Chapa Sob Fogo Cruzado: Flávio Bolsonaro e Vice Enfrentam Múltiplas Investigações na Reta Final do Primeiro Turno

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Às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, a chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL) e seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), encontra-se sob intensa pressão judicial e midiática. Flávio Bolsonaro é alvo de uma investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), conduzida pela Polícia Federal (PF), por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas ligadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Paralelamente, Alfredo Gaspar enfrenta uma grave acusação de estupro de vulnerável, que levou a PF a solicitar autorização ao STF para formalizar um inquérito. As revelações, que se intensificaram ao longo de 2026, pintam um cenário complexo de conexões empresariais e políticas sob escrutínio da Justiça, impactando diretamente a corrida eleitoral.

A Trama Financeira de “Dark Horse” e as Conexões com Daniel Vorcaro

A investigação mais proeminente contra Flávio Bolsonaro diz respeito ao financiamento do filme “Dark Horse”. Em julho de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a abertura de um inquérito a pedido da PF, com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Documentos tornados públicos em setembro de 2026 revelaram que o senador negociou um aporte de US$ 24 milhões com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, supostamente para a produção da obra cinematográfica.

As primeiras informações sobre o envolvimento de Flávio surgiram em maio de 2026, quando o Intercept Brasil divulgou documentos e mensagens indicando sua participação direta na busca pelos US$ 24 milhões. Naquele momento, pelo menos US$ 10,6 milhões, equivalentes a cerca de R$ 61 milhões, já haviam sido transferidos em seis operações para uma estrutura financeira nos Estados Unidos utilizada pela produção. As mensagens mostravam uma relação de proximidade entre Bolsonaro e Vorcaro, que se tratavam como ‘irmãos’.

Inicialmente, Flávio Bolsonaro classificou a informação como mentira, mas após a divulgação de áudios e mensagens, reconheceu ter procurado Vorcaro, sustentando que se tratava de “patrocínio privado para um filme privado” e negando ter recebido comissão ou oferecido qualquer contrapartida ao banqueiro. Contudo, a PF, ao descrever o senador nos documentos que vieram a público em setembro, o apontou como “interlocutor direto” de Vorcaro nas negociações, participando ativamente de cobranças de repasses, agendamento de encontros e acompanhamento da produção.

A interlocução entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro persistiu mesmo quando a situação do Banco Master se agravou. O senador manteve cobranças e contatos com o banqueiro após o Banco Central rejeitar a compra do Master pelo BRB e depois que investigações sobre a instituição financeira se tornaram públicas. A troca de mensagens continuou até pouco antes da prisão de Vorcaro.

Outras revelações ampliaram o mapa dessas relações. Em janeiro de 2025, Flávio retornou dos Estados Unidos a Brasília em um jato cuja estrutura societária incluía uma empresa da qual Vorcaro era sócio. Na mesma viagem estava o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo de Flávio e proprietário de um terço da aeronave. Tomaz afirmou não conhecer Vorcaro e desconhecer a participação do banqueiro na estrutura societária do avião no momento do voo.

Durante a campanha, Flávio Bolsonaro também utilizou um apartamento de Tomaz que havia pertencido a Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Documentos citados em reportagens indicam que Tomaz adquiriu o imóvel por um valor R$ 2 milhões inferior ao mencionado na transação anterior. Em agosto de 2026, um levantamento mostrou três notas fiscais que totalizavam R$ 1,5 milhão, emitidas pelo escritório ligado a Flávio para empresas associadas ao entorno empresarial de Vorcaro. Duas notas de R$ 500 mil destinadas à Copenhagen Consultoria foram canceladas no mesmo dia, enquanto uma terceira, também de R$ 500 mil, emitida para a Contábil Correa, não tinha registro de cancelamento. A Copenhagen, por sua vez, havia movimentado R$ 58 milhões provenientes do Banco Master, segundo documentos encaminhados à PGR. Flávio afirmou que as relações comerciais de seu escritório eram privadas e legais, negando ter prestado serviços à empresa.

