Oscar Magrini Conquista Nova Indenização de R$ 50 Mil Contra Prefeitura de São Vicente por Uso Indevido de Imagem em IPTU, Acumulando Dívida de Mais de Uma Década

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Em um desdobramento significativo de uma batalha judicial que se arrasta por mais de uma década, o renomado ator Oscar Magrini obteve uma nova vitória contra a Prefeitura de São Vicente, no litoral paulista. A Justiça fixou, na última quinta-feira, 8 de outubro de 2026, uma indenização de R$ 50 mil por danos materiais devido ao uso não autorizado de sua imagem em carnês de IPTU de 2015, conforme decisão obtida e divulgada nesta terça-feira, 13 de outubro de 2026. Este novo capítulo na saga judicial do ator evidencia a persistência em defender seus direitos de personalidade contra a administração pública, que agora enfrenta um montante de dívidas corrigidas que ultrapassa os R$ 200 mil.

A Origem da Controvérsia: Um Carnê de IPTU e um Ator em Papel Histórico

A gênese do litígio remonta a 2014, quando Oscar Magrini foi contratado para encarnar a figura histórica de Martim Afonso na célebre Encenação da Fundação da Vila de São Vicente. Este espetáculo, reconhecido pelo Guinness World Records como o maior teatro de praia do mundo, gerou uma série de imagens do ator em seu papel. Contudo, a assessoria de Magrini esclareceu à época que o licenciamento dessas fotografias era estritamente para fins de divulgação da peça. A surpresa e a indignação vieram em 2015, quando moradores de São Vicente, conhecidos do ator, o alertaram sobre a presença de sua imagem na capa dos carnês do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) daquele ano. A utilização, sem qualquer autorização ou remuneração, de uma foto de Magrini em um documento de tamanha circulação e permanência nos lares vicentinos, configurou uma clara violação de seus direitos de imagem. Diante da constatação do uso indevido e após tentativas frustradas de um acordo amigável com a prefeitura, Oscar Magrini ingressou com a ação judicial. A repercussão inicial do caso, inclusive com piadas nas redes sociais que associavam o porte físico do ator ao valor do IPTU da cidade, apenas sublinhou a exposição indevida e a dimensão do alcance da imagem utilizada sem consentimento.

A Longa Jornada Judicial e as Vitórias Parciais

O processo judicial tem sido uma maratona. Em 2020, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) já havia proferido uma decisão favorável ao ator, determinando que o município pagasse R$ 32,8 mil por danos morais. Essa primeira vitória reconheceu o prejuízo à honra e à imagem do artista. Agora, na última quinta-feira, a Vara da Fazenda Pública de São Vicente avançou na questão dos danos materiais. O magistrado Leonardo de Mello Gonçalves fixou em R$ 50 mil o valor da indenização, com correção monetária pelo IPCA-E e juros de mora, baseando-se nos documentos apresentados por Magrini que demonstravam o valor que ele habitualmente recebia pelo uso comercial de sua imagem. Um ponto crucial para a fixação desse valor foi a falha da própria prefeitura. Embora tenha contestado a quantia apresentada pelo ator, o município não efetuou o pagamento dos honorários periciais necessários para a produção de uma contraprova. Essa omissão resultou na perda do direito de apresentar evidências que pudessem influenciar o cálculo da indenização, fortalecendo a posição de Magrini. O juiz Gonçalves ressaltou a gravidade da “publicação impressa enviada indiscriminadamente a milhares de contribuintes vicentinos, guardada nos lares por longos anos como comprovante de propriedade e quitação fiscal, gerando exposição continuada da figura do autor sem a devida remuneração”.

A Frustração com a Burocracia e o Sistema de Precatórios

Apesar das vitórias judiciais, a efetivação do pagamento permanece um desafio. Em um desabafo nas redes sociais, Oscar Magrini expressou sua frustração: “Já é a segunda causa ganha contra a Prefeitura de São Vicente que até agora, 11 anos depois, não pagou nem a primeira causa 😡😡😡😡. Prefeituras só pagam em precatórios e sabe-se lá quando vão pagar… A dívida só aumenta”. A menção a “precatórios” é central para entender a morosidade. Precatórios são ordens de pagamento emitidas pelo Poder Judiciário para cobrar de entidades públicas (como prefeituras, estados e União) valores devidos em decisões judiciais definitivas. O sistema de precatórios é conhecido por sua lentidão, com pagamentos que podem levar anos ou até décadas para serem efetivados, dependendo da ordem cronológica e da capacidade orçamentária do ente público. Essa realidade burocrática é um dos principais fatores que estendem a duração de casos como o de Magrini. O advogado do ator, Sylvio Guerra, corrobora essa visão, explicando que as prefeituras têm prazos em dobro para se manifestar nos processos, o que naturalmente prolonga a duração das causas. Ele também aponta o aumento do volume de ações para análise no Judiciário como um fator que impacta a demora, que já chega a 11 anos neste caso específico. Segundo os cálculos da defesa, considerando a correção monetária pelo IPCA-E e os juros de mora, a indenização por danos morais já ultrapassou os R$ 50 mil, enquanto os danos materiais estão estimados em R$ 167 mil, elevando o total devido a mais de R$ 200 mil.

A Defesa dos Direitos da Personalidade e o Recado à Administração Pública

A defesa de Oscar Magrini enfatiza a importância do caso como um precedente para a proteção dos direitos da personalidade. Sylvio Guerra reitera que “a imagem, o nome e a reputação de qualquer cidadão — público ou privado — são bens jurídicos protegidos pela nossa Constituição. Usá-los sem autorização para fins comerciais ou informativos distorcidos é uma violação grave aos direitos da personalidade”. Este caso serve como um alerta contundente para as administrações públicas sobre a necessidade de rigor e respeito aos direitos individuais. A utilização de imagens de figuras públicas, ou de qualquer cidadão, sem a devida autorização e compensação, não apenas gera litígios custosos, mas também mina a confiança na gestão pública. A Prefeitura de São Vicente, que até a última atualização desta reportagem estava apurando o caso, enfrenta agora não apenas uma dívida financeira crescente, mas também o escrutínio público sobre sua conduta e a eficiência de seus processos administrativos e jurídicos. A saga de Oscar Magrini contra a burocracia e o uso indevido de sua imagem é um lembrete vívido da complexidade e da morosidade da justiça brasileira, especialmente quando o réu é o próprio Estado.

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