Pesquisa Quaest 2026: Lula e Flávio Bolsonaro em Empate Técnico na Disputa Presidencial

O cenário político brasileiro para as eleições presidenciais de 2026 ganhou novos contornos nesta segunda-feira, 21 de setembro de 2026, com a divulgação de uma pesquisa inédita do instituto Quaest. O levantamento, que aferiu as intenções de voto para a Presidência da República, revela um quadro de acirrada disputa, com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico tanto no primeiro quanto no segundo turno, dentro da margem de erro. A pesquisa, realizada entre os dias 17 e 20 de setembro, oferece um panorama crucial sobre o humor do eleitorado a pouco mais de um ano do pleito.
No cenário estimulado de primeiro turno, onde os nomes dos candidatos são apresentados aos eleitores, a pesquisa Quaest aponta que o presidente Lula detém 37% das intenções de voto. Em uma posição de forte competitividade, Flávio Bolsonaro aparece com 33%. Essa diferença de quatro pontos percentuais coloca ambos os candidatos em uma situação de empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Este resultado sublinha a polarização que tem caracterizado a política nacional e sugere que a corrida presidencial de 2026 será intensamente disputada desde o início.
A análise do primeiro turno não apenas destaca a força dos dois principais nomes, mas também a necessidade de cada campanha em consolidar suas bases e buscar o eleitorado indeciso. A proximidade dos números indica que qualquer movimento estratégico, seja na comunicação, na formação de alianças ou na abordagem de temas sensíveis, pode ser decisivo para desequilibrar a balança. A margem de erro, neste contexto, não é apenas um dado estatístico, mas um lembrete da fluidez do cenário eleitoral e da imprevisibilidade que ainda paira sobre o resultado final.
Ainda mais revelador é o cenário de segundo turno. Na simulação de um confronto direto entre os dois líderes, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula, com 42% das intenções de voto contra 41% do atual presidente. Embora a diferença seja de apenas um ponto percentual, configurando novamente um empate técnico dentro da margem de erro, este dado é particularmente significativo. A pesquisa ressalta que não é a primeira vez que Flávio Bolsonaro se posiciona numericamente à frente de Lula em uma projeção de segundo turno, indicando uma resiliência e um potencial de crescimento que merecem atenção das análises políticas.
Este resultado no segundo turno sugere que, apesar da liderança de Lula no primeiro, o eleitorado pode apresentar uma dinâmica diferente em uma disputa mais direta. A capacidade de Flávio Bolsonaro de atrair votos de outros segmentos ou de consolidar o voto anti-Lula em um segundo momento é um fator que as campanhas precisarão monitorar de perto. A eleição de 2026, portanto, não se desenha apenas como uma disputa de popularidade, mas também de estratégias de coalizão e de capacidade de mobilização em diferentes fases do processo eleitoral.
Além do confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa Quaest explorou outros cenários de segundo turno, todos com a presença do presidente Lula. Nestas simulações, Lula mantém uma liderança numérica, mas sempre dentro da margem de erro, indicando empates técnicos com os demais candidatos testados. Contra Ronaldo Caiado (PSD), Lula aparece com 41% e Caiado com 39%. No embate com Renan Santos (Missão), Lula registra 41% e Santos 38%. Já contra Augusto Cury (Avante), o presidente obtém 39% das intenções de voto, enquanto Cury alcança 35%.
Esses resultados demonstram que, embora Lula mantenha uma base sólida, sua vitória em um eventual segundo turno contra outros nomes da oposição não seria garantida e exigiria um esforço considerável. A repetição dos empates técnicos com diferentes perfis de candidatos sugere que o eleitorado brasileiro está fragmentado e que a decisão final pode depender de fatores como a conjuntura econômica, o desempenho da gestão atual e a capacidade dos candidatos de se conectar com as demandas da população.
Um dos destaques da pesquisa é a inclusão de Leonardo Avalanche (PRTB) no cenário estimulado. Esta é a primeira vez que Avalanche aparece em um levantamento da Quaest, substituindo Pablo Marçal (PRTB), que teve sua candidatura indeferida. A entrada de um novo nome, mesmo que com pouca expressão inicial, pode indicar movimentos internos nos partidos e a busca por novas representações políticas. A dinâmica de substituições e indeferimentos de candidaturas é um aspecto comum do processo eleitoral e pode influenciar a percepção do eleitorado sobre a estabilidade e a seriedade das propostas apresentadas.
Metodologia e Credibilidade da Pesquisa
A pesquisa Quaest foi conduzida com 2.004 entrevistados, entre os dias 17 e 20 de setembro de 2026, e possui um nível de confiança de 95%, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi contratado pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A., e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06004/2026, garantindo sua conformidade com as normas eleitorais vigentes. A transparência na metodologia é fundamental para a credibilidade dos dados apresentados e para que o público possa interpretá-los com a devida cautela.
É imperativo, como ressalta a Gazeta do Povo em suas publicações sobre pesquisas eleitorais, compreender que esses levantamentos são uma “leitura de momento”, e não uma previsão do resultado final das urnas. Eles capturam um instantâneo das intenções de voto em um período específico, com base em amostras representativas da população. Diversos fatores podem influenciar os resultados, como os métodos de entrevista, a composição e o número da amostra, e até mesmo a forma como uma pergunta é formulada. A complexidade da opinião pública e a volatilidade do eleitorado são elementos que devem ser sempre considerados ao analisar esses dados.
A história recente das eleições brasileiras, como as de 2022, serve de alerta. Naquele pleito, pesquisas publicadas por diversos institutos apresentaram discrepâncias relevantes em relação ao resultado final apurado nas urnas. Esse histórico reforça a importância de encarar as pesquisas eleitorais não como oráculos, mas como ferramentas de informação. Elas são valiosas para mapear tendências, identificar desafios e oportunidades para as campanhas, e para entender as percepções do eleitorado em um dado momento.
Além de informar o público, os resultados das pesquisas eleitorais têm um potencial significativo de influenciar decisões estratégicas. Partidos políticos e lideranças utilizam esses dados para ajustar suas plataformas, definir alianças e direcionar seus esforços de campanha. O mercado financeiro também reage aos números, que podem gerar volatilidade e impactar investimentos, refletindo a percepção de risco ou estabilidade associada aos diferentes cenários eleitorais. A opinião pública, por sua vez, pode ser moldada pelos resultados divulgados, criando um ciclo de feedback que as campanhas buscam gerenciar.
Em suma, a nova pesquisa Quaest para a Presidência da República em 2026 desenha um cenário de alta competitividade e incerteza. O empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, tanto no primeiro quanto no segundo turno, sinaliza que a eleição será decidida nos detalhes e na capacidade de cada candidato de mobilizar e convencer o eleitorado. Acompanhar a evolução desses números, sempre com um olhar crítico sobre a metodologia e o contexto, será fundamental para compreender os rumos da política brasileira nos próximos meses.