A Copa Libertadores Feminina de 2026 teve início nesta quinta-feira, 15 de outubro, em Quito, Equador, reunindo 16 clubes das dez associações nacionais filiadas à CONMEBOL. Com a presença de três representantes brasileiros – Corinthians, Palmeiras e Cruzeiro – a competição promete uma intensa disputa que se estenderá até 31 de outubro, culminando na coroação do novo campeão continental. O torneio é marcado pela busca do Corinthians por um inédito quarto título consecutivo, consolidando sua hegemonia no futebol feminino sul-americano, enquanto Palmeiras retorna ao palco de sua glória e o Cruzeiro faz sua estreia.
A capital equatoriana, com seus estádios Banco Guayaquil e Rodrigo Paz Delgado (Casa Blanca), é o cenário para esta edição que congrega campeões tradicionais, equipes com histórico de decisões e quatro clubes que fazem sua primeira aparição no cenário continental. A estrutura da competição é dividida em duas etapas: uma fase de grupos inicial, seguida por confrontos eliminatórios diretos. Os 16 participantes foram distribuídos em quatro grupos de quatro equipes, onde cada clube disputará três partidas em turno único. Os dois melhores colocados de cada chave avançarão para as quartas de final, inaugurando a fase de mata-mata, também em jogos únicos.
A pontuação na fase de grupos segue o modelo tradicional: três pontos por vitória, um por empate e nenhum por derrota. Em caso de igualdade na classificação, os critérios de desempate priorizam o confronto direto (pontos, saldo de gols e gols marcados), seguido por saldo de gols geral, gols marcados, menor número de cartões (vermelhos e amarelos) e, por fim, sorteio. Nas quartas de final, o cruzamento é pré-definido: o líder do Grupo A enfrenta o segundo do Grupo B, e vice-versa, com o mesmo esquema para os Grupos C e D. A partir desta fase, equipes do mesmo país podem se enfrentar. Uma particularidade do regulamento é a ausência de prorrogação em caso de empate nos jogos eliminatórios, incluindo a final e a disputa de terceiro lugar; a decisão será diretamente nas cobranças de pênaltis.
O regulamento da Libertadores Feminina de 2026 permite a inscrição de até 23 jogadoras por equipe, com a exigência de que as atletas tenham completado pelo menos 16 anos até 31 de dezembro de 2026. Cada delegação oficial pode contar com oito integrantes da comissão técnica, sendo obrigatório que pelo menos dois sejam mulheres. Durante as partidas, são permitidas cinco substituições em até três oportunidades, além de disposições específicas para casos de suspeita de concussão. Em termos disciplinares, uma jogadora ou membro da comissão técnica que acumular dois cartões amarelos, consecutivos ou alternados, será suspenso da partida seguinte. A contagem de cartões da fase de grupos é zerada para o mata-mata, mas suspensões pendentes da última rodada devem ser cumpridas nas quartas de final.
### Premiação e Estrutura de Vagas
A CONMEBOL demonstra seu investimento na modalidade com uma premiação significativa: o clube campeão da Libertadores Feminina de 2026 receberá US$ 2 milhões (aproximadamente R$ 10,8 milhões), enquanto o vice-campeão será agraciado com US$ 600 mil (R$ 3,2 milhões) e o terceiro colocado com US$ 250 mil (R$ 1,3 milhão). Além dos valores por desempenho, a entidade cobre despesas essenciais das delegações oficiais, incluindo transporte, hospedagem, alimentação e seguro médico para até 23 jogadoras e oito membros da comissão técnica, conforme previsto no regulamento.
A distribuição de vagas na competição reflete um equilíbrio entre mérito nacional e histórico. Das dez associações sul-americanas, o Brasil possui três vagas, Chile, Colômbia, Equador e Paraguai têm duas cada, e Argentina, Bolívia, Peru, Uruguai e Venezuela contam com uma. O sistema de classificação é composto por dez vagas destinadas às associações nacionais, quatro adicionais distribuídas conforme o ranking histórico da Libertadores, uma reservada ao campeão de 2025 e outra ao país-sede. O Brasil lidera este ranking com 320 pontos, seguido por Colômbia (185), Chile (169) e Paraguai (135), o que justifica sua maior representatividade.
### Os Representantes Brasileiros e Principais Candidatos
O Corinthians chega ao Equador com a ambição de conquistar a Libertadores pela sétima vez, buscando ampliar uma hegemonia construída nos últimos anos. Campeão das edições de 2017, 2019, 2021, 2023, 2024 e 2025, o clube paulista detém o título atual, o que lhe garantiu uma vaga específica. O retrospecto das “Brabas” as coloca como principal referência, destacando sua capacidade em jogos eliminatórios e a experiência em decisões internacionais. Caso conquiste o troféu novamente, o Corinthians estabelecerá uma sequência histórica de quatro títulos consecutivos. A equipe já tem vaga garantida para a Libertadores de 2027 por ter sido vice-campeã brasileira. Seu primeiro desafio no Grupo A será contra o Colo-Colo, que também já foi campeão continental e é comandado pela brasileira Tatiele Silveira. O grupo ainda reserva um reencontro com o Independiente Santa Fe, derrotado pelas Brabas nas finais de 2021 e 2024, além do Caracas, que disputou a final de 2014.
O Palmeiras disputa a Libertadores de 2026 com a oportunidade de conquistar seu segundo título continental, retornando à cidade onde levantou a taça pela primeira vez. Em 2022, as “Palestrinas” venceram o Boca Juniors por 4 a 1 na final disputada em Quito, garantindo um dos títulos mais importantes de sua história no futebol feminino. A equipe assegurou sua classificação ao terminar o Brasileirão Feminino de 2025 com a terceira melhor campanha. Como o Corinthians, campeão brasileiro, também conquistou a Libertadores de 2025, uma vaga adicional foi aberta para o Brasil e destinada ao Palmeiras. Entre os destaques do elenco está Bia Zaneratto, que retornou ao clube em 2026 após duas temporadas nos Estados Unidos. A preparação incluiu amistosos, como o confronto com a Ferroviária em 3 de outubro, cujo resultado não foi divulgado. Uma ausência notável será a goleira colombiana Kate Tapia, retirada da lista de inscritas por questões disciplinares, após viajar à Colômbia antes da data combinada e faltar a um treino preparatório. O Cruzeiro, por sua vez, fará sua estreia na competição, marcando um momento histórico para o clube mineiro.
Além dos brasileiros, outros clubes se destacam como fortes candidatos ao título. O Colo-Colo (Chile) chega com uma sequência de conquistas nacionais sob o comando de Tatiele Silveira. O Deportivo Cali (Colômbia), vice-campeão em 2025, busca transformar seu domínio recente na Colômbia em uma campanha continental de destaque. O Independiente Santa Fe (Colômbia) aposta na experiência acumulada em duas finais contra o Corinthians. Entre os estreantes, além de Cruzeiro, estão Belgrano (Argentina), Liga de Quito (Equador) e Bolívar (Bolívia). O Independiente del Valle, atual tricampeão equatoriano, tentará aproveitar o fator casa para avançar na competição.
A Libertadores Feminina de 2026 promete ser uma edição de alto nível, com a busca por recordes, a afirmação de novas forças e a consolidação de potências. A jornada até 31 de outubro será intensa, definindo quem erguerá o cobiçado troféu continental.