Em um cenário eleitoral acirrado e marcado por tensões, uma pesquisa do instituto Veritá, divulgada em 6 de outubro de 2026, posiciona Flávio Bolsonaro (PL) com uma vantagem de 3,12 pontos percentuais sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno para a Presidência da República, com 51,56% das intenções de voto válidos contra 48,44% para o atual presidente. Este levantamento, o primeiro a público após o primeiro turno das eleições gerais em 4 de outubro, onde Flávio Bolsonaro já havia superado Lula com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%, surge em meio a uma controvérsia sobre sua breve remoção das redes sociais e intensifica o debate político a menos de dez dias do segundo turno, agendado para 25 de outubro.
O instituto Veritá, que se destacou no primeiro turno por apresentar uma das maiores taxas de acerto entre as empresas de pesquisa, indicou um cenário praticamente idêntico ao resultado das urnas. Em sua última sondagem antes do primeiro turno, o Veritá apontou Flávio Bolsonaro com 47% e Lula com 45% dos votos válidos, números que divergiram em apenas 0,03 e 0,16 ponto percentual, respectivamente, do resultado oficial. Essa precisão confere peso adicional aos seus novos dados, que mostram Flávio Bolsonaro largando na frente na corrida pelo segundo turno, onde a vitória exige 50% dos votos válidos mais um. A pesquisa entrevistou 40,5 mil eleitores em todos os estados e no Distrito Federal, entre 26 de setembro e 2 de outubro de 2026, com margem de erro entre 2 e 3,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A divulgação dos resultados, no entanto, não ocorreu sem percalços. Na noite de segunda-feira, 5 de outubro, um dia após o primeiro turno, o próprio instituto Veritá informou, por meio de seu perfil nas redes sociais, que as publicações contendo a pesquisa foram postadas por volta das 20h e 20h35, mas permaneceram visíveis ao público por apenas alguns minutos antes de serem misteriosamente retiradas do ar, passando a aparecer somente para os administradores do perfil. O incidente gerou especulações e chamou a atenção dos usuários, especialmente considerando que, nesse curto período, os informativos alcançaram cerca de meio milhão de visualizações em menos de dez minutos. O instituto declarou não saber o motivo da restrição, mas os números do levantamento foram posteriormente restabelecidos e voltaram a ficar disponíveis nas redes sociais, reacendendo o debate sobre a liberdade de informação e a transparência no ambiente digital em períodos eleitorais.
A análise dos resultados do primeiro turno, onde Flávio Bolsonaro obteve 56,1 milhões de votos e Lula 53,8 milhões, já indicava uma disputa apertada. A vitória de Flávio em bairros mais pobres do Rio de Janeiro, em contraste com a de Lula em áreas mais ricas, conforme apontado por outras análises, sugere uma reconfiguração do eleitorado e desafia narrativas tradicionais. Além disso, a queda na votação de Lula em cidades mais dependentes do Bolsa Família, outro dado relevante, levanta questões sobre a eficácia das estratégias de campanha e o impacto das políticas sociais no voto. Institutos como Gerp e Futura/100% Cidades também se aproximaram dos resultados oficiais, mas o Veritá se destacou pela precisão.
O cenário pós-primeiro turno tem sido palco de intensas discussões e reavaliações estratégicas. O jornalista J.R. Guzzo, em um comentário contundente, criticou a “Imprensa do Pix”, acusando-a de amnésia seletiva e de fazer “contorcionismos verbais e matemáticos para explicar o choque de realidade” da eleição. Guzzo ironiza a seriedade da imprensa brasileira, citando Juca Chaves: “Se você pagar, ela até publica a verdade”. Ele aponta para uma suposta desorientação dos “jornalulistas” e marqueteiros do PT após a derrota de Lula para Flávio no primeiro turno, mencionando que o “Financial Times” teria destacado as fraquezas de Lula.
As especulações sobre os próximos passos da campanha petista incluem a possibilidade de Lula avaliar mudanças na Secretaria de Comunicação (Secom) e até mesmo convocar João Santana, marqueteiro envolvido em escândalos passados, para a campanha do segundo turno. Santana e sua esposa, Mônica Moura, foram delatores da Operação Lava Jato, revelando pagamentos via caixa 2 e a suposta ciência de Lula e Dilma Rousseff sobre esses esquemas, inclusive com Lula tendo a “palavra final de chefe” sobre os pagamentos e pressionando Antonio Palocci para quitar dívidas. Outra medida em estudo seria o anúncio de Geraldo Alckmin como futuro ministro da Fazenda, uma tentativa de atrair o eleitorado de centro, mas que Guzzo classifica como “bandidos não têm limites para continuarem na bandidagem”.
Guzzo também argumenta que Lula e sua equipe subestimaram o impacto de medidas como a proibição de bets e o aumento do Bolsa Família, que teriam tido “efeito ZERO” no resultado. Ele destaca a “matemática” como o “problema maior do Lula e sua quadrilha”, citando dados comparativos do Nordeste entre as eleições de 2022 e 2026. Em 2022, Lula obteve 21.753.139 votos na região, caindo para 21.494.584 em 2026, uma redução de 1,19% (258.555 votos). Em contrapartida, Flávio Bolsonaro, que sucedeu Jair Bolsonaro, viu um crescimento significativo no Nordeste, passando de 8.787.394 votos para Jair em 2022 para 10.398.973 votos para Flávio em 2026, um aumento de 18,33% (1.611.579 votos). Esses números, segundo o jornalista, desmentem a narrativa de que o PT e Lula “fizeram o diabo” para vencer no primeiro turno.
A crítica se estende à “biografia” de Lula, que Guzzo afirma “não resistir aos arquivos de Nossa Senhora da Internet”, relembrando delações de Palocci e Marcelo Odebrecht. Palocci, em sua delação, afirmou ter entregue a Lula “cerca de oito a nove vezes valores em espécie”, remessas de R$ 50 mil escondidas em caixas, e que Lula teria recebido propina pela obra da Usina Hidrelétrica Belo Monte, com a Odebrecht destinando R$ 15 milhões. Marcelo Odebrecht, por sua vez, citou o pagamento de R$ 300 milhões ao PT e Lula entre 2011 e 2015. Tais alegações, que ressurgem no debate público, adicionam uma camada de complexidade à imagem dos candidatos e ao tom da campanha. A plataforma Polymarket, que mede probabilidades de eventos, já indicava Flávio Bolsonaro com 84% de chance de ser eleito presidente do Brasil, refletindo a percepção de mercado sobre o desfecho da eleição.
Diante da aparente vantagem de Flávio Bolsonaro e da pressão sobre a campanha de Lula, Guzzo chega a sugerir que não seria estranho se Lula alegasse algum problema de saúde ou institucional para “fugir da acapachante derrota que se avizinha”, buscando posar de vítima e “salvar sua biografia”. Este cenário, com uma pesquisa crucial revelando a dianteira de um candidato e uma intensa batalha narrativa sobre a credibilidade da imprensa e o passado dos envolvidos, promete um segundo turno eleitoral de alta voltagem e imprevisibilidade até o dia 25 de outubro.