Coligação de João Campos Acusa PMPE de Descumprir Liminar e Intimidar Eleitores em Pernambuco no Dia da Votação

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Neste domingo, 4 de outubro de 2026, a Frente Popular de Pernambuco, coligação que apoia a candidatura de João Campos (PSB) ao Governo do Estado, protocolou uma grave denúncia junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE). A ação acusa a Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) de supostamente utilizar o policiamento ostensivo para atrapalhar o processo eleitoral e intimidar eleitores, além de descumprir uma decisão liminar anterior que proibia tais práticas. As alegações apontam para abordagens seletivas, instalação de blitzes em corredores estratégicos de votação no Recife e uma atuação policial que a coligação classifica como intimidatória, tudo sob a égide de uma operação policial denominada “Saturação Eleições 2026”. A representação judicial, apresentada no dia da votação, detalha uma série de incidentes que, segundo o jurídico da Frente Popular, configuram uma tentativa de interferência no livre exercício do voto. A coligação de João Campos afirma que eleitores e militantes foram alvo de abordagens seletivas baseadas em símbolos políticos lícitos e até mesmo nas cores de suas vestimentas. Há relatos de pessoas com roupas amarelas – cor associada à campanha – que teriam sido forçadas a retirar suas vestes. Outros cidadãos teriam sido submetidos a procedimentos de contenção e abordagem criminal, como colocar as mãos na cabeça e encostar na parede, sem que houvesse qualquer justificativa concreta ou flagrante delito que amparasse tais ações. A denúncia não se limita a relatos verbais; ela foi anexada com registros fotográficos que, segundo a coligação, comprovam as irregularidades. Além das abordagens pessoais, a Frente Popular de Pernambuco apontou a instalação de blitzes em pontos cruciais para a circulação de eleitores. Um exemplo citado é a Avenida Vereador Otacílio de Azevedo, nas proximidades do Terminal de Ônibus do Brejo, no Recife. Este local, considerado estratégico para o deslocamento de votantes, teria sido palco de pontos de fiscalização e retenção viária, impactando diretamente o fluxo de pessoas em direção às urnas. A atuação policial descrita na petição é caracterizada como ostensiva e intimidatória. A coligação relata a presença de um elevado volume de viaturas, agentes fortemente armados, armamento pesado e a mobilização de tropas especializadas, como o CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais), no entorno e nos acessos aos locais de votação. Essa demonstração de força, sem uma ameaça de segurança clara, teria o objetivo de intimidar os eleitores. A denúncia também menciona intervenções e fiscalizações sobre materiais de campanha, como bandeiras e adesivos de eleitores, sem que houvesse, novamente, flagrante delito ou risco concreto que justificasse tais ações. O cerne da contestação jurídica reside no planejamento operacional da Polícia Militar de Pernambuco, intitulado “Operação Saturação Eleições 2026”. Conforme o documento protocolado no TRE-PE, esta operação previa o emprego massivo e concentrado de efetivo policial, viaturas e unidades especializadas em áreas e corredores de votação da capital pernambucana. A coligação de João Campos argumenta que a própria existência e execução desta operação, nos moldes em que foi observada, já representava um problema. A gravidade da situação é acentuada pelo fato de que o Tribunal Regional Eleitoral já havia se manifestado sobre o assunto. A Frente Popular relata que o TRE-PE havia concedido uma decisão liminar determinando a suspensão da “Operação Saturação” e proibindo bloqueios ou revistas generalizadas sem uma justificativa concreta de segurança. No entanto, a nova petição de reconsideração, apresentada neste domingo, acusa o Estado de Pernambuco de descumprir abertamente a ordem judicial. Segundo a coligação, a operação teria continuado a ser executada na prática, disfarçada sob a aparência de policiamento ordinário, no dia crucial da votação. Diante do que considera um flagrante desrespeito à decisão judicial e uma ameaça à lisura do pleito, a ação protocolada pela coligação de João Campos solicita medidas enérgicas e imediatas. O pedido principal é a paralisação imediata de toda e qualquer atuação que reproduza materialmente a “Operação Saturação Eleições 2026”, exigindo a desmobilização dos efetivos, equipes e viaturas envolvidos. Além disso, a petição requer a intimação pessoal e imediata do comandante-geral da Polícia Militar de Pernambuco, para que ele seja compelido a fazer cessar as atividades denunciadas. A urgência dos pedidos reflete a preocupação com a continuidade das supostas irregularidades durante o período de votação. A reportagem buscou contato com a Polícia Militar de Pernambuco e a Secretaria de Defesa Social (SDS) por e-mail para obter um posicionamento oficial sobre as acusações. No entanto, até o fechamento desta matéria, não houve retorno das instituições. O espaço permanece aberto para que as autoridades se manifestem sobre as graves denúncias apresentadas pela coligação da Frente Popular de Pernambuco. A situação levanta sérias questões sobre a imparcialidade das forças de segurança em um processo eleitoral e o respeito às decisões do poder judiciário, elementos fundamentais para a garantia da democracia e da confiança pública no sistema eleitoral. A denúncia da coligação de João Campos, protocolada em pleno dia de eleição, adiciona uma camada de tensão ao cenário político de Pernambuco. As acusações de uso indevido da força policial para influenciar o pleito, somadas ao suposto descumprimento de uma liminar judicial, exigem uma apuração rigorosa e transparente. A integridade do processo eleitoral depende da garantia de que todos os eleitores possam exercer seu direito ao voto sem intimidação ou interferência, e que as instituições do Estado ajam dentro dos limites da lei e das ordens judiciais. O desfecho desta representação no TRE-PE será crucial para a percepção da lisura das eleições de 2026 no estado.

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