Em um desdobramento que chocou o cenário político brasileiro e internacional, o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria fugido do Brasil para os Estados Unidos na última segunda-feira, 27 de outubro de 2026, após a derrota de seu grupo político na eleição presidencial do último domingo e uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes. A fuga, revelada nesta quinta-feira, 30 de outubro, pelo jornal americano The New York Times, teria sido orquestrada com a ajuda do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e executada por Jason Miller, um influente funcionário de comunicações da Casa Branca e estrategista republicano.
A reportagem do The New York Times detalha que Miller, conhecido por sua proximidade com o presidente Trump e por ser um dos principais nomes da comunicação digital do trumpismo, foi o responsável por organizar o jato particular que transportou Flávio Bolsonaro para fora do território brasileiro. Este episódio levanta sérias questões sobre a interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil e a extensão das redes de apoio político transnacionais que operam nos bastidores.
### O Arquiteto da Fuga: Quem é Jason Miller?
Jason Miller não é um nome desconhecido no cenário político. Nascido em Washington e formado em Ciência Política pela Universidade George Washington, ele iniciou sua carreira como assistente no Senado, ascendendo rapidamente para se tornar um dos mais respeitados estrategistas republicanos. Sua atuação na comunicação digital do governo Trump é amplamente reconhecida, e ele é considerado uma figura central na disseminação das mensagens do ex-presidente americano.
A ligação de Miller com o bolsonarismo no Brasil é antiga e profunda. Ele já participou de diversas agendas políticas ligadas ao clã Bolsonaro, aparecendo ao lado de Jair Bolsonaro em eventos e mantendo contato próximo com figuras como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Durante a recente campanha política, Miller chegou a pedir votos para o candidato do PL, publicando no X (antigo Twitter) que “basta uma eleição para mudar tudo” após uma visita do parlamentar a Trump em Washington. Sua influência se estende também à crítica aberta a instituições brasileiras, como o Supremo Tribunal Federal, tendo criticado publicamente a atuação do ministro Alexandre de Moraes em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em 2021, Miller fundou a rede social Gettr, que se autodenominava “um espaço que promove a liberdade de expressão”. A plataforma rapidamente se tornou um refúgio para apoiadores da extrema-direita tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, consolidando ainda mais sua posição como um articulador-chave para movimentos conservadores e populistas em escala global. A Gettr, sob sua liderança, serviu como um canal para a disseminação de ideias e a organização de bases de apoio, muitas vezes alinhadas com as narrativas de Trump e Bolsonaro.
### O Plano de Fuga e a Busca pelo Green Card
O plano de fuga de Flávio Bolsonaro foi posto em prática com urgência na segunda-feira, 27 de outubro, logo após o senador ser informado da medida cautelar imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, que exigia a entrega de seus passaportes. A decisão do STF havia sido proferida na véspera, e a rapidez com que a operação de saída do país foi montada sugere uma coordenação prévia e eficiente. Segundo o NYT, Eduardo Bolsonaro manteve contato direto com Jason Miller assim que a intimação para a entrega dos documentos foi recebida, indicando uma rede de comunicação e apoio já estabelecida.
Uma fonte do governo americano, citada pelo The New York Times, revelou que Flávio Bolsonaro é aguardado nos Estados Unidos para solicitar o status de residente permanente, conhecido como green card. Este procedimento, que normalmente segue o recebimento de um visto de imigrante, seria processado rapidamente, de forma semelhante ao que foi concedido a Eduardo Bolsonaro. A agilidade na obtenção de um green card para membros da família Bolsonaro, especialmente em um contexto de controvérsias políticas e judiciais no Brasil, levanta questionamentos sobre possíveis influências políticas e privilégios concedidos por parte do governo americano.
### A Reação de Trump e as Implicações Políticas
Ainda nesta quinta-feira, o presidente Donald Trump comentou as eleições presidenciais no Brasil, classificando-as como uma “vergonha”. Em declaração a jornalistas antes de partir para um comício eleitoral, Trump afirmou: “Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil, foi uma vergonha. O mercado falou isso. Olha como o mercado reagiu”.
Apesar de suas críticas ao processo eleitoral, Trump afirmou que parabenizará o presidente Lula, embora tenha qualificado o processo como “uma vergonha”. Ele acrescentou que não tomou partido nas eleições “a pedido de Lula”, uma declaração que adiciona uma camada de complexidade às relações diplomáticas e políticas entre os dois países. As declarações de Trump, em meio às revelações sobre a fuga de Flávio Bolsonaro e o papel de seu estrategista, reforçam a percepção de um alinhamento ideológico e político entre as alas mais conservadoras de ambos os países, com potenciais repercussões para a estabilidade regional e a política internacional.
Este episódio não apenas expõe a fragilidade das fronteiras em face de redes de apoio político transnacionais, mas também sublinha a complexidade das relações entre figuras políticas de diferentes nações, especialmente quando há interesses ideológicos e pessoais em jogo. A atuação de Jason Miller, um funcionário da Casa Branca, na facilitação de uma fuga de um senador brasileiro sob investigação, é um fato de gravidade ímpar que exige profunda investigação e esclarecimentos por parte das autoridades de ambos os países. A busca por um green card por Flávio Bolsonaro, com a aparente facilitação de processos, adiciona mais uma camada de controvérsia a um cenário já tenso, com o Brasil e o mundo observando atentamente os próximos capítulos desta intrincada trama política.