Corrida Pelo Governo do RJ Esquenta: Paes Lidera, Mas Douglas Ruas Reduz Vantagem em Pesquisa Quaest

Uma nova pesquisa de intenção de voto para o governo do Rio de Janeiro, divulgada nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, pela Quaest, revelou um cenário de acirramento na disputa pelo Palácio Guanabara. O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) mantém a liderança, mas viu sua vantagem diminuir frente a Douglas Ruas (PL), que registrou um crescimento notável, intensificando a corrida eleitoral fluminense a poucos dias do pleito. A pesquisa também destaca a persistente influência da situação jurídica de Anthony Garotinho (Republicanos), cuja candidatura foi indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), embora ainda passível de recurso, reconfigurando as projeções para o primeiro e um eventual segundo turno.
Eduardo Paes na Frente, Douglas Ruas em Ascensão
No levantamento mais recente da Quaest, Eduardo Paes (PSD) aparece com 34% das intenções de voto, uma leve queda em relação aos 36% registrados na pesquisa anterior, de 23 de setembro. Essa oscilação, embora dentro da margem de erro, sinaliza um possível estancamento no crescimento do candidato do PSD ou uma redistribuição de votos em um cenário cada vez mais dinâmico. Em contrapartida, Douglas Ruas (PL) demonstrou um avanço consistente, passando de 23% para 25% no mesmo período. Esse ganho de dois pontos percentuais é significativo e consolida Ruas como o principal desafiante de Paes, indicando uma polarização crescente na disputa.
A presença de Anthony Garotinho (Republicanos) no cenário principal da pesquisa, mesmo com o veto do TRE-RJ à sua candidatura, continua a ser um fator relevante. Garotinho registrou 9% das intenções de voto, um ponto percentual a mais que os 8% da pesquisa anterior. Sua base de apoio, mesmo diante da incerteza jurídica, demonstra resiliência, o que sublinha a complexidade do eleitorado fluminense e a dificuldade de prever o destino de seus votos caso a decisão do TRE-RJ seja mantida.
Os demais candidatos, William Siri (Psol), Juliete Pantoja (UP), Cyro Garcia (PSTU) e Coronel Busnello (Missão), mantiveram 1% das intenções de voto em ambos os levantamentos, indicando uma estabilidade em suas bases de apoio, mas sem sinais de crescimento expressivo. André Marinho (Novo) viu sua porcentagem cair de 1% para zero, enquanto Luan Monteiro (PCO) permaneceu com zero nas duas pesquisas. O percentual de eleitores indecisos diminuiu de 16% para 14%, sugerindo que parte do eleitorado está começando a definir seu voto. Contudo, os votos em branco, nulos e os que declararam não ir votar aumentaram de 12% para 14%, um dado que merece atenção, pois pode impactar o quórum e a legitimidade do resultado final.
Cenário Sem Garotinho: Reconfiguração da Disputa
A Quaest também simulou um cenário sem a presença de Anthony Garotinho, considerando o indeferimento de sua candidatura pelo TRE-RJ. Neste panorama, as intenções de voto se redistribuem, alterando as projeções para os principais candidatos. Eduardo Paes, sem Garotinho no páreo, viu sua porcentagem cair de 38% para 35%, uma redução de três pontos. Essa queda, embora ainda o mantenha na liderança, sugere que parte dos votos que migrariam para ele em um cenário sem Garotinho podem estar sendo absorvidos por outros candidatos ou se tornando indecisos.
Douglas Ruas, por sua vez, oscilou de 25% para 26% neste cenário, consolidando ainda mais sua posição como o principal beneficiário da ausência de Garotinho. Seu crescimento, mesmo que modesto, demonstra uma capacidade de atrair eleitores que buscam uma alternativa à liderança de Paes. William Siri (Psol) manteve 2% das intenções de voto, enquanto Cyro Garcia (PSTU) passou de 1% para 2%, indicando um leve fortalecimento de candidaturas de menor porte em um cenário menos fragmentado. Coronel Busnello (Missão), André Marinho (Novo), Juliete Pantoja (UP) e Luan Monteiro (PCO) registraram 1% em ambos os levantamentos neste cenário.
Os indecisos, neste contexto, passaram de 17% para 16%, enquanto os votos em branco, nulos e os que não vão votar aumentaram de 13% para 15%. A movimentação desses percentuais é crucial, pois representam um contingente de eleitores que podem ser decisivos na reta final da campanha. A ausência de Garotinho, portanto, não apenas redistribui votos, mas também parece aumentar a parcela de eleitores que ainda não se decidiram ou que optam por não participar do processo eleitoral.
