Em um desenvolvimento que promete expandir drasticamente o universo de um dos jogos mais aguardados da década, a CD Projekt RED confirmou que a sequência de Cyberpunk 2077, provisoriamente intitulada Projeto Orion, terá Chicago como uma de suas principais ambientações. Anúncios recentes, feitos em outubro de 2026, revelaram não apenas a integração de recursos multiplayer, mas também a adição desta icônica cidade americana, que se juntará a Night City, oferecendo aos jogadores uma visão ainda mais sombria e complexa de uma América do Norte em ruínas. A decisão, elogiada pelo criador da franquia, Mike Pondsmith, posiciona o novo título para explorar as profundezas da distopia cyberpunk com uma estética única e brutalmente realista.
O Projeto Orion, sob a direção de Gabe Amatangelo, conhecido por seu trabalho na aclamada expansão Phantom Liberty, está em pré-produção desde maio de 2025. O desenvolvimento é liderado pelo novo escritório da CD Projekt RED em Boston, com o apoio de estúdios em Varsóvia e Vancouver. Uma mudança técnica significativa é a transição do motor gráfico proprietário REDengine para o Unreal Engine 5, prometendo avanços visuais e de jogabilidade. Enquanto o novo game não chega, o universo se mantém vibrante com o lançamento de Cyberpunk: Mercenários 2 na Netflix, em outubro de 2026, que pode servir como uma ponte narrativa para a sequência.
A revelação da nova cidade veio do próprio Mike Pondsmith no ano passado. Em conversa com um dos Designers de Níveis Principais, Pondsmith foi apresentado à nova localização idealizada pela CD Projekt RED. Ele insinuou a existência de “outra cidade que vamos visitar”, sem fornecer detalhes, mas assegurando que Night City continuaria sendo parte integrante do jogo. A descrição que Pondsmith usou para a estética desta segunda megalópole foi particularmente impactante: não se assemelha a Blade Runner, mas sim a uma “Chicago que deu errado”. Essa frase, carregada de implicações, sugere uma abordagem mais crua e visceral do gênero cyberpunk, expandindo os horizontes visuais e temáticos da franquia.
Apesar de Pondsmith ter evitado mencionar o nome da cidade, fãs atentos de Cyberpunk 2077 já haviam captado uma pista crucial. Diversos anúncios dentro do jogo original previam a inauguração, em 2080, de uma linha ferroviária de alta velocidade, o Maglev, conectando Night City a Chicago. Essa ligação de transporte não apenas reforça a conexão entre as duas cidades, mas também se alinha perfeitamente com a rica história do RPG de mesa. No universo de Cyberpunk, o Centro-Oeste americano, onde Chicago está localizada, é retratado como uma das regiões mais devastadas da América do Norte. Os Grandes Lagos são biologicamente mortos e severamente poluídos, enquanto a chuva ácida corrói florestas e edifícios, simbolizando um “sonho americano azedado”.
A escolha de Chicago não será meramente um pano de fundo. Durante sua visita ao estúdio, Pondsmith observou equipamentos e implantes cibernéticos inéditos, projetados especificamente para se adaptar ao novo ecossistema da cidade. Isso indica que Chicago terá uma identidade própria, com sua cultura, economia e regras distintas, onde o “cromado se adapta e domina”, como é característico do gênero. A cidade promete ser um organismo vivo, com desafios e oportunidades únicas para os jogadores.
Chicago, berço do arranha-céu moderno, oferece uma paisagem urbana que parece ter sido talhada para um jogo de videogame cyberpunk. Seu distrito comercial, “The Loop”, forma um imponente cânion de concreto, vidro e aço, enquanto abaixo dele se estende a “Lower Wacker Drive”, uma vasta rede de ruas e vias expressas subterrâneas, perpetuamente envoltas em escuridão e habitadas por uma população marginalizada. Acima, o histórico trem elevado, o “L”, desliza rente às janelas dos edifícios, criando uma cidade sufocante em múltiplos níveis, um cenário perfeito para a exploração e a narrativa distópica.
Além de sua arquitetura, Chicago carrega uma reputação sombria, intrinsecamente ligada a figuras como Al Capone, à Lei Seca e à Máfia. A cidade há muito tempo simboliza o crime organizado, a violência de gangues e a corrupção política na América do Norte. Esse pano de fundo histórico se encaixa de maneira impecável no universo Cyberpunk, onde a antiga Máfia daria lugar a megacorporações militarizadas e gangues brutais, lutando pelo controle do contrabando na região dos Grandes Lagos. A transição do poder, mas não da essência da criminalidade, é um tema central do gênero.
Outrora a linha de montagem de uma América desindustrializada, Chicago personifica o tema central do gênero: “Alta Tecnologia, Baixa Qualidade de Vida”. As torres ultramodernas do centro da cidade contrastam violentamente com os vastos terrenos industriais abandonados da periferia, repletos de siderúrgicas extintas e armazéns em ruínas. A capital do Cinturão da Ferrugem faz jus ao seu nome, exibindo as cicatrizes de um progresso desigual e predatório.
O jogo de RPG de mesa oferece uma justificativa trágica para o estado atual da cidade. Nesse universo, Chicago foi devastada por uma praga biológica (biopraga) causada por pesquisas secretas do governo. Abandonada, foi gradualmente retomada por clãs nômades e corporações oportunistas. A “Chicago degenerada” descrita por Pondsmith é um produto desse passado apocalíptico, uma cidade “monstruosa” onde arranha-céus reluzentes se erguem desafiadoramente contra uma infraestrutura decadente. Em suma, Chicago emerge como a cidade dos sonhos para Cyberpunk 2, prometendo uma experiência imersiva e brutalmente autêntica, onde Night City não estará mais sozinha em sua representação de um futuro sombrio.