Hoje, 25 de setembro de 2026, enquanto a nação aguarda ansiosamente a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha que redefinirá o cenário da corrida presidencial, é imperativo revisitar os dados históricos que moldaram a eleição de 2022. Há exatos quatro anos, em 22 de setembro de 2022, o instituto Datafolha publicava um levantamento crucial que dimensionava a distância entre os principais candidatos à Presidência da República a apenas dez dias do primeiro turno. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderava com 47% das intenções de voto, contra 33% do então presidente Jair Bolsonaro (PL), uma diferença de 14 pontos percentuais que se tornou um marco na reta final daquela campanha e que, agora, serve como um espelho para as expectativas e projeções do pleito de 2026.
A pesquisa de 2022, encomendada pela TV Globo e pela Folha de S.Paulo, capturou um momento decisivo da disputa. Lula, candidato do Partido dos Trabalhadores, mostrava uma leve ascensão, oscilando dois pontos para cima em relação à rodada anterior, passando de 45% para 47%. Este movimento, embora dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, sinalizava uma consolidação de sua liderança. Por outro lado, Jair Bolsonaro, buscando a reeleição pelo Partido Liberal, mantinha-se estável com 33% das intenções de voto, sem conseguir reduzir a desvantagem em um período crítico da campanha. A estabilidade de Bolsonaro, em contraste com a leve alta de Lula, sugeria uma dificuldade em angariar novos eleitores na fase final.
Além dos dois principais contendores, o levantamento de 2022 também mapeava o desempenho de outros candidatos que buscavam espaço na polarizada disputa. Ciro Gomes (PDT) aparecia com 7% das intenções de voto, enquanto Simone Tebet (MDB) registrava 5%. Soraya Thronicke (União Brasil) completava o quadro com 1%. A soma de votos brancos e nulos alcançava 4%, e 2% dos entrevistados ainda não sabiam em quem votar. Esses números, embora menores, eram cruciais para a análise do potencial de migração de votos em um eventual segundo turno, um fator que se mostraria determinante e que continua a ser um ponto de atenção para os estrategistas políticos em 2026.
A relevância desses dados de 2022 transcende a mera retrospectiva. Eles fornecem um panorama histórico fundamental para compreender a dinâmica eleitoral brasileira e para contextualizar a iminente divulgação da nova pesquisa Datafolha para a eleição presidencial de 2026. A capacidade de Lula de manter uma vantagem consistente e a estagnação de Bolsonaro na reta final de 2022 são elementos que analistas políticos utilizam hoje para traçar paralelos e contrastes com o cenário atual, onde novas figuras e alianças se formam, mas a memória dos pleitos anteriores ainda ecoa no eleitorado.
Quando a análise se aprofundava nos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, a liderança de Lula se tornava ainda mais expressiva. O petista alcançava 50% dos votos válidos, um patamar que, se mantido até o dia da eleição, garantiria a vitória no primeiro turno. Bolsonaro, por sua vez, registrava 35% dos votos válidos. Ciro Gomes mantinha 7%, Tebet 5%, e Soraya Thronicke 2%. Essa projeção para votos válidos era um indicativo forte da possibilidade de resolução da eleição já na primeira etapa, um cenário que gerava intensa especulação e mobilização nas campanhas de ambos os lados em 2022, e que é novamente um foco de atenção para os candidatos de 2026.
Em um cenário de segundo turno simulado, o Datafolha de 2022 apontava uma vantagem ainda maior para Lula em um confronto direto com Bolsonaro. O ex-presidente aparecia com 54% das intenções de voto, enquanto o então presidente registrava 38%, uma diferença de 16 pontos percentuais. Os percentuais de ambos os candidatos se mantinham estáveis em relação à pesquisa anterior, reforçando a solidez da preferência do eleitorado naquele momento. A estabilidade desses números em um cenário de segundo turno indicava uma polarização já bem definida e uma dificuldade de Bolsonaro em reverter a percepção negativa de parte do eleitorado.
A pesquisa também investigou a migração de votos dos eleitores de outros candidatos em um eventual segundo turno entre Lula e Bolsonaro. Entre os eleitores que declaravam voto em Ciro Gomes no primeiro turno, 43% afirmavam que escolheriam Lula, enquanto 28% migrariam para Bolsonaro. Uma parcela significativa, 29%, permanecia indecisa ou optaria por branco/nulo. Já entre os eleitores de Simone Tebet, 42% votariam no petista e 27% em Bolsonaro, com 31% de indecisos ou votos brancos/nulos. Esses dados eram cruciais para as estratégias de campanha, revelando o potencial de crescimento de cada candidato a partir do espólio dos adversários menores, uma tática que continua a ser refinada para as eleições de 2026.
A rejeição, um fator igualmente relevante na dinâmica eleitoral, também foi detalhadamente analisada. Jair Bolsonaro apresentava o maior índice de rejeição entre os candidatos à Presidência em 2022, com 52% dos entrevistados afirmando que não votariam nele de jeito nenhum. Lula, por sua vez, tinha uma rejeição de 39%. Ambos os índices estavam, considerando a margem de erro, no mesmo patamar da rodada anterior, quando haviam registrado 53% e 38%, respectivamente. A alta rejeição de Bolsonaro era um obstáculo significativo para sua campanha de reeleição, limitando seu teto de crescimento e forçando-o a focar na mobilização de sua base fiel, uma lição que os estrategistas de 2026 certamente têm em mente.
A metodologia da pesquisa Datafolha de 2022 reforçava sua credibilidade e abrangência. O levantamento foi realizado presencialmente com 6.754 eleitores de 16 anos ou mais, em 343 municípios brasileiros, entre os dias 20 e 22 de setembro de 2022. Com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e um nível de confiança de 95%, os resultados eram considerados robustos e representativos da opinião pública nacional. A pesquisa foi devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04180/2022, garantindo a transparência e a conformidade com as normas eleitorais vigentes.
A análise desses dados de 2022, quatro anos depois, não é apenas um exercício de memória, mas uma ferramenta essencial para a compreensão do cenário político atual. A forma como a disputa se desenrolou, as estratégias adotadas pelos candidatos, a resiliência de suas bases eleitorais e os fatores que influenciaram a decisão dos eleitores são elementos que continuam a informar as discussões e as projeções para a eleição de 2026. A polarização, a importância dos votos válidos e a influência da rejeição são constantes que se mantêm relevantes, mesmo com a evolução do contexto político e social.
À medida que nos aproximamos da divulgação da penúltima rodada do Datafolha para 2026, que foi realizada entre os dias 22 e 24 de setembro, a comparação com os números de 2022 se torna inevitável. Os dados históricos servem como um balizador, permitindo que eleitores, analistas e os próprios candidatos avaliem a continuidade de certas tendências ou a emergência de novas dinâmicas. Entender como a disputa estava posicionada na reta final de 2022 é crucial para interpretar as atualizações do cenário da corrida ao Palácio do Planalto em 2026, oferecendo uma perspectiva aprofundada sobre a evolução do voto brasileiro e as expectativas para o futuro político do país. A história eleitoral, afinal, é um guia indispensável para navegar os desafios e as incertezas de cada novo pleito.