Alerta Máximo no Rio: Mpox Dispara 800% e Nova Variante Preocupa Especialistas em Meio à Crise de Vacinas

Capa

O Rio de Janeiro enfrenta um cenário de preocupação crescente com a Mpox, registrando um aumento alarmante de 800% nos casos entre setembro e outubro de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. A situação, que já supera o total de diagnósticos de 2025, mobiliza alertas de médicos e ex-gestores de saúde, que apontam para a circulação de um novo subtipo do vírus e a crítica escassez de vacinas no Sistema Único de Saúde (SUS). Enquanto a capital fluminense e o estado veem os números dispararem, especialistas como o deputado federal Daniel Soranz, ex-secretário municipal de saúde, e a infectologista Marcia Rachid clamam por ações urgentes, especialmente para grupos de risco, como pessoas vivendo com HIV, e destacam a importância vital do diagnóstico precoce e da vacinação para conter a disseminação da doença.

A Escalada Preocupante dos Números no Rio

Os dados mais recentes revelam uma explosão nos casos de Mpox no Rio de Janeiro, consolidando um quadro epidemiológico que exige atenção imediata. Até a última terça-feira, o estado já contabilizava 211 pacientes com diagnóstico positivo, um número que não apenas representa um aumento significativo, mas também ultrapassa o total de 119 casos registrados em todo o ano de 2025. A aceleração é particularmente notável nos meses de setembro e outubro de 2026, que, juntos, somam 90 novos diagnósticos – 45 em cada mês. Este volume contrasta drasticamente com os modestos 10 casos reportados no mesmo bimestre de 2025, configurando um crescimento exponencial de 800% no período. Além dos casos confirmados, há ainda 117 investigações em andamento, indicando que o panorama pode ser ainda mais grave.

A capital fluminense espelha e intensifica essa tendência de alta. O Observatório Epidemiológico da Cidade do Rio informou que, até a última quinta-feira, 167 casos foram confirmados, superando os 94 registrados em todo o ano passado. Setembro, com 45 diagnósticos, e outubro, com 29, concentram 74 confirmações, enquanto em 2025, o mesmo período registrou apenas 10. Com 81 casos suspeitos atualmente, a cidade se vê diante de um desafio de saúde pública que exige respostas rápidas e eficazes.

Alertas de Especialistas e a Urgência da Vacinação

Diante do cenário alarmante, vozes experientes da saúde pública se levantam para alertar a população e cobrar providências. O deputado federal Daniel Soranz, que já esteve à frente da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, utilizou suas redes sociais na última quinta-feira para chamar a atenção para a gravidade da situação. Em um vídeo, Soranz enfatizou que o vírus da Mpox está circulando com maior intensidade não apenas no Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil, com dez pacientes atualmente internados na capital fluminense devido à doença.

Soranz detalhou os sintomas característicos da Mpox, que incluem bolhas na pele, febre e linfonodomegalia – popularmente conhecida como íngua. Ele ressaltou a simplicidade do diagnóstico, que pode ser feito por meio da coleta de material das feridas e envio ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), um procedimento que todas as unidades básicas de saúde estão aptas a realizar. O ex-secretário sublinhou que o diagnóstico precoce é crucial para evitar a transmissão, orientar o paciente e garantir o acompanhamento adequado, minimizando o impacto da doença.

Apesar da existência de uma vacina eficaz contra a Mpox, o imunizante MVA-BN, composto por vírus vivo enfraquecido que não se reproduz em células humanas, encontra-se em falta no SUS. O esquema padrão de vacinação consiste em duas doses aplicadas por via subcutânea no ombro, com um intervalo de 28 dias entre elas. Como presidente da Frente Parlamentar da Vacina no Congresso Nacional, Daniel Soranz fez um apelo direto ao Ministério da Saúde, cobrando o aumento da cobertura vacinal em todo o país. Ele lamentou que poucas doses tenham sido recebidas e que a maior parte da população de risco ainda não tenha sido imunizada, contrastando com a realidade de muitos países que já incluíram a vacina em seus calendários para essa população.

O Risco para Pessoas com HIV e a Experiência de um Paciente

A médica infectologista Marcia Rachid, figura pioneira no enfrentamento da Aids na década de 1980 e uma das fundadoras do Grupo Pela Vidda RJ, tem sido uma voz ativa no alerta sobre a Mpox desde o início de outubro. Em suas redes sociais, Rachid tem destacado o perigo particular que a doença representa para pessoas que vivem com HIV. Segundo a médica, se a pessoa com HIV estiver com a imunidade muito baixa, a Mpox pode evoluir para um quadro de extrema gravidade, com casos de óbitos já registrados. Seu ativismo e experiência desde 1984 com esse público conferem peso e urgência às suas advertências.

A jornada do ator Ari Areia, de 35 anos, ilustra as dificuldades no diagnóstico e a gravidade da doença. Ele começou a apresentar sintomas em 30 de setembro e testou positivo dias depois. Sua busca por atendimento em uma Clínica da Família, uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o serviço de emergência do Hospital Municipal Souza Aguiar não resultou em uma suspeita de Mpox. Foi somente após mais de uma semana, ao ver um post de Marcia Rachid no Instagram, que Ari entrou em contato com a infectologista, que, ao examinar suas lesões de pele, sinalizou a característica da doença. Ele então cancelou seus compromissos, isolou-se e procurou a Fiocruz, onde finalmente recebeu o diagnóstico correto.

Ari Areia descreveu seus sintomas iniciais como febre, dores no corpo, mal-estar e uma infecção de garganta que foi inicialmente diagnosticada como amigdalite, mas não respondia a antibióticos. A dificuldade extrema para comer e ingerir água o levou à internação no hospital da Fiocruz. Lá, recebeu a medicação correta para a garganta, que evoluiu rapidamente. Embora a Mpox em si não tenha um tratamento específico, sendo necessário esperar o ciclo viral e controlar os sintomas associados, Ari foi informado pelos médicos da Fiocruz que suas amostras indicavam uma nova variante, mais forte, em circulação na cidade desde o final de 2025. Apesar disso, ele considerou seu quadro leve, com poucas erupções de pele que se assemelhavam a espinhas comuns.

Formas de Transmissão e Recomendações Essenciais

A Mpox é uma infecção viral transmitida principalmente pelo contato próximo. O risco de transmissão se inicia com o surgimento dos primeiros sintomas, como febre, dores no corpo ou mal-estar, podendo o vírus ser transmitido de 1 a 4 dias antes mesmo do aparecimento das feridas. A transmissão só cessa quando todas as lesões cicatrizam completamente, ou seja, quando as cascas caem e uma nova camada de pele se forma.

As principais formas de transmissão incluem:

  • Contato direto: Tocar nas lesões cutâneas, bolhas, pústulas ou crostas de uma pessoa infectada.
  • Fluidos corporais: Contato com saliva, secreções respiratórias ou fluidos genitais durante o ato sexual ou beijos.
  • Objetos contaminados: Compartilhar ou tocar em roupas, toalhas, lençóis, talheres ou superfícies que tiveram contato com o paciente.
  • Via respiratória: Contato próximo, prolongado e face a face por meio de gotículas respiratórias.

A relação sexual é uma das situações de maior risco, e membros da família ou outras pessoas próximas a um paciente infectado também se tornam mais vulneráveis à contaminação.

Para conter a disseminação da infecção, as autoridades de saúde emitiram uma série de recomendações cruciais:

  • Evitar contato físico direto com lesões na pele ou mucosas de pessoas com suspeita ou confirmação da doença.
  • Abster-se de contato íntimo e relações sexuais na presença de sinais ou sintomas suspeitos, até avaliação profissional.
  • Não compartilhar objetos pessoais como toalhas, roupas de cama e vestimentas.
  • Procurar atendimento em uma unidade de saúde ao notar lesões suspeitas, especialmente nas regiões genital, anal, oral ou em outras partes do corpo, acompanhadas ou não de febre e aumento dos linfonodos.
  • Em caso de suspeita ou confirmação, seguir rigorosamente as orientações de isolamento e acompanhamento dos serviços de saúde, evitando contato físico próximo até a completa cicatrização das lesões.
  • Buscar informações sobre a vacinação contra a Mpox, disponibilizada pelo SUS para grupos específicos, conforme as recomendações do Ministério da Saúde.
  • Se confirmado, manter janelas de locais fechados abertas e usar máscara cirúrgica na presença de outras pessoas.
  • Realizar lavagem frequente das mãos.
  • A higiene do ambiente (chão e superfícies) pode ser feita com água sanitária.
  • Manter as feridas cobertas em caso de contato com outras pessoas.
  • Em residências com apenas um banheiro, o paciente deve utilizá-lo por último, seguido de limpeza do ambiente.
  • Os cuidados devem ser mantidos por, no mínimo, 21 dias, ou até as crostas caírem.
  • Retornar ao serviço de saúde para avaliação médica em caso de piora das lesões.

A gravidade do surto de Mpox no Rio de Janeiro, impulsionada por uma nova variante e a falta de vacinas, exige uma resposta coordenada e a máxima atenção da população. Enquanto o Ministério da Saúde é aguardado para definir sua estratégia de imunização, a prevenção individual e o diagnóstico precoce permanecem como as ferramentas mais eficazes para frear o avanço dessa doença.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *