios de nuances. Contudo, nenhum papel na televisão talvez tenha sido tão adorado e popular quanto Dona Nenê, a matriarca de “A Grande Família”. Marieta interpretou a personagem de 2001 a 2014, por treze anos, transformando-a em um ícone cultural. Ao lado de Guta Stresser (Bebel), Pedro Cardoso (Agostinho), Marco Nanini (Lineu) e Lúcio Mauro Filho (Tuco), ela formou uma família que representava o cotidiano brasileiro com humor e sensibilidade, solidificando sua imagem como uma figura querida e acessível para milhões de telespectadores. A longevidade e o sucesso da série são testemunhos do talento de Marieta em construir personagens que transcendem a ficção e se tornam parte da vida das pessoas. Apesar de sua proeminência na TV e no cinema, o teatro nunca deixou de ser uma de suas maiores paixões e um refúgio para sua expressão artística mais pura. Seu currículo teatral é recheado de produções que marcaram a história da cena brasileira, incluindo “Roda viva”, de 1968, uma obra de Chico Buarque que se tornou um símbolo de resistência artística contra a ditadura militar. O GLOBO registrou diversos ensaios de Marieta ao longo dos anos, como em “No Natal a gente bem te buscar”, em 1980, ao lado de Mario Borges, e nos ensaios de “Ópera do malandro”, também de Chico Buarque, em 1978. Sua dedicação aos palcos é uma constante, demonstrando um compromisso inabalável com a arte performática em sua essência. A vida pessoal de Marieta Severo também foi marcada por um dos relacionamentos mais icônicos da cultura brasileira: seu casamento com o músico e escritor Chico Buarque. Os dois se casaram em 1966 e formaram um dos casais mais admirados e fotografados do Rio de Janeiro, especialmente nos anos 1980. Durante os anos de chumbo da ditadura militar, o casal chegou a passar dois anos em autoexílio na Itália, retornando ao Brasil em 1970, um período de grande turbulência política e pessoal. Juntos, tiveram três filhas: Helena, Luísa e Sílvia Buarque, esta última também atriz. O casamento, que durou até 1999, foi registrado em diversos momentos históricos, como nos bastidores do clipe “Paratodos”, em 1993, e no carnaval de 1998, quando a família assistiu ao desfile da Mangueira, cujo enredo homenageava Chico Buarque. Após a separação de Chico Buarque, Marieta Severo encontrou um novo amor e parceiro de vida no diretor Aderbal Freire Filho, com quem iniciou um relacionamento em 2004. A união perdurou até a morte de Aderbal em 2023, marcando mais uma fase de sua vida pessoal e profissional. Aderbal dirigiu Marieta e sua amiga de longa data, Andrea Beltrão, na peça “Sonata de outono”, que inaugurou o Teatro Poeira, um espaço cultural que as duas atrizes abriram em Botafogo, no Rio de Janeiro. A iniciativa lhes rendeu o Prêmio Faz Diferença do GLOBO em 2006, reconhecendo sua contribuição para a cultura. A parceria com Andrea Beltrão não se limitou ao Poeira, estendendo-se a outras produções como “A dona da história”, de 1998. Outro grande parceiro de palco e tela foi Marco Nanini, com quem Marieta atuou em peças como “Quem tem medo de Virginia Woolf” (2000) e “Os solitários” (2002), além do cinema. No cinema, Marieta Severo também deixou uma marca indelével. Ela e Marco Nanini estiveram juntos no elenco de “Carlota Joaquina, princesa do Brazil” (1995), um filme seminal que marcou a retomada do cinema brasileiro após anos de desinvestimento. Em 1986, com o filme “Com licença, eu vou à luta”, que contou com Fernanda Torres no elenco, Marieta foi agraciada com o prêmio de melhor atriz no Festival de Gramado, um reconhecimento de seu talento e dedicação à sétima arte. Outro papel cinematográfico amplamente lembrado foi o de Lucinha Araújo, a mãe de Cazuza (interpretado por Daniel de Oliveira), no aclamado “Cazuza – O Tempo Não Para”, de 2004, onde sua atuação trouxe profundidade e emoção à história real. Seu trabalho mais recente no cinema, “Câncer com ascendente em virgem”, dirigido por Rosane Svartman, foi lançado em 2025, um ano antes de seu octogésimo aniversário, demonstrando sua atividade contínua e paixão pela atuação. Aos 80 anos, Marieta Severo não apenas celebra uma vida repleta de conquistas e reconhecimento, mas também reafirma seu status como uma força vital na cultura brasileira. Sua capacidade de se reinventar, de buscar a qualidade em cada projeto e de se conectar com o público através de personagens complexos e humanos, a torna uma figura atemporal. De “Society em baby doll” a “Dom de iludir” na Netflix, e de “Roda viva” a “Câncer com ascendente em virgem”, Marieta Severo continua a inspirar gerações de artistas e a encantar milhões de brasileiros, consolidando seu legado como uma das maiores atrizes da história do país. Sua trajetória é um testemunho da paixão pela arte e da busca incessante pela excelência, um verdadeiro presente para a cultura nacional.

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