Supermercados BH Consolida Liderança com Aquisição de 114 Lojas Epa e Mineirão em MG Após Aval do Cade

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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão regulador do governo federal, aprovou sem restrições a compra de 114 unidades do Grupo DMA, detentor das bandeiras Epa e Mineirão, pelo Supermercados BH. A transação, que começou a ser negociada em abril e inicialmente previa 120 lojas, teve seis unidades retiradas do acordo por risco de concentração de mercado, e envolve pontos comerciais e instalações em 19 cidades mineiras, com 75 delas localizadas em Belo Horizonte. A decisão, proferida em primeira instância, abre um prazo de 15 dias para possíveis contestações, período que o Supermercados BH já declarou que observará rigorosamente. A operação representa um movimento estratégico de grande envergadura no setor varejista de Minas Gerais, consolidando ainda mais a posição do Supermercados BH como a maior rede do estado e a quarta do Brasil. As 114 unidades adquiridas abrangem as bandeiras Epa Plus, Epa Premium e Mineirão, sendo 103 supermercados e 11 atacarejos. É fundamental notar que o negócio se restringe à aquisição dos pontos comerciais e das instalações físicas, mantendo as marcas Epa e Mineirão sob a propriedade do Grupo DMA. As lojas estão distribuídas por diversas regiões de Minas Gerais, incluindo a Região Metropolitana, Campo das Vertentes, Zona da Mata, Central Mineira, Vale do Rio Doce e Sul de Minas, com uma notável concentração em Belo Horizonte (75 unidades), Contagem (10) e Ribeirão das Neves (5). A aprovação do Cade não foi um processo simples. Em 31 de agosto, o órgão classificou o caso como complexo, indicando a necessidade de uma análise aprofundada sobre a concorrência em diversas regiões. A preocupação central era o risco de concentração de mercado, que poderia prejudicar os consumidores. Inicialmente, a análise técnica apontou risco em 12 lojas, mas a decisão final resultou na exclusão de apenas seis unidades do negócio. Essas lojas, que permanecerão sob o controle do Grupo DMA, estão localizadas em Veneza (Ribeirão das Neves), Vila Joana D’Arc (Lagoa Santa), Venda Nova (Belo Horizonte), Siderurgia (Ouro Branco), Cinira de Freitas (Sarzedo) e Distrito Industrial (Itajubá). Com a saída dessas unidades, o Grupo DMA seguirá operando 17 lojas próprias em Minas Gerais. Para concluir que a aquisição não traria prejuízos ao consumidor, o Cade realizou uma análise minuciosa, avaliando cada região individualmente. Em Belo Horizonte, por exemplo, 67 áreas distintas foram examinadas, uma para cada loja. O critério utilizado foi o tempo que um consumidor levaria de carro para acessar um concorrente em um sábado às 11h. Em municípios menores, o limite considerado foi o próprio perímetro da cidade. A conclusão do órgão foi que, apesar da magnitude da transação, não é provável que o Supermercados BH consiga abusar de sua posição dominante. Essa avaliação levou em conta a presença de outras grandes redes no mercado, como Carrefour, Assaí, Mart Minas, Verdemar, Villefort, Multiformato e Economart, além da abertura de 92 novas lojas na capital mineira entre 2021 e 2025 e o crescimento geral do faturamento do setor. Contudo, a decisão do Cade não veio sem ressalvas. O próprio órgão apontou que várias redes concorrentes não responderam ao questionário enviado pelo governo, o que significa que a fatia de mercado calculada para o Supermercados BH pode estar superestimada. Além disso, mesmo com a aprovação, a concentração de mercado em algumas cidades ainda se mantém elevada. Em Ponte Nova, por exemplo, a participação combinada das duas redes no mercado local ficou entre 60% e 70%, um índice que, apesar de aprovado, merece atenção contínua por parte das autoridades e dos consumidores. A aprovação em primeira instância significa que a decisão pode ser contestada por empresas já cadastradas no processo ou pelos próprios conselheiros do Cade em até 15 dias após a publicação no Diário Oficial. Caso haja contestação, a compra será suspensa até um novo julgamento pelo Tribunal do órgão. Com esta aquisição, o Supermercados BH, que já ostentava um faturamento de R$ 25,7 bilhões em 2025, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), projeta alcançar uma receita de aproximadamente R$ 34,6 bilhões. Essa projeção, baseada em dados da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais, solidifica sua posição como um dos maiores players do varejo alimentar nacional. Esta é a segunda grande operação entre as duas empresas no ano; a primeira, envolvendo 40 lojas em Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, já havia sido aprovada em maio. A expansão estratégica do Supermercados BH visa não apenas fortalecer sua presença em cidades onde já atua, mas também penetrar em novos mercados ou em localidades onde sua atuação era limitada, conforme indicado nos documentos entregues ao governo, que, no entanto, mantêm o contrato de compra e venda sob sigilo a pedido das companhias. Apesar da complexidade e das ressalvas, a aprovação do Cade sinaliza um novo capítulo para o varejo mineiro. A integração das 114 lojas do Grupo DMA ao Supermercados BH promete reconfigurar o cenário competitivo, trazendo desafios e oportunidades tanto para as empresas envolvidas quanto para os consumidores. A vigilância sobre os prazos legais e a observação do comportamento do mercado serão cruciais nos próximos meses para entender o impacto total desta mega-aquisição no dia a dia dos mineiros.

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