Última Pesquisa Datafolha Antes do Primeiro Turno Medirá o Pulso de uma Eleição Turbulenta

O cenário político brasileiro se prepara para a divulgação da última pesquisa Datafolha de intenção de votos para a Presidência da República, agendada para este sábado, 3 de outubro de 2026. A apenas um dia do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, o levantamento promete ser um termômetro crucial para compreender o impacto de uma corrida eleitoral intensamente marcada por escândalos e movimentações governamentais estratégicas. A expectativa é alta para saber como o eleitorado reagiu aos recentes desdobramentos que dominaram o noticiário nacional.
A campanha presidencial de 2026 tem sido singularmente agitada, com o foco da mídia e da opinião pública desviado para uma série de investigações policiais de grande repercussão. O epicentro dessa turbulência tem sido a expansão do chamado “caso Master”, uma complexa trama que associou diversas figuras de alto escalão do poder público ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os nomes mencionados, destacam-se ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e membros proeminentes do Congresso Federal, indicando uma capilaridade preocupante da suposta rede de influência e corrupção. A gravidade das acusações e o envolvimento de aliados políticos foram prontamente capitalizados pelas diferentes campanhas, que utilizaram o escândalo como munição para atacar seus adversários, intensificando a polarização e a desconfiança no processo eleitoral.
Além dos escândalos, o Datafolha também buscará quantificar a eficácia de ações recentes do Governo Federal. Duas medidas em particular geraram grande debate: a proibição das apostas esportivas, popularmente conhecidas como “Bets”, e o aumento significativo do valor distribuído aos beneficiários do programa Bolsa Família. Ambas as iniciativas foram implementadas em um momento estratégico, levantando questionamentos sobre sua real intenção e seu potencial de influenciar a decisão dos eleitores. A pesquisa será fundamental para determinar se essas movimentações conseguiram angariar apoio ou se foram percebidas com ceticismo pela população.
Os detalhes técnicos do novo levantamento Datafolha revelam a abrangência e o rigor metodológico empregados. A pesquisa foi devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01708/2026, em 27 de setembro. Para a coleta de dados, serão entrevistados 4.006 eleitores em todo o território nacional, com as entrevistas programadas para ocorrer no próprio dia 3 de outubro, véspera da divulgação. O custo da pesquisa, contratada pela Rede Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, totalizou R$ 461.462,40, um investimento que sublinha a importância atribuída a este último panorama eleitoral antes do voto.
A pesquisa estimulada, que apresenta aos eleitores uma lista pré-definida de candidatos, incluirá uma ampla gama de opções partidárias, refletindo a diversidade do espectro político brasileiro. Os nomes que compõem a lista são: Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Escritor Augusto Cury (Avante), Flavio Bolsonaro (PL), Hertz Dias (PSTU), Leonardo Avalanche (PRTB), Lula (PT), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Veterinário Wilson Grassi (Democrata) e Romeu Zema (Novo). Além desses, as opções “Em branco/nulo/nenhum” e “Não sabe” também serão consideradas, capturando a parcela do eleitorado que ainda não se decidiu ou que expressa insatisfação com as opções disponíveis.
Em um cenário de polarização que se acentuou ao longo da campanha, o Datafolha também testará um possível segundo turno, focando no embate entre os dois principais contendores, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Essa simulação é crucial para entender a dinâmica de votos em um confronto direto, caso nenhum candidato obtenha a maioria absoluta no primeiro turno.
Além das intenções de voto, o levantamento aprofundará a compreensão do eleitorado por meio de perguntas abertas e contextuais. Uma das questões abordará o desempenho dos candidatos no debate que será transmitido pela TV Globo na quinta-feira, 1º de outubro, buscando captar a percepção pública sobre quem se destacou. Outras perguntas visam mapear a identidade política do eleitor, questionando se ele se considera “bolsonarista” ou “petista”, e também se ele ou alguém de sua casa é beneficiário do Bolsa Família, o que pode fornecer insights valiosos sobre a correlação entre o programa social e a preferência eleitoral.
Para contextualizar a iminente divulgação, é fundamental revisitar os resultados do levantamento Datafolha anterior, publicado na quinta-feira, 24 de setembro. Naquela ocasião, a pesquisa estimulada de primeiro turno apontou Lula com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 36%. Essa diferença de apenas quatro pontos percentuais configurava um empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A disputa, portanto, já se mostrava acirradíssima, com os dois líderes dentro da margem de erro.
Atrás dos dois principais candidatos, o escritor Augusto Cury apareceu com 5% das intenções de voto, seguido por Ronaldo Caiado, com 4%, e Renan Santos, que obteve 3%. Romeu Zema e Samara Martins pontuaram 1% cada, enquanto os demais candidatos listados registraram 0%. Os votos em branco, nulos ou em nenhum candidato somaram 5%, e a parcela de eleitores indecisos representava 2% do total, um grupo pequeno, mas potencialmente decisivo na reta final.
Na modalidade espontânea, onde os nomes dos concorrentes não são apresentados aos entrevistados, os resultados também indicaram a liderança de Lula, que contabilizou 36% das citações. Flávio Bolsonaro marcou 27%, evidenciando uma diferença maior neste cenário. Curiosamente, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que não é candidato neste pleito, foi citado por 4% dos entrevistados, um indicativo da persistência de sua influência política. Augusto Cury foi mencionado por 3%, Ronaldo Caiado por 2% e Renan Santos também por 2%. Romeu Zema registrou 0% de menções espontâneas. Outras respostas somaram 2%, enquanto brancos, nulos ou nenhum representaram 5%, e a taxa de indecisos foi significativamente maior, atingindo 18%, revelando uma parcela considerável de eleitores ainda sem um nome definido na ausência de estímulo.
O cenário de segundo turno simulado na pesquisa anterior também revelou uma disputa apertada. Lula registrou 47% das intenções de voto contra 45% de Flávio Bolsonaro. Os votos em branco, nulos ou nenhum somaram 7%, e os indecisos representaram 1%. É importante notar a consistência desses números: uma semana antes, o petista tinha 46% contra 44% do filho de Jair Bolsonaro, um resultado que se repetiu em três pesquisas Datafolha desde o dia 2 de setembro. Essa estabilidade nos números do segundo turno sugere uma consolidação das bases de apoio de ambos os candidatos, com pouca movimentação entre eles nas últimas semanas.
A metodologia da pesquisa Datafolha anterior, cujos resultados foram publicados em 24 de setembro, envolveu a entrevista de 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, realizadas entre os dias 22 e 23 de setembro de 2026. A margem de erro máxima prevista para este levantamento foi de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, sob um nível de confiança de 95%. Assim como a pesquisa atual, foi contratada pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-00304/2026.
A iminente divulgação da nova pesquisa Datafolha, portanto, não é apenas mais um número na série de levantamentos eleitorais. Ela representa a última fotografia do humor do eleitorado antes de se dirigir às urnas, um retrato que incorpora as tensões dos escândalos, a influência das políticas governamentais e o impacto dos debates. Com a eleição se aproximando rapidamente, cada ponto percentual ganha uma dimensão colossal, e a capacidade de mobilização e convencimento nos últimos dias será decisiva para definir os rumos do país.
O cenário de empate técnico no primeiro turno e a pequena vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno indicam que a disputa está longe de ser decidida. A pesquisa de 3 de outubro será o veredito final do Datafolha sobre a eficácia das últimas estratégias de campanha e a ressonância dos temas que dominaram o debate público. A nação aguarda com expectativa os números que podem sinalizar a necessidade de um segundo turno ou a possibilidade de uma vitória já na primeira rodada.