Em 02 de novembro de 2026, o cenário político dos Estados Unidos continua a ser dominado pela figura de Donald Trump, atual presidente e um dos nomes mais proeminentes do Partido Republicano, que exerce seu segundo mandato na Casa Branca desde 2025 e permanecerá no cargo até janeiro de 2029. A questão sobre sua filiação partidária, especialmente considerando um passado democrata, e as profundas distinções entre os Republicanos e os Democratas, as duas forças políticas hegemônicas do país, são cruciais para compreender a dinâmica eleitoral e ideológica que molda a nação. Trump, que já havia ocupado a presidência entre 2017 e 2020, consolidou-se como o segundo líder na história americana a servir dois mandatos não consecutivos, um feito que ressalta sua resiliência política e a complexidade do sistema partidário dos EUA.
### A Trajetória de Trump e a Reconfiguração Republicana
Apesar de ser hoje a face mais reconhecível do Partido Republicano, Donald Trump teve uma filiação inicial ao Partido Democrata no começo de sua vida pública. Contudo, foi sob a bandeira republicana que ele ascendeu à Presidência, transformando a própria legenda. O Partido Republicano, historicamente associado à direita, passou a incorporar traços distintivos do que se convencionou chamar de “trumpismo”. Essa nova vertente ideológica é caracterizada por um forte nacionalismo, políticas protecionistas, críticas veementes à globalização e uma postura unilateral nas relações internacionais, conforme explica Karina Calandrin, professora de Relações Internacionais do Ibmec-SP. Essas pautas são o cerne do slogan “Make America Great Again” (Faça a América Grande de Novo), que continua a ser um pilar da agenda do atual presidente.
### As Duas Faces da Política Americana: Republicanos vs. Democratas
A política americana é estruturada em torno de duas legendas dominantes: o Partido Republicano e o Partido Democrata. Segundo especialistas consultados pelo Valor, enquanto os Republicanos se alinham à direita, os Democratas ocupam o campo progressista. As diferenças entre eles são profundas e abrangem diversas áreas da vida pública e econômica.
Historicamente, os Republicanos defendem a redução de impostos e uma menor intervenção do Estado na economia, princípios que visam estimular o livre mercado e a iniciativa privada. Em termos sociais, suas posições tendem a ser mais conservadoras, com políticas migratórias mais restritivas e posturas firmes em temas como o aborto e o controle de armas. A retórica do Partido Republicano, conforme seu site oficial, frequentemente aponta que a “extrema-esquerda” ataca os princípios da legenda e tenta destruir o que torna a “América grande”, reforçando uma visão de defesa dos valores tradicionais e da soberania nacional.
Por outro lado, os Democratas costumam defender uma atuação mais ampla do Estado como ferramenta para a redução das desigualdades sociais. Isso se traduz em maior investimento em políticas sociais, proteção ambiental, ampliação do acesso à saúde e defesa dos direitos de minorias. O site oficial do Partido Democrata, por sua vez, apresenta suas pautas afirmando que, “enquanto os Republicanos trabalham pelos bilionários, democratas lutam pelos trabalhadores”, evidenciando um foco na justiça social e no apoio às classes trabalhadoras.
### O Sistema Eleitoral e a Hegemonia Bipartidária
Apesar da existência de outras legendas nos Estados Unidos, como os partidos Libertário, Verde e Reformista, estas não conseguem ganhar espaço significativo no cenário político. A razão para essa hegemonia bipartidária reside no peculiar sistema eleitoral americano. O país utiliza o voto indireto através de delegados no colégio eleitoral para eleger seus candidatos, o que, na visão de especialistas, favorece a concentração de poder nas mãos de Republicanos e Democratas.
Karina Calandrin detalha que “o sistema político americano é estruturado de maneira que favorece a competição entre duas grandes forças partidárias”. Ela explica que, na maior parte das eleições legislativas, os candidatos disputam distritos onde apenas o mais votado conquista a vaga. Diferentemente de sistemas proporcionais, como o brasileiro, não existe uma distribuição de cadeiras de acordo com a porcentagem de votos recebidos por cada partido. Esse modelo “winner-take-all” (o vencedor leva tudo) dificulta a ascensão de terceiras vias e perpetua o domínio dos dois partidos estabelecidos.
### Raízes Históricas dos Partidos Americanos
A formação dos partidos políticos nos Estados Unidos é um processo que remonta aos primórdios da nação. Em 1792, Thomas Jefferson, o primeiro secretário de Estado do país, fundou o Partido Republicano-Democrata. Essa legenda permaneceu unida até meados dos anos 1830, quando se dividiu, dando origem a dois novos partidos: os Democratas, que apoiavam Andrew Jackson, e os Whigs, que se opunham a ele.
O Partido Whig, no entanto, teve uma existência mais curta, entrando em colapso por volta de 1850 devido a profundas divisões internas, principalmente sobre a questão da escravidão. Esse colapso abriu caminho para a ascensão do Partido Republicano, fundado em 1854 com o propósito central de impedir a expansão da escravidão. Conhecido também como GOP (“Grand Old Party”, ou Grande Velho Partido), os Republicanos se estabeleceram como uma força política duradoura. O Partido Democrata, por sua vez, também conhecido como DNC (“Democratic National Committee”, ou Comitê Nacional Democrático), foi criado um pouco antes, em 1848, e desde então tem sido uma das duas principais forças políticas do país.
A história presidencial dos Estados Unidos reflete essa dinâmica bipartidária, com a maioria dos líderes vindo de um desses dois campos. Segundo o arquivo nacional do governo americano, desde a independência dos Estados Unidos em 1776 até hoje, o país teve: 19 presidentes republicanos, 17 presidentes democratas, 1 presidente federalista, 4 presidentes republicanos-democratas, 4 presidentes do Partido Whig e 1 presidente independente, George Washington. Essa contagem histórica sublinha a predominância dos Republicanos e Democratas ao longo de mais de dois séculos, consolidando-os como os pilares do sistema político americano. A compreensão de suas origens, ideologias e da mecânica eleitoral é fundamental para decifrar a complexa tapeçaria da política dos EUA, especialmente em um momento em que figuras como Donald Trump continuam a redefinir as fronteiras e as pautas de seus respectivos partidos.