Crise Sem Precedentes: China Suspende La Liga Após Comentários de Mbappé Sobre Ditador Chinês

Capa
Em um desdobramento de alta tensão diplomática e comercial, a televisão estatal chinesa, China Media Group (CMG), confirmou hoje, 01 de novembro de 2026, a suspensão das transmissões da Liga espanhola de futebol, La Liga, em todo o território chinês. A medida drástica, efetivada desde 26 de outubro, é uma resposta direta às declarações do jogador Kylian Mbappé, do Real Madrid, que, ao comentar um ‘meme’ de internet, referiu-se a Mao Tsé-Tung como “um tipo que penso ser um ditador chinês”, desencadeando uma crise sem precedentes que abala as relações entre o futebol europeu e o lucrativo mercado asiático. A controvérsia emergiu após a divulgação de uma entrevista na qual Mbappé, questionado sobre a imagem humorística que mais o fazia rir, descreveu uma montagem com seu rosto sobreposto ao de Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China. O jogador admitiu que costumava compartilhar a imagem com amigos, sem, contudo, identificar Mao pelo nome, mas descrevendo-o de forma que foi imediatamente reconhecida e considerada ofensiva pelas autoridades e pela população chinesa. A reação chinesa foi imediata e contundente. Um porta-voz do Centro de Desporto e Juventude do Grupo de Media da China (CMG) afirmou que a estação não aceita a posição atribuída ao Real Madrid, segundo a qual Mbappé “nunca teve intenção de ofender” e tem o direito de expressar opiniões. Para o CMG, as palavras do jogador “ultrapassaram os limites” da aceitabilidade. A entidade reiterou que, enquanto o clube espanhol não apresentar um pedido de desculpas considerado satisfatório, “não há nada a discutir”, mantendo a suspensão das transmissões da Liga espanhola, dos jogos relacionados com Mbappé e dos anúncios publicitários protagonizados pelo futebolista. A onda de repúdio não se limitou à esfera estatal. A plataforma chinesa de notícias e comunidade de futebol Dongqiudi anunciou que não traduziria a entrevista, justificando a decisão por considerar que as palavras do jogador ferem os sentimentos dos adeptos e do povo chinês. Paralelamente, diversas empresas chinesas, incluindo o grupo de bebidas Dongpeng e a gigante dos laticínios Mengniu, agiram rapidamente, anunciando o fim de parcerias comerciais com Mbappé, demonstrando o impacto financeiro direto e a sensibilidade do mercado chinês a tais questões. Diante da escalada da crise, o presidente da LaLiga, Javier Tebas, interveio pessoalmente. Na terça-feira, ele enviou uma carta à CMG na qual condenou o comportamento do futebolista, classificando-o de “inaceitável” e pedindo desculpa pela ofensa causada. A emissora de rádio e televisão chinesa, no entanto, respondeu que a LaLiga, o Real Madrid e, especialmente, Mbappé deveriam pedir desculpas publicamente e enviar uma carta de desculpas por escrito, elevando o nível da exigência. Em resposta à pressão crescente, o avançado francês divulgou um comunicado em francês, chinês e inglês, no qual lamentou as palavras e expressou “profundo respeito” pelo povo chinês e pela sua história. “O meu comentário foi irrefletido e compreendo agora que magoou muitas pessoas na China e nas comunidades chinesas em todo o mundo”, afirmou Mbappé, em uma tentativa de apaziguar os ânimos e reverter a situação. Ainda na terça-feira, em um esforço diplomático para buscar uma solução para a controvérsia, Javier Tebas reuniu-se com o embaixador chinês em Espanha, Yao Jing. A LaLiga mantém acordos de cooperação estratégicos com entidades chinesas, incluindo um acordo com a liga profissional do país, válido até 2029, o que sublinha a importância do mercado chinês para o futebol espanhol e a urgência em resolver a crise. A suspensão das transmissões não apenas representa uma perda financeira imediata, mas também ameaça a sustentabilidade de parcerias de longo prazo e a expansão da marca La Liga na Ásia. Hoje, o jornal oficial Global Times, ligado ao Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês, publicou um editorial que serve como um aviso claro e inequívoco para celebridades internacionais. O editorial advertiu que não se pode beneficiar comercialmente do mercado chinês sem respeitar as sensibilidades nacionais. “Respeitar não é opcional. Ninguém pode lucrar com a China enquanto a desrespeita”, escreveu o jornal, que considerou o caso um alerta para outras personalidades estrangeiras com interesses comerciais no país. O editorial do Global Times sugeriu ainda que os contratos comerciais com figuras públicas internacionais passem a incluir cláusulas mais claras sobre a respetiva conduta pública, indicando uma possível mudança nas exigências para futuras parcerias. Curiosamente, o jornal não especificou quais foram as declarações exatas de Mbappé que desencadearam a polémica, limitando-se a afirmar que muitos chineses preferem não as repetir, por as considerarem ofensivas, o que reforça a profundidade da mágoa causada. A crise entre Mbappé, o Real Madrid, a La Liga e a China transcende o campo esportivo, transformando-se em um estudo de caso sobre a complexa intersecção entre cultura, política, comércio e a liberdade de expressão no cenário global. A exigência de um pedido de desculpas “satisfatório” e a postura firme do governo chinês sinalizam que o caminho para a reconciliação será longo e exigirá um entendimento mais profundo das nuances culturais e políticas que regem as relações internacionais no século XXI. O incidente serve como um lembrete severo de que, no mercado globalizado, a reputação e a sensibilidade cultural são ativos tão valiosos quanto o talento em campo.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *