Mpox: Alerta Nacional Acende com Disparada de Casos no Rio e Vacinação Restrita no Sul

O Brasil se vê diante de um cenário de crescente preocupação com a mpox, a antiga varíola dos macacos, à medida que o Rio de Janeiro registra uma explosão de casos nos últimos meses de 2026, enquanto o Rio Grande do Sul mantém uma política de vacinação restrita a grupos de risco. Dados recentes, compilados até o final de outubro, revelam um aumento alarmante na capital fluminense, com 74 confirmações apenas em setembro e outubro, um salto significativo em comparação aos 10 casos do mesmo período em 2025. Paralelamente, no Sul do país, Porto Alegre já contabiliza 167 casos em 2026, superando os 94 de todo o ano anterior, mas a imunização segue com acesso limitado, levantando questões sobre a eficácia da resposta nacional à doença.
A situação no Rio de Janeiro, em particular, exige atenção imediata. As reportagens divulgadas em 30 e 31 de outubro de 2026, citando o Observatório Epidemiológico do município e a Secretaria de Estado de Saúde do RJ, pintam um quadro de rápida progressão da doença. O estado do Rio de Janeiro alcançou 211 confirmações em 2026 até 27 de outubro, contrastando com 119 em todo o ano de 2025. Apesar do aumento expressivo, a Secretaria de Estado de Saúde do RJ informou que, por ora, não é possível declarar uma epidemia, mas acompanha de perto a evolução do cenário.
A escalada de casos na capital fluminense é acompanhada por um problema crítico: a dificuldade de acesso à vacina. Relatos indicam que encontrar doses na cidade tem sido um desafio. O deputado federal Daniel Soranz, figura com experiência na gestão da saúde pública como ex-secretário municipal de Saúde do Rio e atual presidente da Frente Parlamentar da Vacina, fez uma denúncia grave: o Sistema Único de Saúde (SUS) teria recebido um número insuficiente de doses, resultando na não vacinação da maior parte das pessoas que se enquadram nos grupos de risco. Essa carência de imunizantes em um epicentro de crescimento de casos acende um sinal de alerta sobre a capacidade de contenção da doença.
O Contraste Gaúcho: Vacinação Restrita e Casos em Ascensão
Em contraponto ao cenário fluminense, o Rio Grande do Sul adota uma abordagem mais conservadora em relação à vacinação contra a mpox. A estratégia estadual segue as recomendações nacionais, priorizando estritamente os grupos com maior risco de desenvolver formas graves da doença. Desde o início da estratégia de imunização, apenas 865 doses foram aplicadas em todo o estado, um número que parece modesto diante da progressão da doença em algumas regiões.
Apesar da restrição vacinal, o estado também observa um aumento nos casos. Em fevereiro de 2026, a Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS) confirmou o primeiro caso do ano no estado, um morador de Porto Alegre. Desde então, a capital gaúcha registrou um salto significativo, com 167 casos confirmados até 29 de outubro de 2026, superando os 94 casos contabilizados em todo o ano de 2025. Em anos anteriores, o Rio Grande do Sul havia registrado 21 casos em 2024 e 22 em 2025, indicando que 2026 representa um ano de aceleração da doença na região.
Quem Pode Ser Vacinado no RS?
A política de vacinação no Rio Grande do Sul, alinhada às diretrizes nacionais, é bastante específica. Os grupos elegíveis para receber a vacina incluem pessoas vivendo com HIV/aids, com 18 anos ou mais e que apresentem contagem de linfócitos T CD4 abaixo de 200 células nos últimos seis meses. Profissionais de laboratório que trabalham diretamente com Orthopoxvírus em ambientes de biossegurança NB-2, com idades entre 18 e 49 anos, também estão na lista. Além disso, o Ministério da Saúde prevê a vacinação para contatos de risco com casos suspeitos ou confirmados, desde que a aplicação ocorra em até quatro dias após a exposição.
A restrição a esses grupos específicos, embora baseada em evidências de maior vulnerabilidade, levanta a questão sobre a proteção da população em geral e a capacidade de conter a disseminação em um cenário de aumento de casos. A SES-RS orienta que quem se enquadra nos grupos prioritários deve consultar a secretaria municipal de Saúde para verificar a disponibilidade de doses em sua cidade, evidenciando a descentralização e, por vezes, a dificuldade de acesso à informação e ao imunizante.
Prevenção e Resposta Local: O Papel da População e dos Serviços de Saúde
Diante da complexidade da situação, as secretarias de saúde de ambos os estados reforçam as medidas de prevenção e a importância da busca por atendimento médico. A SES-RS recomenda a higienização frequente das mãos, a não partilha de objetos de uso pessoal e a evitação de contato com pessoas que apresentem lesões suspeitas ou diagnóstico confirmado de mpox. Quem notar sintomas compatíveis, como lesões na pele ou nas mucosas, deve procurar uma unidade básica de saúde em seu município.
No Rio de Janeiro, a orientação da secretaria é ainda mais enfática em caso de suspeita ou confirmação: isolar-se e evitar contato físico próximo até a cicatrização completa das lesões. Essa medida é crucial para quebrar a cadeia de transmissão da doença, que se espalha principalmente por contato direto com as lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e materiais contaminados.
Os serviços municipais de saúde desempenham um papel fundamental na vigilância epidemiológica. São eles os responsáveis por notificar os casos suspeitos, coletar as amostras necessárias e enviá-las ao Laboratório Central do Estado (Lacen) para confirmação diagnóstica. Essa rede de monitoramento é a base para que as autoridades de saúde possam ter uma visão clara da progressão da doença e tomar decisões informadas sobre as estratégias de contenção e vacinação.
Desafios e Perspectivas para a Saúde Pública
O cenário atual da mpox no Brasil, com a disparada de casos em grandes centros urbanos como o Rio de Janeiro e a manutenção da vacinação restrita em outras regiões como o Rio Grande do Sul, expõe desafios significativos para a saúde pública. A falta de doses suficientes para imunizar os grupos de risco, conforme apontado pelo deputado Daniel Soranz, é um ponto crítico que pode comprometer os esforços de controle da doença.
A ausência de boletins originais do Observatório Epidemiológico do município e da Secretaria de Estado de Saúde do RJ, conforme notado pela reportagem de origem, também levanta questões sobre a transparência e a acessibilidade dos dados epidemiológicos, essenciais para a compreensão pública e a formulação de políticas eficazes. Em um momento de crise sanitária, a clareza e a disponibilidade de informações são tão importantes quanto as medidas de prevenção e tratamento.
A mpox, embora geralmente menos grave que a varíola humana, pode causar desconforto significativo e, em casos raros, complicações sérias. A vigilância contínua, a ampliação do acesso à vacina para grupos mais amplos, se necessário, e campanhas de conscientização eficazes são pilares para evitar que a doença se torne uma ameaça ainda maior à saúde coletiva. O Brasil precisa de uma resposta coordenada e robusta para enfrentar este novo capítulo da mpox, garantindo que a população esteja protegida e informada.