Hoje, 04 de novembro de 2026, o Alasca se encontra no epicentro de um turbilhão político, onde a integridade das eleições intercalares é posta à prova por duas controvérsias sem precedentes. Eleitores do maior estado norte-americano, mas um dos menos populosos, deparam-se com cédulas que incluem nomes de candidatos ausentes: Daniel S. Sullivan Jr., um independente cujo paradeiro é desconhecido em meio a acusações de ser um “spoiler” para desviar votos do senador republicano Dan Sullivan, e Erick Hafner, um democrata concorrendo ao Congresso, que cumpre pena de prisão federal em Nova Iorque. As manobras, que já são alvo de investigações do Departamento de Justiça dos EUA e de denúncias de figuras políticas proeminentes, lançam uma sombra de fraude e confusão sobre uma disputa que pode ser decisiva para o controle do Senado.
A corrida pelo Senado no Alasca é uma das mais apertadas do país, com as sondagens indicando um empate técnico entre o atual senador republicano Dan Sullivan e a ex-congressista democrata Mary Peltola. Em um cenário onde o vencedor pode ser decidido por apenas algumas centenas de votos, a presença de Daniel S. Sullivan Jr. no boletim de voto gerou imediatas suspeitas e investigações. Sullivan Jr., um professor aposentado, é acusado de ter lançado sua candidatura como uma ferramenta para confundir os eleitores e, inadvertidamente, tirar votos do senador republicano homônimo, beneficiando a campanha democrata.
A controvérsia em torno de Daniel S. Sullivan Jr. ganhou contornos dramáticos com seu desaparecimento. Segundo a rede CBS, o professor aposentado deixou Petersburg, sua cidade natal, na semana passada, e foi visto por uma ex-aluna em um voo para Anchorage, outra cidade do Alasca. Contudo, desde então, seu paradeiro é incerto, alimentando especulações e acusações. O Presidente norte-americano, Donald Trump, expressou publicamente sua preocupação, alegando na plataforma Truth Social que “o motivo pelo qual ninguém consegue encontrar o FALSO Dan Sullivan é que os advogados levaram-no e mantêm-no escondido enquanto o ensinam, passo a passo, o que dizer para evitar um dos maiores processos por fraude da história dos EUA”. Essa declaração sublinha a gravidade das suspeitas que pairam sobre a candidatura.
A situação se aprofundou com uma investigação do The New York Times, que revelou supostas mensagens de texto entre membros da campanha de Mary Peltola. Essas mensagens, citando pelo menos 12 fontes, discutiam a possibilidade de recrutar outras pessoas com o mesmo sobrenome do senador republicano, sugerindo uma estratégia deliberada para criar confusão eleitoral. A reportagem do NYT também implica assessores de alto nível do Comité de Campanha Senatorial Democrata (DSCC), que teriam participado ativamente no recrutamento do candidato. Tanto a campanha de Peltola quanto o DSCC negaram veementemente qualquer envolvimento no caso, e Daniel S. Sullivan Jr. não se pronunciou sobre o assunto. No entanto, o Departamento de Justiça dos EUA já confirmou que está investigando uma alegada fraude eleitoral no Alasca, focando especificamente na colocação de um homônimo do senador republicano Dan Sullivan no boletim de voto.
Mas as supostas manobras eleitorais não são exclusividade de um lado da disputa. O Partido Democrata do Alasca, em um movimento incomum e desesperado, fez um apelo direto aos eleitores para que não votem em um de seus próprios candidatos: Eric Hafner, que concorre a uma vaga na Câmara dos Representantes dos EUA. A razão para tal repúdio é alarmante: Hafner está atualmente cumprindo pena de prisão federal em Nova Iorque, após declarar-se culpado em 2022 por ameaçar funcionários federais, e não deve ser libertado antes de 2036.
A candidatura de Hafner é problemática em múltiplos níveis. Além de sua condição de detento, ele nunca residiu no Alasca, o que levanta sérias questões constitucionais, já que a Constituição exige que os membros do Congresso residam no estado que pretendem representar. O Partido Democrata do Alasca, ciente da inviabilidade e da imagem negativa que Hafner representa, lançou uma campanha pública em todo o estado com cartazes que alertam: “Não se deixem enganar! Eric Hafner está preso em Nova Iorque”. Essa campanha visa evitar que eleitores desavisados votem no único candidato registrado como democrata para a câmara baixa do Congresso, que não tem condições de assumir o cargo. Os principais candidatos na disputa pela Câmara são o atual titular, o republicano Nick Begich, e o independente Bill Hill, a quem os democratas declararam apoio oficial, na tentativa de mitigar os danos causados pela candidatura de Hafner.
A situação no Alasca, com seus candidatos ausentes e as alegações de fraude e manobras políticas, ilustra a intensidade e, por vezes, a degradação das campanhas eleitorais modernas. Em um estado onde o resultado pode, de fato, determinar o equilíbrio de poder no Senado, a complexidade e as controvérsias apresentadas aos eleitores são um teste à resiliência democrática. As investigações em curso do Departamento de Justiça e a atenção nacional sobre estas disputas sublinham a gravidade dos eventos, que podem ter implicações duradouras para a política americana e para a confiança no processo eleitoral. A votação de hoje não é apenas sobre escolher representantes, mas sobre a capacidade de um sistema de lidar com desafios sem precedentes à sua integridade.