Nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026, o ator João Velho, filho da renomada apresentadora Cissa Guimarães, tornou público um grave incidente de violência digital e política, revelando ter levado à polícia um comentário publicado nas redes sociais que transformou a trágica morte de seu irmão, Rafael Mascarenhas, em uma ferramenta de provocação ideológica. A mensagem, que elogiava Rafael de Souza Bussamra, condenado pelo atropelamento fatal de Rafael Mascarenhas em 2010, sugeria abertamente que ele fosse utilizado para “atropelar a esquerda” nas próximas eleições, configurando uma ameaça e apologia de crime. A denúncia foi formalizada em 21 de outubro na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), em um boletim de ocorrência que classifica o ato como ameaça e apologia de crime ou criminoso, apontando João de Campos Velho como vítima e Giovanni Cavalcanti de Albuquerque como o autor ainda não identificado.
O comentário ofensivo, que permaneceu no ar por mais de duas semanas antes de ser apagado, foi postado na seção de comentários de uma publicação de João Velho no Instagram, que visava divulgar um trabalho artístico do ator, sem qualquer relação com debates políticos. A frase exata, de teor chocante, dizia: “Na próxima eleição teremos o Rafael Bussamra para atropelar a esquerda. Meu herói não usa capa, ele usa o volante de um carro”. Esta manifestação de ódio, que instrumentaliza uma dor familiar profunda para fins de disputa política, gerou uma onda de indignação e levou o ator a buscar amparo legal e a mobilizar a sociedade para identificar o responsável.
Em um vídeo divulgado em suas redes sociais nesta mesma sexta-feira, João Velho fez um apelo emocionado e contundente, pedindo a colaboração de seus seguidores para identificar o autor da publicação. Ele enfatizou que a iniciativa não está atrelada a posições políticas, mas sim à busca por justiça e à defesa da memória de seu irmão. “Se vocês conhecem esse homem, por favor, me mandem alguma informação para a gente poder acelerar o processo da Justiça”, pediu o ator, ressaltando a urgência em coibir esse tipo de conduta. A decisão de tornar a situação pública, segundo ele, visa justamente angariar informações que possam auxiliar as autoridades na identificação do indivíduo por trás do perfil anônimo.
A tragédia que ceifou a vida de Rafael Mascarenhas em 20 de julho de 2010, após ser atropelado no Túnel Acústico, no Rio de Janeiro, é uma ferida aberta na família. Rafael de Souza Bussamra foi condenado pelo crime, e o caso marcou profundamente a memória nacional. João Velho relembrou que, mesmo à época da morte de seu irmão, a família já havia sido alvo de manifestações de ódio e mensagens perversas que celebravam a perda. “Na época que meu irmão morreu, a gente recebeu muito carinho, muito amor, mas também recebemos impressionantemente mensagens de ódio, mensagens perversas, mensagens comemorando a morte do meu irmão”, relatou, evidenciando um padrão de violência que agora se repete, mas com um viés político ainda mais explícito.
Para o ator, o comentário recente não apenas resgata essa violência, mas a eleva a um novo patamar ao utilizar a dor familiar como um instrumento de disputa eleitoral. Ele destacou que, embora suas posições políticas sejam conhecidas por quem acompanha seu perfil, a postagem original em questão tratava de seu trabalho, não de política. “Ele quer pegar na parte, na minha ferida mais aberta, pegar na parte que mais me dói, que é a perda do meu irmão. Ele quer me fazer sofrer nesse lugar porque eu voto num candidato que ele não gosta”, desabafou João, expondo a crueldade da estratégia de ataque. A instrumentalização do luto para atacar adversários políticos é uma tática que transcende o debate ideológico e atinge a esfera mais íntima e vulnerável do indivíduo.
A decisão de denunciar o episódio não é apenas uma busca por justiça pessoal, mas um ato de defesa da própria família. João Velho fez questão de lembrar que Rafael, que não está mais presente para se defender, tem uma mãe e um irmão, Tomás, que ainda enfrentam as consequências da perda. “Meu irmão que morreu não tá aqui para se defender, só que eu tô. A minha mãe tá viva, meu irmão Tomás tá vivo, a gente tá aqui vivo”, afirmou, sublinhando a responsabilidade de proteger os que ainda estão aqui e são afetados por essa violência. A impunidade em casos de crimes de ódio e ameaças online apenas encoraja a proliferação de tais atos, tornando a ação de João Velho um importante precedente.
Em um gesto de solidariedade e ativismo cívico, João Velho ampliou seu apelo, dirigindo-se a outras pessoas que, segundo ele, têm recebido ameaças por declarar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O ator recomendou veementemente que todas as vítimas registrem ocorrências e formalizem denúncias às autoridades competentes. “Façam isso. Denunciem na polícia. E vamos lutar contra isso. Isso não pode acontecer”, disse, transformando sua experiência pessoal em um chamado coletivo contra a violência política e o assédio digital. A iniciativa de João Velho destaca a crescente preocupação com a polarização e a toxicidade do ambiente online, onde a liberdade de expressão é frequentemente confundida com a licença para o ódio e a ameaça, exigindo uma resposta firme das instituições e da sociedade. A luta contra a desinformação e o discurso de ódio nas redes sociais é um desafio complexo, mas essencial para a saúde democrática e o bem-estar social.