O Colapso da Nova Motores: De Recuperação Judicial à Autofalência, o Drama de 80 Trabalhadores em Schroeder

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Nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026, a Nova Motores e Fios, empresa responsável pela renomada marca Morita Motors, anunciou o encerramento definitivo de suas operações em Schroeder, no Norte de Santa Catarina. A decisão culminou na demissão de mais de 80 funcionários e na apresentação de um pedido de autofalência à Justiça, marcando o trágico desfecho de anos de severa crise financeira e uma recuperação judicial que, apesar de aprovada, não conseguiu reverter o declínio da companhia. O comunicado, entregue aos trabalhadores, selou o destino de uma fábrica com 18 anos de história, deixando um rastro de incerteza e desemprego na região. A notícia, inicialmente veiculada pelo Portal de Schroeder, revelou a abrupta paralisação das atividades. A reportagem local encontrou os portões da fábrica, localizada na Rua Ponte Pênsil, trancados com correntes e cadeados, sem qualquer representante da empresa disponível para comentar o fechamento. O cenário de abandono físico espelha a situação de desamparo dos mais de 80 trabalhadores que, de um dia para o outro, se viram sem emprego. O comunicado de demissão, datado de hoje, 29 de outubro, informa a dispensa sem justa causa, com aviso-prévio indenizado, o que significa que os funcionários não precisarão cumprir o período de aviso, mas terão o valor correspondente incluído em seus acertos. A administração da Nova Motores e Fios justificou o pedido de autofalência, conforme o documento, “diante das dificuldades econômico-financeiras enfrentadas nos últimos anos e após sucessivos esforços para preservar suas atividades e os postos de trabalho”. A empresa admitiu que, apesar de todos os empenhos, “não foi possível restabelecer as condições necessárias à continuidade das operações”. Esta declaração sublinha a profundidade de uma crise que se arrastava por anos, minando a capacidade produtiva e a sustentabilidade do negócio.

O Impacto Direto nos Trabalhadores e o Processo de Autofalência

Para os trabalhadores, a incerteza é a palavra de ordem. Embora a empresa tenha garantido que os documentos para saque do FGTS e pedido de seguro-desemprego serão disponibilizados em data futura no sindicato da categoria, a questão do pagamento das verbas rescisórias permanece em aberto. O comunicado da Nova Motores esclarece que a decisão sobre a falência e as providências subsequentes, incluindo o cálculo e pagamento das rescisões, caberá ao Judiciário, conforme a legislação trabalhista. Esta dependência da esfera judicial adiciona uma camada de ansiedade para as famílias afetadas, que agora aguardam os trâmites legais para receber o que lhes é devido. A autofalência, prevista pela Lei 11.101 de 2005, é um processo no qual a própria empresa solicita à Justiça a decretação de sua falência. Uma vez aceito pelo juiz, um administrador judicial é nomeado para assumir os bens da companhia, que serão vendidos para quitar as dívidas. A legislação estabelece uma ordem de prioridade para os pagamentos, colocando os trabalhadores no topo da fila, com créditos limitados a 150 salários mínimos por pessoa. Além disso, os salários referentes aos três meses anteriores à falência, até o limite de cinco salários mínimos por trabalhador, devem ser pagos assim que houver recursos em caixa. Essa proteção legal, embora fundamental, não elimina a angústia da espera e a complexidade do processo.

Uma História de Crises e Tentativas Frustradas de Recuperação

A Nova Motores e Fios, que fabricava motores elétricos, alternadores e fios, foi fundada em janeiro de 2008, conforme registro na Receita Federal, que, ironicamente, ainda a mostrava como ativa até hoje. O sócio-administrador, Paulo Goh Morita, empresta seu sobrenome à marca Morita Motors, e a empresa faz parte da holding Nova Participações, também sediada em Schroeder. A crise atual não é um evento isolado na trajetória do grupo. Em outubro de 2015, a 3ª Vara Cível de Joinville já havia aceito um pedido de recuperação judicial que abrangia a Nova Participações, a Nova Motores e Geradores Elétricos (antiga denominação da fábrica de Schroeder), a Nova Fios Esmaltados e a Nova Fundição e Comércio de Metais. A recuperação judicial, um mecanismo legal para empresas em dificuldades financeiras renegociarem suas dívidas e reestruturarem suas operações, parecia ter oferecido uma luz no fim do túnel. Em 2019, a Justiça aprovou o plano de pagamento aos credores, concedendo a recuperação. Contudo, os desafios persistiram. Uma filial que a empresa mantinha em Joinville já havia tido seu cadastro baixado na Receita Federal em junho de 2016, um sinal precoce das dificuldades que se aprofundariam. A aprovação do plano de recuperação, embora um passo importante, não foi suficiente para garantir a sustentabilidade a longo prazo da Nova Motores.

A Contradição de um Passado Recente e o Silêncio Atual

Apesar do histórico de crises, a fábrica ainda demonstrava sinais de atividade relativamente recentes. Em setembro de 2023, Lauro Tomczak, eleito vice-prefeito de Schroeder pelo PP em 2020, visitou a empresa e foi recebido por Paulo Goh Morita. Na ocasião, Tomczak publicou um vídeo da linha de produção, descrevendo a visita: “Conhecemos o parque fabril da empresa e toda a estrutura, desde a produção do fio de cobre até a montagem final e embalagem dos motores”. Essa imagem de uma empresa em funcionamento, há pouco mais de um ano, contrasta drasticamente com o cenário de fechamento e autofalência que se desenrola hoje. O encerramento das atividades da Nova Motores e Fios foi acompanhado por um silêncio institucional. Nesta quinta-feira, o site da Morita Motors e o perfil da empresa no Instagram estavam fora do ar, eliminando qualquer canal de comunicação oficial. Além disso, até o começo da tarde, nem o Sindicato dos Metalúrgicos de Jaraguá do Sul e Região, que representa a categoria, nem o site da Prefeitura de Schroeder haviam publicado qualquer nota ou comunicado sobre o caso. A ausência de informações oficiais adiciona uma camada de opacidade à situação, deixando a comunidade e os ex-funcionários em um vácuo de comunicação. O número do processo de autofalência também não foi divulgado, dificultando o acompanhamento público dos desdobramentos legais.

O Futuro Incerto e as Implicações de um Colapso Industrial

O pedido de autofalência agora aguarda a análise de um juiz, que decidirá sobre a decretação da falência da empresa. A Nova Motores, em seu comunicado, expressou a esperança de que, se o juiz autorizar, algumas atividades possam continuar, visando preservar o patrimônio, concluir contratos que ainda geram receita e, de alguma forma, mitigar o impacto do desemprego. No entanto, essa é uma possibilidade remota, e o foco principal do processo será a liquidação dos ativos para o pagamento dos credores, com prioridade para os trabalhadores. O colapso da Nova Motores e Fios representa mais do que o fim de uma empresa; é um golpe significativo para a economia local de Schroeder e para o setor industrial de Santa Catarina. A perda de mais de 80 postos de trabalho em uma única operação tem um efeito cascata sobre as famílias, o comércio e os serviços da região. A trajetória da Morita Motors, de uma recuperação judicial aprovada à autofalência, serve como um alerta sobre a fragilidade de muitos negócios diante de crises prolongadas e a complexidade de reverter cenários de endividamento e ineficiência operacional, mesmo com o amparo da lei. A comunidade agora observa, apreensiva, os próximos capítulos dessa saga judicial e humana, na esperança de que os trabalhadores recebam seus direitos e que a área industrial de Schroeder possa se reerguer.

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