Conexões com o Escândalo do INSS e Emendas Suspeitas

As relações empresariais de Flávio Bolsonaro já haviam atraído atenção no início de 2026. Em fevereiro, um requerimento apresentado à CPMI do INSS solicitou a convocação do senador para explicar vínculos de seu entorno com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como figura central em fraudes contra aposentados e pensionistas. Um dos elos identificados era Alexandre Caetano dos Reis, que a PF indicou como sócio de Antunes em uma empresa nas Ilhas Virgens Britânicas e que também era responsável pela contabilidade do escritório de advocacia de Flávio. Sua irmã, Letícia Caetano dos Reis, administrava a empresa do senador.

Em setembro de 2026, uma reportagem do ICL Notícias revelou que a Bravo Grafeno, empresa da qual Flávio participava, estava registrada na mesma sala, em Brasília, de pelo menos 16 empresas ligadas ao “Careca do INSS”. A estrutura contábil responsável pelo endereço também prestava serviços ao senador. Flávio Bolsonaro negou qualquer envolvimento com o esquema do INSS.

Outra frente de investigação surgiu em setembro de 2026, com a revelação de mensagens obtidas pela PF no celular de Robson Calixto, o “Peixe”, condenado no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco. As mensagens mostram uma assessora de Flávio tratando com Calixto sobre a liberação de uma emenda parlamentar. A verba de cerca de R$ 200 mil foi destinada ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, entidade ligada aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão. Os registros indicam Calixto cobrando a liberação do dinheiro e a assessora sugerindo que ele procurasse Flávio pessoalmente para reforçar o pedido. Posteriormente, R$ 199 mil foram pagos ao instituto.

Nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, um levantamento do UOL apontou que outras emendas indicadas por Flávio Bolsonaro terminaram em contratos com empresas e entidades sob investigação ou questionamento de órgãos públicos. Em Mesquita (RJ), R$ 666 mil de uma emenda destinada à saúde foram pagos ao Instituto de Medicina e Projeto (IMP), posteriormente classificado pela Receita Federal como “inexistente de fato”. O IMP também foi alvo de apuração do Tribunal de Contas do Estado do Rio e teve seus contratos rescindidos pela prefeitura.

Recursos indicados pelo senador também foram utilizados pelo governo do Rio de Janeiro para pagar a Glágio do Brasil e a Inbra-Tecnologia, empresas investigadas pela PF por suspeitas de fraude e combinação de resultados em licitações para equipamentos de proteção balística. Um projeto esportivo ligado ao Vasco, que recebeu uma emenda de R$ 4 milhões, também entrou na mira da Controladoria-Geral da União. Flávio Bolsonaro afirmou que seu gabinete indica as emendas, mas não escolhe as empresas posteriormente contratadas pelos órgãos e entidades beneficiados, e que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos competentes.

O Vice Alfredo Gaspar e a Acusação de Estupro de Vulnerável

A situação do candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar, é igualmente delicada. Ele é alvo de uma acusação de estupro de vulnerável. A Polícia Federal realizou diligências preliminares e solicitou autorização ao STF para instaurar formalmente um inquérito. Até a última atualização pública do procedimento, o ministro Gilmar Mendes aguardava a conclusão dessas diligências e uma manifestação da PGR antes de decidir sobre a abertura da investigação.

Gaspar nega veementemente a acusação, afirmando ser alvo de perseguição política, e entregou material genético para exame de DNA. O homem que levou o caso a parlamentares, por sua vez, apresentou versões contraditórias sobre o episódio, adicionando mais uma camada de complexidade ao caso que paira sobre a chapa presidencial.

Com o primeiro turno se aproximando, a chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar enfrenta um turbilhão de acusações e investigações que podem ter um impacto significativo na percepção do eleitorado e no desfecho da eleição de 2026. A Justiça segue seu curso, enquanto a política se desenrola em meio a um cenário de incertezas e escrutínio público.

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