Em uma reviravolta que desafia as convenções do basquete moderno, o ala Matisse Thybulle, recém-contratado pelo Los Angeles Lakers em julho de 2026 por um contrato de um ano e US$ 3,3 milhões, emerge como a aposta mais ousada e potencialmente valiosa do banco da equipe para a temporada que se inicia. A previsão, divulgada pela ESPN nesta segunda-feira, 21 de outubro de 2026, através da análise de Zach Kram, aponta Thybulle como um jogador capaz de transcender o papel de reserva, oferecendo uma combinação rara de defesa perimetral de elite e um arremesso de três pontos aprimorado, elementos cruciais que faltaram ao elenco liderado por Luka Doncic e que podem ser o diferencial para a redenção defensiva do Lakers.
A expectativa em torno de Thybulle não é infundada, mas sim uma resposta direta à fragilidade defensiva que tem assombrado o Lakers. Na temporada passada, a equipe terminou em um preocupante 20º lugar em eficiência defensiva, um calcanhar de Aquiles que a mesma prévia da ESPN identificou como o maior problema do grupo, conforme já detalhado em nossa análise sobre a desconfiança da emissora no Lakers de Doncic. É nesse cenário de vulnerabilidade que Thybulle, um especialista defensivo reconhecido, é posicionado como a solução estratégica. Sua capacidade de marcar intensamente no perímetro é exatamente o que o time de Los Angeles precisa para complementar o talento ofensivo de suas estrelas.
O histórico de Thybulle como defensor é impecável. Na última temporada, atuando pelo Portland Trail Blazers, ele liderou a NBA em roubos de bola e desvios de passe por 36 minutos entre os jogadores com pelo menos 20 jogos disputados, segundo dados da ESPN. Com uma média impressionante de dois roubos por jogo em apenas 16 minutos em quadra, sua presença é um catalisador para a desorganização do ataque adversário. Essa habilidade inata de interceptar passes e pressionar os portadores da bola é um ativo raro, que pode mudar o ritmo de um jogo e gerar transições rápidas para o Lakers.
Contudo, o que realmente eleva o valor de Thybulle e o distingue de sua versão anterior, especialmente nos tempos de Philadelphia 76ers, é a notável evolução de seu arremesso de três pontos. Nos seus três primeiros anos de carreira, o ala registrava percentuais entre 30% e 36%, permitindo que os adversários o deixassem livre para focar em outros marcadores. Nas duas últimas temporadas, no entanto, Thybulle transformou-se em um atirador respeitável, convertendo 58 de 141 tentativas, um aproveitamento de 41% – um número de especialista que o coloca em um patamar diferente e permite que ele permaneça em quadra ao lado de Luka Doncic e Austin Reaves sem comprometer o espaçamento ofensivo.
Apesar da melhoria estatística, uma ressalva importante reside na amostra pequena de jogos devido a lesões. Thybulle disputou apenas 15 partidas em 2024-25, após um procedimento no joelho direito e uma torção no tornozelo, e 30 jogos em 2025-26, quando precisou operar o polegar esquerdo. Além disso, sua performance no arremesso durante a pré-temporada com o Lakers não foi animadora, com apenas 4 acertos em 16 tentativas de três pontos em quatro jogos, levantando questões sobre a consistência de seu novo patamar de arremesso.
A singularidade de Thybulle foi capturada em uma frase pelo técnico JJ Redick durante o training camp: “O Matisse é um jogador único, de verdade”. Redick complementou com um aviso claro ao elenco, como já noticiamos em “Redick avisou o elenco: não passe perto de Thybulle”: “Se ele está na linha de passe, você não deveria passar a bola para lá, porque ele provavelmente vai roubar”. Essa declaração sublinha a confiança do treinador em suas habilidades defensivas e a percepção de que Thybulle é uma ameaça constante para qualquer ataque.
O próprio Thybulle demonstra otimismo e compreensão de seu papel, especialmente na parceria com o novo pivô da equipe, Walker Kessler. “Posso viver todo o meu potencial defensivo porque tenho um protetor de aro como o Walker”, afirmou o ala, indicando que a presença de Kessler na retaguarda lhe permite arriscar mais na marcação perimetral, sabendo que há uma proteção robusta no garrafão. Ele também revelou a intensidade dos treinos do Lakers, afirmando que marcar Doncic e Reaves diariamente é mais desafiador do que muitos jogos, uma declaração que reforça a alta competitividade interna da equipe, como mostramos em “Thybulle avisa que o treino do Lakers é pior que o jogo”.
Embora a previsão da ESPN o coloque no banco, a possibilidade de Thybulle iniciar os jogos não pode ser descartada. Ele foi titular em três dos quatro jogos da pré-temporada, inclusive no último confronto contra o Denver Nuggets, ao lado de Doncic, Reaves, Kessler e Ziaire Williams. A indefinição de Redick sobre o quinteto titular para a estreia sugere uma disputa acirrada pela última vaga, aparentemente entre Thybulle e Ziaire Williams, conforme detalhamos em “quem Redick já indicou para o quinteto da estreia”. Questionado sobre a titularidade, Thybulle manteve a postura profissional: “Deixo essas decisões para os técnicos”.
Independentemente de sua posição inicial, a primeira grande missão de Thybulle na temporada era clara: enfrentar Stephen Curry na quarta-feira, 23 de outubro, às 23h, na estreia contra o Golden State Warriors, com transmissão pela ESPN e Disney+. Esse confronto direto contra um dos maiores arremessadores da história da NBA seria um teste de fogo para sua capacidade defensiva e um indicativo do impacto que ele pode ter no esquema do Lakers. A expectativa é que Thybulle não apenas cumpra seu papel defensivo, mas que sua presença inspire o time, como já apontado por Doncic sobre a influência de Thybulle e Ziaire.
A aposta em Matisse Thybulle representa mais do que uma simples adição ao elenco; é um movimento estratégico que busca reequilibrar o Lakers, injetando uma dose de intensidade defensiva e versatilidade que pode ser o elo perdido para uma campanha de sucesso. Se ele conseguir manter a consistência de seu arremesso e a ferocidade defensiva, Thybulle não apenas justificará o investimento, mas poderá, de fato, valer mais do que muitos titulares na liga, redefinindo o conceito de valor de um jogador de banco na NBA moderna.