Filipe Barros Promete Ofensiva Contra o STF e Reforma do Judiciário ao Assumir Mandato no Senado em 2027

O senador eleito pelo Paraná, Filipe Barros (PL), anunciou que sua atuação no Senado Federal, a partir de 2027, será marcada por uma ofensiva direta contra o Supremo Tribunal Federal (STF), com a prioridade de protocolar pedidos de impeachment contra ministros da Corte. A declaração, feita em entrevista nesta terça-feira (6) ao programa Café com a Gazeta do Povo, sinaliza um mandato focado na responsabilização judicial e em uma ampla reforma do Poder Judiciário, prometendo ser um dos pilares de sua legislatura. Barros fundamenta sua proposta na percepção de que há “crime de responsabilidade” e “abuso de poder” por parte de alguns membros do STF, buscando reestabelecer o que considera ser o equilíbrio entre os Poderes.
A iniciativa de responsabilização não se limitará a pedidos de impeachment. Filipe Barros revelou que, em conjunto com Deltan Dallagnol (Novo), também eleito senador pelo Paraná, pretende apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nos primeiros dias de seu mandato. Essa PEC visa promover uma reforma estrutural no Judiciário, um tema que ambos os senadores eleitos defenderam exaustivamente durante a campanha eleitoral. A proposta de reforma abrange pontos cruciais para a composição e atuação da mais alta corte do país.
Entre as mudanças defendidas por Barros, destacam-se a instituição de mandatos fixos para os ministros do Supremo Tribunal Federal, uma medida que visa limitar a permanência vitalícia e, consequentemente, o poder acumulado ao longo de décadas. Além disso, o senador eleito propõe que a indicação para o STF, embora mantida sob a prerrogativa do Presidente da República, seja restrita a juízes de carreira da magistratura, afastando a possibilidade de nomeação de advogados com vínculos partidários. “Eu defendo mandato dos ministros do Supremo, eu defendo que sejam indicados pelo presidente da República, mas que sejam juízes de carreira, da magistratura, não pode ser advogado do partido do presidente da República”, enfatizou Barros.
Outro ponto central da reforma proposta é a redefinição dos limites do controle de constitucionalidade exercido pelo STF. Barros argumenta que a Corte tem extrapolado suas funções, legislando em lugar do Congresso Nacional, o que, segundo ele, desvirtua o papel do Poder Judiciário. “Eu defendo que a gente crie regras mais rígidas para o controle de constitucionalidade. Não pode o Supremo Tribunal Federal, em nome do controle de constitucionalidade, legislar no lugar do Congresso Nacional”, afirmou, sinalizando um esforço para restaurar a primazia do Poder Legislativo em matérias de criação de leis.
A pauta de Barros e Dallagnol ganha contornos ainda mais pessoais e políticos ao recordar o episódio envolvendo a campanha eleitoral de Deltan Dallagnol. O senador eleito relatou que Dallagnol foi impedido de fazer campanha 15 dias antes das eleições por uma decisão monocrática de um ministro do STF, indicado pelo Presidente Lula e aliado de Alexandre de Moraes. Filipe Barros descreveu o ato como uma “censura” e, diante da situação, assumiu o compromisso público de levar a mensagem de Dallagnol por onde passasse durante suas próprias atividades eleitorais. Ele percorreu mais de 40 cidades nos 15 dias finais da campanha, divulgando tanto sua plataforma quanto a de seu colega de chapa.
Para Barros, o incidente com Dallagnol é um exemplo claro de como as decisões tomadas em Brasília reverberam diretamente nos estados e na vida dos cidadãos. “A gente não pode achar que essas arbitrariedades ficam restritas àquilo que acontece em Brasília. Isso afeta todos nós, afeta a população, afeta o povo do Paraná e o povo do Brasil”, declarou, reforçando a necessidade de uma atuação parlamentar que proteja os estados de intervenções consideradas arbitrárias. Essa narrativa de defesa contra “arbitrariedades” de Brasília foi um motor importante na mobilização de sua base eleitoral.
Estratégias de Campanha e Alianças Políticas
A campanha eleitoral de 2026 no Paraná, segundo Filipe Barros, foi marcada por uma articulação entre diferentes grupos políticos para tentar enfraquecer as candidaturas de direita. Ele afirmou que “a esquerda junto com o centrão estavam unidos para tentar enfraquecer as candidaturas da direita, dando, portanto, uma das vagas à candidata do PT aqui no estado do Paraná”. Contudo, Barros atribuiu o sucesso eleitoral da direita à intensa mobilização nos 45 dias de campanha, que gerou um “nível de conscientização da população muito grande”. A estratégia, segundo ele, buscou concentrar votos nas candidaturas apoiadas por Flávio Bolsonaro, evitando a pulverização de votos entre os candidatos de direita.
O senador eleito também detalhou a estratégia para o segundo turno, mencionando a intenção de replicar no Paraná táticas utilizadas em 2022. “Estarmos fisicamente fazendo eventos, promovendo carreatas nessas 49 cidades na tentativa, então, de virar voto”, explicou. Ele citou uma viagem de 15 dias com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) por capitais do Norte e Nordeste, que, segundo Barros, foi “muito efetivo” para diminuir a diferença de votos entre Flávio Bolsonaro e Lula, demonstrando a importância da presença física e da articulação nacional.
Sobre o apoio de Michel Temer a Flávio Bolsonaro (PL), Filipe Barros relacionou a decisão à proximidade do ex-presidente com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). “O apoio do presidente Temer, isso se deve muito ao fator Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo. O Ricardo Nunes e o Temer possuem uma amizade, uma relação muito próxima um ao outro. Certamente devem ter conversado sobre a importância de nós derrotarmos o PT”, analisou Barros, revelando as complexas teias de alianças que se formam nos bastidores da política nacional.
A Importância dos Suplentes e Novidades no Cenário Partidário
Filipe Barros fez questão de ressaltar a importância da chapa no sistema eleitoral para o Senado, lembrando que o eleitor vota não apenas no senador, mas também em seus dois suplentes. “É importante a população saiba que quando vota no senador, está votando numa chapa. O senador, com seus dois suplentes”, explicou, destacando a relevância desses coadjuvantes que podem assumir o mandato em caso de vacância.
Ao abordar a situação de Sérgio Moro, Barros mencionou o primeiro suplente do senador eleito em 2022, Luiz Felipe Cunha (União Brasil), descrevendo-o como alguém de “confiança extrema do governador Sérgio Moro” e coordenador de sua campanha ao governo do estado. Barros ainda antecipou que o cenário partidário de Cunha deve mudar em breve. “Está na União Brasil porque o Moro também estava na União Brasil antes de se filiar ao PL e não ficará muito tempo mais. Essa semana nós teremos grandes novidades sobre isso. É o que eu posso te antecipar”, concluiu, deixando no ar a expectativa de movimentações políticas significativas nos próximos dias, que podem redesenhar alianças e forças no Congresso.