Juventus da Mooca Sob Cerco Policial: Investigação Revela Suspeita de Desvio Milionário na SAF e Clube Social

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O tradicional Clube Atlético Juventus, carinhosamente conhecido como Juventus da Mooca, encontra-se no centro de uma grave investigação policial por suspeita de um esquema milionário de desvio de recursos. A Polícia Civil de São Paulo, por meio da 3ª Delegacia da Divisão de Combate à Lavagem de Dinheiro do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), apura um complexo arranjo que teria drenado valores significativos tanto da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) quanto de parcerias estratégicas do clube social. A apuração, que corre sob sigilo, ganhou contornos mais claros após o depoimento de Guilherme Rodrigues, que, ao lado de sua ex-mulher Luma Zaffarani, é apontado como peça central na orquestração dos desvios, revelando detalhes sobre pagamentos de honorários advocatícios supostamente superfaturados e outras transações questionáveis.

A notícia, que abala a estrutura de um dos mais emblemáticos clubes paulistanos, surge em um momento de intensa discussão sobre a gestão e a transparência no futebol brasileiro. A investigação se concentra em como valores vultosos, que deveriam beneficiar o clube, teriam sido desviados para bolsos de indivíduos por meio de mecanismos que simulam legalidade, como a remuneração por serviços jurídicos. A Polícia Civil age com discrição, mas a gravidade das acusações sugere um impacto profundo na imagem e nas finanças do Juventus.

Os Protagonistas do Esquema: Um Casal e Seus Rastros Financeiros

No cerne da investigação estão Luma Zaffarani e Guilherme Rodrigues, que, até março de 2026, mantinham um relacionamento conjugal. A colaboração de Guilherme com as autoridades tem sido crucial. Em depoimento detalhado, ele forneceu informações e comprovantes que, segundo a polícia, indicam como ele e Luma teriam comandado o esquema de desvio no Juventus. A dinâmica do casal, que se desfez recentemente, adiciona uma camada de complexidade e drama à trama, sugerindo que a ruptura pessoal pode ter precipitado a revelação dos ilícitos.

A denúncia que chegou à polícia aponta que os desvios milionários foram mascarados principalmente pelo pagamento de honorários advocatícios. Este método é frequentemente utilizado em esquemas de lavagem de dinheiro e fraude, pois permite justificar grandes transferências de valores sob a rubrica de serviços profissionais, que são difíceis de auditar em sua real necessidade ou valor de mercado. A investigação busca agora desvendar a real natureza desses serviços e se os valores pagos eram compatíveis com o trabalho efetivamente realizado, ou se serviam apenas como fachada para a drenagem de fundos.

Um dos negócios mais detalhados na denúncia é a operação de venda da SAF do Clube Atlético Juventus. Com a transação, o clube social teria direito a receber R$ 20 milhões. No entanto, um adendo contratual ou um acordo paralelo teria estabelecido que R$ 2 milhões desse montante deveriam ser repassados a Luma e Guilherme, supostamente pela “estruturação do projeto”. Este valor, por sua vez, seria dividido em três partes iguais: uma para Luma Zaffarani, uma para Guilherme Rodrigues e uma terceira parte para um indivíduo não identificado nos fatos divulgados. Essa triangulação de valores já levanta sérias suspeitas sobre a legitimidade da remuneração.

Guilherme Rodrigues detalhou que, no primeiro dia de dezembro (o ano não especificado, mas presumivelmente anterior a 2026 e posterior à venda da SAF), o clube realizou o primeiro pagamento de honorários relacionados a essa operação, no valor de R$ 900 mil. Desse montante, a divisão seguiu o padrão estabelecido: R$ 300 mil foram destinados a Luma, R$ 300 mil a Guilherme e os R$ 300 mil restantes ao “terceiro” envolvido. A precisão dos valores e a forma de distribuição indicam um planejamento meticuloso na execução do suposto esquema.

Ainda sobre a transação da SAF, outro pagamento significativo foi realizado em maio de 2020, no valor de R$ 350 mil. Contudo, Guilherme Rodrigues afirmou em seu depoimento que não participou do repasse desse montante, alegando já estar separado de Luma Zaffarani àquela altura. Essa informação, embora pareça contradizer a menção de que formavam um casal até março de 2026, pode indicar um período de separação anterior ou uma distinção entre a vida pessoal e a participação em determinados negócios, um ponto que a investigação certamente buscará esclarecer para entender a cronologia exata dos eventos e a extensão do envolvimento de cada um.

A Parceria com a Escola Maple Bear: Outra Frente de Desvio

A teia de desvios não se limitaria apenas à venda da SAF. Outra instituição, a escola Maple Bear, que firmou uma parceria de 20 anos para utilizar parte da sede do Juventus, também estaria envolvida no esquema. De acordo com o depoimento de Guilherme, em abril de 2026, a empresa adiantou R$ 500 mil dos R$ 3 milhões combinados em contrato. Mais uma vez, a distribuição desse adiantamento segue um padrão de desvio: Luma Zaffarani teria recebido R$ 150 mil, Guilherme Rodrigues R$ 150 mil, e o “terceiro” envolvido R$ 200 mil. Este episódio demonstra que o suposto esquema era multifacetado, explorando diferentes fontes de receita do clube.

A inclusão de uma parceria educacional na investigação amplia a gravidade das acusações, mostrando que o esquema não se restringia apenas ao futebol, mas atingia outras áreas vitais para a sustentabilidade do clube social. A Polícia Civil agora tem a tarefa de rastrear esses pagamentos, verificar a legalidade dos contratos e a justificativa para a destinação desses valores a pessoas físicas, em vez de serem integralmente incorporados ao caixa do Juventus.

As Respostas do Clube e da SAF: Distanciamento e Transparência

Diante das sérias acusações, tanto o Clube Atlético Juventus quanto o Juventus SAF emitiram comunicados, buscando esclarecer suas posições e, em certa medida, se desvincular das irregularidades. O Clube Atlético Juventus, em sua nota oficial, informou que “não comenta o mérito de questões que tramitam em sigilo perante as autoridades competentes”. A instituição ressaltou que “questões de foro íntimo, estritamente pessoais de indivíduos que pertencem ao seu quadro associativo, trabalham, prestam ou prestaram serviços ao clube não se confundem com sua atuação, gestão e atividades institucionais”. O clube ainda afirmou que tais questões “não podem nem devem ser utilizadas para atribuir à instituição qualquer responsabilidade ou posicionamento”, reiterando seu compromisso com a responsabilidade, transparência e respeito à sua comunidade e tradição centenária.

Por sua vez, o Juventus SAF adotou uma postura de completo distanciamento. Em seu comunicado, a SAF informou que, “desde o início do projeto, opera de forma completamente distinta do clube social, com processos, gestões e sedes diferentes”. A nota enfatiza que, no âmbito da aquisição das ações do departamento de futebol, “os pagamentos previstos contratualmente são realizados pelo Juventus SAF na conta bancária formalmente indicada pelo clube social”. A partir do depósito, a gestão e a destinação desses recursos são de “responsabilidade exclusiva do titular da conta, não cabendo ao Juventus SAF qualquer ingerência ou responsabilidade sobre sua utilização”. A SAF concluiu que “não possui qualquer relação com o ocorrido, uma vez que se trata de estruturas distintas e com gestões independentes”, reforçando seu compromisso com a transparência e a correta informação dos fatos.

O Futuro do Juventus da Mooca e os Desafios da Investigação

As declarações de ambos os lados, embora busquem proteger a imagem das respectivas entidades, sublinham a complexidade da relação entre o clube social e a SAF, uma realidade comum no futebol brasileiro. A investigação terá o desafio de desvendar se essa “distinção” e “independência” eram de fato operacionais ou se foram exploradas para facilitar os desvios. A Polícia Civil, com as informações e comprovantes fornecidos por Guilherme Rodrigues, tem um caminho claro para seguir, buscando não apenas os envolvidos diretos, mas também a extensão da participação de outros dirigentes e a possível existência de mais ramificações do esquema.

Para o Juventus da Mooca, um clube com mais de um século de história e uma profunda ligação com a cidade de São Paulo, a investigação representa um momento delicado. A reputação construída ao longo de décadas está em jogo, e a comunidade juventina aguarda ansiosamente por respostas e pela responsabilização dos culpados, caso as acusações se confirmem. A transparência e a colaboração com as autoridades serão cruciais para que o clube possa superar este período turbulento e reafirmar seu compromisso com os valores que o tornaram uma instituição tão querida no cenário esportivo nacional.

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