**Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2026** – A corrida eleitoral pelo governo do Rio de Janeiro ganha contornos mais definidos e, ao mesmo tempo, mais tensos, com a divulgação da mais recente pesquisa Quaest nesta terça-feira, 29 de setembro. O levantamento, contratado pela Rede Globo, revela que o ex-prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (PSD), mantém a liderança na intenção de votos, mas vê sua vantagem sobre o candidato do PL, Douglas Ruas, diminuir. A pesquisa, que ouviu 1.302 eleitores entre 25 e 28 de setembro, com margem de erro de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%, aponta um cenário de polarização crescente e incertezas jurídicas que podem redefinir o tabuleiro político.
No cenário principal, Eduardo Paes registra 34% das intenções de voto, uma leve queda em relação aos 36% apurados na pesquisa anterior, de 23 de setembro. Em contrapartida, Douglas Ruas demonstra um crescimento consistente, passando de 23% para 25% no mesmo período, consolidando-se como o principal desafiante. Essa movimentação, embora dentro da margem de erro para cada candidato individualmente, sugere uma tendência de aproximação que pode intensificar a disputa nas próximas semanas. A dinâmica entre os dois principais nomes se torna o foco central da análise, com Paes buscando consolidar sua base e Ruas capitalizando em um eleitorado que parece se mover em sua direção.
A complexidade do pleito fluminense é acentuada pela situação jurídica de Anthony Garotinho (Republicanos), que aparece com 9% das intenções de voto, um ponto percentual acima dos 8% registrados anteriormente. No entanto, sua candidatura foi indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), embora a decisão ainda seja passível de recurso. A presença de Garotinho no cenário, mesmo sob incerteza legal, demonstra sua capacidade de mobilização e a lealdade de parte do eleitorado, o que adiciona uma camada de imprevisibilidade ao processo. A eventual exclusão definitiva de seu nome da cédula eleitoral redistribuiria um volume significativo de votos, com potenciais impactos nos percentuais dos demais candidatos.
Os demais candidatos seguem com percentuais mais modestos. William Siri (Psol), Juliete Pantoja (UP), Cyro Garcia (PSTU) e Coronel Busnello (Missão) mantiveram 1% nos dois levantamentos. André Marinho (Novo) viu seu apoio cair de 1% para zero, enquanto Luan Monteiro (PCO) permaneceu com zero nas duas pesquisas. A parcela de eleitores indecisos registrou uma leve queda, de 16% para 14%, indicando que parte do eleitorado está começando a definir seu voto. Já os votos em branco, nulos e os que declararam não ir votar aumentaram de 12% para 14%, um dado que merece atenção, pois pode refletir um descontentamento ou falta de identificação com as opções apresentadas.
A Quaest também simulou um cenário sem a presença de Anthony Garotinho, considerando o indeferimento de sua candidatura. Neste panorama, Eduardo Paes registra 35%, uma queda em relação aos 38% do levantamento anterior sem Garotinho. Douglas Ruas, por sua vez, oscila de 25% para 26%, mantendo sua trajetória de crescimento. A redistribuição dos votos de Garotinho parece beneficiar marginalmente Ruas, enquanto Paes experimenta uma leve retração. William Siri se mantém com 2%, e Cyro Garcia passa de 1% para 2%. Coronel Busnello, André Marinho, Juliete Pantoja e Luan Monteiro aparecem com 1% cada. Os indecisos neste cenário caem de 17% para 16%, e os votos em branco, nulos ou que não vão votar aumentam de 13% para 15%. Este cenário alternativo é crucial para as estratégias de campanha, pois as equipes precisam estar preparadas para a eventual saída de Garotinho da disputa.
A pesquisa Quaest também explorou dois cenários de segundo turno, essenciais para compreender a viabilidade eleitoral dos candidatos. No confronto direto entre Eduardo Paes e Douglas Ruas, Paes lidera com 43% das intenções de voto, enquanto Ruas alcança 33%. Comparado ao levantamento anterior, Paes registrava 44% e Ruas 31%, indicando que a diferença entre eles diminuiu de 13 para 10 pontos percentuais. Os votos em branco, nulos ou que não vão votar passaram de 14% para 15%, e os indecisos oscilaram de 11% para 9%. Essa redução na vantagem de Paes no segundo turno reforça a percepção de que a campanha de Ruas tem conseguido mobilizar e atrair eleitores, tornando a reta final da eleição potencialmente mais acirrada do que se previa inicialmente.
Em um segundo cenário de segundo turno, simulando um embate entre Eduardo Paes e Anthony Garotinho, Paes venceria com folga, obtendo 48% dos votos contra 20% de Garotinho. Na pesquisa anterior, Paes tinha 49% e Garotinho 18%. Embora Paes tenha tido uma leve queda, Garotinho registrou um pequeno aumento, mas a diferença de 28 pontos percentuais ainda é substancial. Neste cenário, os votos em branco, nulos ou que não vão votar passaram de 22% para 21%, e os indecisos se mantiveram em 11%. A robustez da liderança de Paes contra Garotinho, mesmo com a incerteza jurídica deste último, demonstra a dificuldade que Garotinho teria em um confronto direto, caso sua candidatura fosse mantida e ele avançasse para o segundo turno.
A pesquisa Quaest, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo RJ-04419/2026, oferece um panorama detalhado e dinâmico da eleição para o governo do Rio de Janeiro. Os dados revelam um Eduardo Paes ainda na dianteira, mas com a necessidade de reagir ao avanço de Douglas Ruas. A questão jurídica de Anthony Garotinho permanece como um fator de peso, com potencial para alterar significativamente a distribuição de votos e as estratégias de campanha. Com a eleição se aproximando, a capacidade dos candidatos de consolidar apoios, atrair indecisos e lidar com os desdobramentos legais será determinante para o resultado final. O eleitor fluminense, por sua vez, acompanha atentamente as movimentações, ciente de que a escolha do próximo governador impactará diretamente os rumos do estado.