Acordo Secreto da Produtora de “Dark Horse” com Banco Master Contradiz Negativas e Aprofunda Investigação sobre Financiamento do Filme de Bolsonaro

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Em uma reviravolta que lança novas sombras sobre o financiamento da obra audiovisual “Dark Horse”, que retrata a vida de Jair Bolsonaro (PL), documentos recém-revelados demonstram que Karina Gama, responsável pela produtora Go Up, assinou um termo de confidencialidade e prospecção comercial em novembro de 2021 com a Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, pertencente ao empresário Daniel Vorcaro. Este acordo formal, que visava à viabilização de intercâmbio de informações estratégicas para a abertura de frentes de negócios e tinha vigência de cinco anos – período exato de desenvolvimento do filme –, contradiz diretamente as declarações públicas de Gama à CNN Brasil em setembro de 2026, onde ela negou veementemente qualquer relação com a instituição financeira ou seu controlador. A revelação, que emerge em meio a duas investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a captação de recursos e possíveis desvios, expõe um canal formal de aproximação entre a produtora e o grupo financeiro de Vorcaro, cujo operador é apontado pela Polícia Federal como movimentador de recursos alocados em fundos de investimento. O termo de confidencialidade, assinado por Karina Gama e Ascendino Madureira Garcia – este último identificado em apurações da Polícia Federal como operador financeiro encarregado de movimentar recursos de Daniel Vorcaro –, estabelecia um compromisso de cinco anos, período que coincide precisamente com a concepção e produção de “Dark Horse”. A existência deste documento formal desmente categoricamente as afirmações de Gama, que, há pouco mais de um mês, em setembro de 2026, declarou à CNN Brasil: “Não existiu nenhuma relação da produtora com o Vorcaro. Não existiu nenhuma relação da produtora com as empresas do Vorcaro, não existiu”. A discrepância entre o registro oficial e as manifestações públicas da produtora adiciona uma camada de complexidade e questionamentos à narrativa em torno do financiamento do filme. A cronologia dos fatos revela que, apenas um ano após a formalização do pré-acordo com a corretora de Vorcaro, em 2022, Karina Gama iniciou as tratativas com o então ex-secretário de Cultura e atual deputado federal Mario Frias (PL-SP). Foi Frias quem negociou diretamente com Jair Bolsonaro a cessão dos direitos para a cinebiografia, repassando a condução da produção para a empresa de Gama. No mesmo ano, a produtora Go Up também prestou serviços para a campanha eleitoral de Frias à Câmara dos Deputados, solidificando uma aliança que se mostra cada vez mais intrincada. A proximidade temporal entre o acordo de confidencialidade e o início da produção do filme, bem como o envolvimento político da produtora, sugere uma teia de conexões que vai além de meras coincidências comerciais. As remessas financeiras destinadas ao financiamento de “Dark Horse” ganharam contornos ainda mais nebulosos após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitar aportes diretamente a Daniel Vorcaro. Interceptações e diálogos colhidos por investigadores federais indicam negociações que totalizavam US$ 23 milhões. Deste montante, aproximadamente US$ 10 milhões foram transferidos por meio de transações efetuadas por um operador financeiro até um fundo sediado nos Estados Unidos, gerenciado por um advogado com ligações ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Essa estrutura no exterior foi a responsável por direcionar o capital para a confecção da obra, levantando sérias questões sobre a origem e a legalidade desses recursos. As autoridades policiais, em suas apurações, identificaram “divergências relevantes” no conjunto documental remetido pela produtora Go Up, que tinha como objetivo fundamentar e justificar os ingressos de divisas norte-americanas em território nacional. Essas inconsistências documentais reforçam as suspeitas de irregularidades no fluxo financeiro que sustentou a produção do filme. A complexidade das transações e a identificação de um fundo offshore ligado a figuras políticas de peso intensificam o escrutínio sobre a operação. Atualmente, o enredo financeiro de “Dark Horse” é objeto de apuração em dois inquéritos distintos instaurados no Supremo Tribunal Federal. O primeiro, sob a condução do ministro André Mendonça, foca na investigação de eventual conduta ilícita e suspeitas de crimes imputados a Flávio Bolsonaro no trâmite de captação dos vultosos valores. A segunda frente de investigação, sob a relatoria do ministro Flávio Dino, busca esclarecer possíveis desvios de recursos públicos. Esta linha de apuração investiga se verbas orçamentárias, oriundas de emendas parlamentares, teriam sido destinadas a um instituto gerido por Karina Gama e, sob suspeita, irrigado a produção audiovisual do filme. A dualidade das investigações no STF sublinha a gravidade das acusações e a amplitude das possíveis irregularidades. Em posicionamento oficial, a defesa de Karina Gama, por meio do advogado Ricardo Sayeg, buscou desqualificar a relevância do termo de confidencialidade. A defesa argumentou que a apresentação de projetos a agentes do mercado financeiro é uma prática habitual na atividade cultural e alegou não haver comprovação de repasses originados do referido pacto. Sayeg afirmou que “o mencionado suposto acordo de confidencialidade remonta a 2021, quando não havia o mínimo problema com o Banco Master, sendo que Karina sequer se recorda de sua existência ou assinatura”. O advogado acrescentou que, caso tenha sido celebrado – o que admite apenas para argumentar –, o acordo se inseriu exclusivamente no contexto de prospecção comercial ao mercado em geral em 2021, “sem qualquer contato direto com a cúpula do Banco Master, muito menos com Daniel Vorcaro, com quem Karina jamais manteve contato pessoal”. A nota da defesa reiterou que “Karina portanto sempre disse a verdade que não conhece e não tem qualquer tipo de relacionamento com o Daniel Vorcaro”. Além disso, pontuou que “nenhuma captação ou patrocínio resultou daquela iniciativa de 2021” e sustentou que a cliente “também não conhece nem se recorda de Ascendino Madureira, pessoa que sequer seria capaz de reconhecer se a encontrasse pessoalmente”. Diante dessas alegações, o advogado concluiu na manifestação oficial que “é absolutamente indevida qualquer tentativa de atribuir ao referido documento de 2021 uma relação negocial efetiva ou vinculá-lo à posterior produção do filme Dark Horse”. No entanto, a existência do documento assinado por Karina Gama e Ascendino Madureira Garcia, operador financeiro de Vorcaro, e a subsequente cadeia de eventos que culminou na captação de milhões de dólares para o filme, desafiam a narrativa da defesa. A contradição entre as negativas públicas da produtora e a evidência documental formal, aliada às investigações sobre o fluxo financeiro e as divergências nos documentos apresentados, coloca a produção de “Dark Horse” no centro de um complexo escândalo que envolve política, finanças e justiça, com desdobramentos ainda incertos no cenário político e judicial brasileiro.

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