Crise no El Campín: Millonarios Perde Milhões e Clubes Bogotanos Exigem Reestruturação Financeira Urgente

O Millonarios FC enfrenta uma grave crise financeira e logística após o adiamento, pela segunda vez, de sua partida contra o Once Caldas, que estava marcada para hoje, 14 de outubro de 2026, no Estádio El Campín, em Bogotá. A decisão da Dimayor, tomada a menos de meia hora do início do jogo, foi motivada pelas péssimas condições do gramado, resultando em perdas milionárias para o clube azul e reacendendo um intenso debate econômico sobre os custos operacionais e a gestão do principal palco do futebol colombiano.
A suspensão do confronto, que já havia sido postergado anteriormente devido a um concerto do grupo BTS, representa um golpe financeiro imediato para o Millonarios. Embora o clube não tenha divulgado uma cifra oficial, os custos já incorridos com aluguel do estádio, mobilização de equipes de segurança e logística, além da perda de receita de bilheteria e concessões alimentares, somam milhões de pesos. Este cenário expõe a fragilidade de um modelo de negócios que onera excessivamente os clubes, transformando cada partida cancelada em um prejuízo substancial e inesperado.
O cerne da disputa reside no esquema de cobrança imposto pela Sencia, a entidade gestora de El Campín. Os clubes bogotanos, Millonarios FC e Independiente Santa Fe, há meses denunciam o que consideram “o aluguel mais caro da América do Sul”. A tarifa base para um jogo pode variar entre 30 milhões e 200 milhões de pesos, dependendo de diversos fatores. Além disso, são cobrados 1,16 milhão por hora de iluminação e entre 3,9 e 11,7 milhões pela cessão de pontos de comida. O mais impactante, contudo, é a exigência de 12,48% da arrecadação da bilheteria, com um mínimo irrenunciável de 9,28 milhões por jogo. Em partidas de alta demanda, o gasto total pode facilmente ultrapassar os 200 milhões de pesos.
Um estudo da Bolavip estimou que o Millonarios FC desembolsa, em média, cerca de 214,5 milhões de pesos por partida disputada em El Campín. Essa projeção, baseada em uma arrecadação anual de abonos e ingressos próxima a 43.236 milhões, ilustra a desproporção dos custos, que chegam a ser quase vinte vezes o valor base do aluguel. Para o Independiente Santa Fe, a situação é ainda mais crítica. Seu presidente, Eduardo Méndez, revelou que a operação como mandante pode implicar um desembolso variável entre 370 e 500 milhões de pesos por encontro. A isso se soma a entrega obrigatória de 663 ingressos de cortesia à administração do estádio, avaliados em aproximadamente 112 milhões de pesos, elevando os custos totais para mais de 600 milhões em jogos de grande porte.
A recorrência dos problemas com o gramado de El Campín é um fator agravante. Em fevereiro deste ano, a Dimayor já havia proibido a realização de três partidas no estádio devido às condições precárias do campo. A promessa da Sencia de que a nova grama estaria pronta para o confronto contra o Once Caldas se mostrou infundada, gerando frustração e questionamentos sobre a eficácia da gestão e manutenção. Denúncias como a de Leandro Castellanos sobre o estado do gramado de La Florida, que adicionam pressão à Sencia, reforçam a percepção de um problema sistêmico na infraestrutura esportiva.
A insatisfação dos dirigentes, como Gustavo Serpa do Millonarios e Eduardo Méndez do Santa Fe, é palpável e justificada. Ambos os clubes, que compartilham o mesmo contrato com a Sencia, clamam por uma renegociação urgente dos termos. A entrega de centenas de ingressos de cortesia por partida, somada aos altos percentuais da bilheteria e aos custos fixos exorbitantes, sufoca as finanças dos clubes e compromete sua capacidade de investimento e competitividade. A fala de Vélez, que “explodiu contra a Liga colombiana”, ecoa o sentimento de muitos sobre os episódios recentes que se acumulam por trás de cada reclamação.
Para o Millonarios, o cenário é ainda mais complexo. Além das perdas financeiras diretas, o clube precisa lidar com desafios dentro de campo. O técnico Gamero busca alternativas para a ausência de volantes, e o capitão não é titular na Liga desde 3 de maio. A expulsão de Chaverra contra o Fortaleza pode afastá-lo por mais tempo do que o esperado, e o clube já identificou três posições a reforçar, com sete jogadores, incluindo Souza, terminando contrato em dezembro. Embora o volante brasileiro tenha afirmado que o time “tem tudo” para brigar por títulos continentais, o desempenho recente, com apenas 2 vitórias e 5 empates nos últimos sete jogos da Liga, e sete empates em 14 partidas, mostra uma equipe em busca de consistência.
A bola agora está com a Dimayor, que deve reubicar o jogo no calendário, e com a Sencia, que precisa esclarecer o esquema de compensação ou o reparto das perdas logísticas. Se as partes chegarem a um acordo para assumir os custos operacionais não executados, o impacto financeiro para os clubes será menor. Caso contrário, o cancelamento agravará ainda mais a já tensa disputa econômica em torno da gestão de El Campín, ameaçando a sustentabilidade dos clubes e a integridade da competição.
A situação atual não é apenas um contratempo isolado; é um sintoma de problemas estruturais profundos no futebol colombiano, onde a infraestrutura e os modelos de gestão de estádios parecem não acompanhar as demandas e os custos operacionais dos clubes. A necessidade de uma renegociação transparente e justa dos contratos de aluguel é imperativa para garantir a saúde financeira das equipes e a continuidade do espetáculo esportivo para os torcedores.