Áudios Revelam Zettel Contando com “Melhor Amigo” Moraes em Meio à Crise do Banco Master

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Em uma revelação explosiva que abala o cenário político e financeiro nacional, Fabiano Zettel, cunhado e homem de confiança do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em áudio que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), seria o “melhor amigo” de Vorcaro e que ele próprio estaria “contando com ele” para navegar a grave crise da instituição financeira. A gravação, ocorrida em 2 de setembro de 2025, foi tornada pública nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, pela revista Piauí, expondo um diálogo íntimo de Zettel com uma mulher identificada como Marina, em meio a tensões judiciais e financeiras que culminariam na liquidação do Banco Master e na prisão de Vorcaro.

O teor da conversa, obtido através de uma série de áudios e mensagens de WhatsApp que cobrem o período de um relacionamento entre Zettel e Marina de 2023 até março de 2026, quando Zettel foi detido, é de uma franqueza surpreendente. No diálogo, Zettel se refere ao ministro Moraes de forma informal como “Xandão”, declarando: “Xandão, melhor amigo, Daniel. Tô contando com ele”. Ele complementa, detalhando a proximidade: “Melhor amigo, janta junto, sai junto”. Esta afirmação surge em um momento crucial, quando Zettel e Marina discutiam o julgamento, no STF, do núcleo central da tentativa de golpe de Estado – uma ação penal relatada pelo próprio ministro Moraes, cuja análise pela Primeira Turma havia sido iniciada naquele mesmo dia. Simultaneamente, Zettel acompanhava com grande apreensão a iminente decisão do Banco Central sobre a proposta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), que seria rejeitada no dia seguinte, selando o destino da instituição.

A complexidade da situação de Zettel é descrita pela reportagem da Piauí, que o posiciona como uma figura central na operacionalização das finanças de Vorcaro. Ele era o responsável por executar transferências, organizar assinaturas de contratos e gerenciar cobranças, embora a autorização final para os pagamentos sempre partisse do fundador do Master. Essa função o colocava no epicentro das operações financeiras de Vorcaro, conferindo-lhe um conhecimento profundo sobre os bastidores do banco e as estratégias de seu cunhado.

A tensão pré-liquidação do Banco Master é palpável nos áudios. Em outra conversa daquele período, Zettel expressa sua ansiedade, afirmando: “Vou tomar remédio, vou dormir, porque amanhã a sorte tá lançada”, evidenciando o peso da decisão do Banco Central que se aproximava. A rejeição da venda ao BRB foi o prelúdio para o desfecho trágico da instituição.

O Colapso do Banco Master e a Situação Financeira de Vorcaro

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025, citando uma “grave crise de liquidez”, um “comprometimento significativo da situação econômico-financeira” e “graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional”. Com a intervenção, os bens dos controladores e ex-administradores foram declarados indisponíveis, marcando o início de uma complexa investigação sobre o patrimônio de Vorcaro.

As autoridades, até o momento, conseguiram localizar aproximadamente R$ 2 bilhões em imóveis e outros bens vinculados ao fundador do Master. A extensão dos problemas financeiros de Vorcaro se estende internacionalmente: em agosto de 2026, a Suprema Corte das Ilhas Cayman determinou a liquidação da Titan Capital, uma holding controlada por ele. Contudo, a empresa foi encontrada sem ativos disponíveis e com dívidas que superavam a marca de R$ 1 bilhão, revelando a profundidade do colapso financeiro.

Os diálogos de Zettel também lançam luz sobre a situação financeira de Vorcaro após a liquidação do banco e sua prisão. Em uma conversa de 2 de dezembro de 2025, Zettel relata que o fundador do Master estava “completamente sem dinheiro”, incapaz de acessar recursos mantidos no exterior. “Ele guardou R$ 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar. Porque se pegar, é preso de novo. Então, não adianta nada juntar dinheiro fora. Se ferra do mesmo jeito. Não sei até onde o Daniel tem essa consciência. Eu acho que ele é meio inconsequente”, desabafou Zettel, revelando uma crítica contundente à postura de seu cunhado.

As Preocupações e Estratégias de Fabiano Zettel

A própria conduta de Zettel, conforme revelado nos áudios, demonstra uma preocupação premente com sua segurança financeira e legal. Em meados de outubro de 2025, antes da liquidação do Master, ele viajou ao exterior para “esconder um dinheiro”, temendo que seus próprios bens fossem bloqueados. “Eu fui lá, escondi um dinheiro, porque se der tudo errado e der uma merda danada e tudo meu for bloqueado, eu tenho que ter um dinheiro pra poder continuar vivendo e mantendo as coisas”, confessou a Marina, explicando que só pôde revelar o motivo da viagem após retornar ao Brasil, por questões de segurança.

Após a liquidação do banco e a prisão de Vorcaro, a apreensão de Zettel com o avanço das diligências e a apreensão de aparelhos eletrônicos se intensificou. Ele relatou que “Pegaram os telefones, iPad de todo mundo já. O meu ainda não”, e, em uma medida de precaução extrema, deixou de carregar o telefone usado para falar com Marina, guardando-o em um compartimento no carro, por medo de que contivesse algo comprometedor. “Agora a polícia tá lá dentro, não tem mais banco, banco não existe, foi liquidado. Agora é esperar para ver”, resumiu Zettel, o cenário de caos e incerteza.

A prisão de Daniel Vorcaro, que pretendia embarcar para Dubai, foi um choque para Zettel. Ele contou que tomou Rivotril para dormir e não percebeu as tentativas desesperadas dos advogados de contatá-lo durante a madrugada. “Os advogados bateram na minha casa 1 hora da manhã, minha filha. Esmurraram, tocaram o interfone, ligaram na portaria, ligaram no meu celular. Eu não vi nada, eu acordei 6 horas da manhã”, relatou. Ao despertar, deparou-se com dezenas de chamadas perdidas, descobrindo a prisão do cunhado. Uma mala com itens pessoais foi preparada para Vorcaro, mas Zettel, orientado por seu advogado a “se preservar”, optou por não visitá-lo.

Críticas Internas e a Exposição Crescente

Os áudios também revelam um lado crítico de Zettel em relação a Vorcaro. Questionado por Marina sobre a inteligência do cunhado, Zettel respondeu que Vorcaro era inteligente “para umas coisas” e “burro” para outras, acrescentando: “Por ele ser inteligente, ele conseguiu fazer o dinheiro todo. Por ele ser burro emocionalmente, ele transformou a vida dele nesse circo”. Ele até ironizou o fato de Vorcaro ter passado a usar roupas com a marca do Banco Master em meio à crise, sendo alvo de piadas entre os funcionários.

Com o desenrolar das investigações, a preocupação de Zettel com sua própria exposição se tornou cada vez mais evidente. Ele expressou a necessidade de se afastar dos negócios associados a Vorcaro e de proteger suas próprias empresas do avanço das diligências. A complexa teia de relações e operações financeiras, agora sob o escrutínio das autoridades, coloca Zettel em uma posição delicada, onde a busca por autopreservação se torna primordial.

Procuradas pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, as defesas de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel não se manifestaram sobre as revelações até o fechamento desta reportagem. As informações divulgadas pela revista Piauí adicionam uma camada de gravidade às investigações em curso, sugerindo uma rede de influências e manobras financeiras que ainda estão longe de serem totalmente desvendadas, com implicações que podem reverberar nos mais altos escalões do poder judiciário e financeiro brasileiro.

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