Projeções de Segundo Turno: A Batalha Final
A pesquisa Quaest também explorou dois cenários de segundo turno, oferecendo um vislumbre das possíveis batalhas decisivas pelo governo do Rio de Janeiro. No confronto direto entre Eduardo Paes e Douglas Ruas, Paes aparece à frente com 43% das intenções de voto, contra 33% para Ruas. Embora Paes mantenha uma vantagem considerável, a diferença entre os dois candidatos diminuiu em relação à pesquisa anterior, quando Paes tinha 44% e Ruas 31%. Essa redução de um ponto percentual para Paes e o ganho de dois pontos para Ruas no segundo turno reforçam a tendência de estreitamento da disputa e a crescente competitividade do candidato do PL.
Nesse cenário de segundo turno, os votos em branco, nulos ou que não vão votar passaram de 14% para 15%, enquanto os indecisos oscilaram de 11% para 9%. A diminuição dos indecisos é um indicativo de que os eleitores estão se posicionando, mas o aumento dos votos nulos/brancos sugere uma parcela do eleitorado que pode estar insatisfeita com as opções apresentadas ou que não se sente representada por nenhum dos candidatos líderes.
Em um cenário hipotético de segundo turno entre Eduardo Paes e Anthony Garotinho, Paes bateria Garotinho com uma margem expressiva de 48% a 20%. Na pesquisa anterior, Paes tinha 49% e Garotinho 18%. A leve queda de Paes e o aumento de Garotinho neste cenário, mesmo com sua situação jurídica, mostram a força de sua base eleitoral e a dificuldade de Paes em absorver integralmente os votos de outros candidatos. Os votos em branco, nulos ou que não vão votar passaram de 22% para 21%, e os indecisos se mantiveram em 11% nos dois levantamentos. Este cenário, contudo, é altamente dependente da reversão da decisão do TRE-RJ, o que adiciona uma camada de incerteza à análise.
Metodologia e Credibilidade da Pesquisa
A pesquisa Quaest, contratada pela Globo, ouviu 1.302 eleitores com 16 anos ou mais, entre sábado (25 de setembro) e segunda-feira (28 de setembro) de 2026. A margem de erro do levantamento é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. Isso significa que, se a pesquisa fosse repetida 100 vezes, em 95 delas os resultados estariam dentro da margem de erro. O levantamento foi devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo RJ-04419/2026, garantindo sua conformidade com as normas eleitorais vigentes.
A robustez metodológica da pesquisa Quaest confere credibilidade aos dados apresentados, tornando-os um termômetro importante para as campanhas e para a análise do cenário político fluminense. A coleta de dados próxima à data de divulgação e a abrangência da amostra são fatores que contribuem para a relevância dos resultados, que agora guiarão as estratégias dos candidatos e a percepção pública sobre a corrida eleitoral.
Implicações para a Reta Final da Campanha
Os resultados da Quaest indicam que a reta final da campanha para o governo do Rio de Janeiro será marcada por intensa disputa. A diminuição da vantagem de Eduardo Paes e o crescimento de Douglas Ruas sugerem que a narrativa de uma eleição já definida está sendo desafiada. As campanhas terão que redobrar seus esforços para consolidar seus eleitorados e atrair os indecisos, que ainda representam uma parcela significativa do eleitorado.
A situação de Anthony Garotinho continua a ser um ponto de interrogação. A possibilidade de recurso e uma eventual reversão da decisão do TRE-RJ poderia novamente embaralhar as cartas, embora o tempo para tal manobra seja cada vez mais curto. A ausência de Garotinho no pleito, conforme o cenário simulado, favorece Ruas e redistribui votos de Paes, mas também eleva o número de eleitores que podem optar por anular o voto ou se abster.
A polarização entre Paes e Ruas é evidente nos cenários de segundo turno, onde a diferença entre eles se mostra mais apertada do que em levantamentos anteriores. Isso significa que as estratégias de ataque e defesa, a mobilização de bases e a capacidade de comunicação dos candidatos serão cruciais nos próximos dias. O Rio de Janeiro se prepara para uma eleição que promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos, com cada ponto percentual ganhando um peso enorme na definição do futuro político do estado.