Flamengo Desaba no Maracanã: A Vexatória Eliminação que Desmoralizou o ‘Já Ganhou’ na Libertadores

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O Flamengo foi brutalmente eliminado da semifinal da Copa Libertadores da América ontem, 22 de outubro de 2026, no Maracanã, após um empate sem gols no tempo normal e uma dolorosa derrota na disputa de pênaltis para o Estudiantes de La Plata. O revés, que se seguiu a um 0 a 0 no jogo de ida, não apenas encerrou o sonho rubro-negro de mais um título continental, mas também desmoralizou de forma contundente a perigosa narrativa do “já ganhou” que permeava o ambiente do clube e de parte da torcida, mergulhando a Nação em profunda desilusão e questionamentos sobre o planejamento e a execução tática.

A atmosfera pré-jogo no Rio de Janeiro já carregava o peso de uma semifinal continental. Com o placar zerado na Argentina, a expectativa era de um Maracanã pulsante, empurrando o time rumo à final. No entanto, a mobilização fervorosa dos torcedores do Estudiantes, que fizeram uma grande festa na chegada dos jogadores ao Rio, já sinalizava a resiliência e a mística copeira do adversário. Os prognósticos dos comentaristas esportivos, antes da bola rolar, divergiam sobre o roteiro da partida, mas a maioria apontava para um confronto de alta intensidade e dificuldade.

As Previsões que Antecederam o Desastre

Mauro Cezar Pereira, em sua análise no UOL News Esporte, havia alertado para a necessidade de paciência por parte do Flamengo. Ele projetou um Estudiantes fechado, com uma marcação intensa, e descartou a repetição do cenário do ano anterior, quando o Flamengo abriu vantagem cedo e quase “resolveu” a eliminatória. Para Mauro Cezar, a tendência era um jogo de dificuldade, como todos os confrontos anteriores entre as equipes. Ele chegou a sugerir que o Estudiantes poderia atuar com três zagueiros, citando a liberação de nomes importantes como Marcos Rojo, Palacios e González Pírez, que estavam suspensos no jogo de ida. Embora tenha admitido que o Flamengo “até pode passar com tranquilidade”, condicionou isso a um roteiro pouco provável, reforçando a ideia de que o caminho seria “buscar bastante o gol” com o adversário fechado.

Em contraste, Danilo Lavieri apostava em uma vitória “tranquila” para o Flamengo. Sua confiança residia na volta de Jorginho, que, segundo ele, seria um “grande motor” para a equipe, capaz de mudar o ritmo e facilitar o trabalho com a bola. Lavieri reconhecia que o Estudiantes tentaria “segurar o jogo” e apostar em uma chance isolada, mas acreditava que a diferença técnica entre os elencos pesaria a favor do rubro-negro. Essa visão, otimista demais em retrospecto, não se concretizou diante da frieza e da organização argentina.

Arnaldo Ribeiro, por sua vez, alinhou-se mais à cautela de Mauro Cezar, discordando veementemente de qualquer cenário de tranquilidade. Ele previu uma partida “duríssima”, com o Estudiantes confortável no empate e acostumado a buscar classificações fora de casa. Ribeiro enfatizou que o Flamengo não teria vantagem para administrar, precisando, portanto, “ganhar o jogo para se classificar”. Sua expectativa era de um Flamengo intenso do início ao fim, mas ciente da capacidade do adversário em lidar com a pressão de uma semifinal.

O Campo de Batalha e o Desfecho Cruel

A realidade em campo, como se viu, aproximou-se mais das previsões de Mauro Cezar e Arnaldo Ribeiro. O Flamengo, apesar de ter a posse de bola, encontrou um Estudiantes extremamente bem postado defensivamente, que soube neutralizar as investidas rubro-negras e fechar os espaços. A paciência, tão pregada por Mauro Cezar, pareceu faltar em momentos cruciais, ou talvez a estratégia de furar o bloqueio não tenha sido eficaz o suficiente. O 0 a 0 persistiu no placar, levando a decisão para a temida disputa de pênaltis, um palco onde a mística e a frieza muitas vezes superam a técnica.

E foi nos pênaltis que a tragédia rubro-negra se consumou. O goleiro quarentão Muslera, do Estudiantes, que já havia vivido dramas na Copa do Mundo, emergiu como o grande algoz, com defesas decisivas que remeteram à “mística copeira” e a atuações memoráveis de outros arqueiros sul-americanos. A pressão do momento pesou sobre os jogadores do Flamengo. Paquetá, um dos nomes mais importantes do elenco, ficou “desolado” após a eliminação e desabafou, admitindo ter “falhado quando não podia”. A estratégia de “corre e chuta” adotada por Jorginho e Paquetá na hora das cobranças foi alvo de críticas da torcida, conforme apontado por Bira, evidenciando a tensão e a falta de clareza nos momentos decisivos. O técnico Jardim, por sua vez, teve que explicar suas escolhas para a disputa de pênaltis, admitindo o “impacto emocional” da queda.

O Impacto Emocional e a Desmoralização do ‘Já Ganhou’

A eliminação do Flamengo não foi apenas um resultado esportivo; foi um golpe profundo na moral do clube e de sua torcida. Bruno Henrique lamentou que a equipe “não conseguiu concluir em gol”, um reflexo da ineficácia ofensiva diante de um adversário fechado. Nem mesmo o retorno de Arrascaeta, acionado para tentar mudar o panorama, foi suficiente para evitar a queda. A derrota nos pênalltis, em casa, para um time que muitos consideravam inferior tecnicamente, serviu para “desmoralizar o ‘já ganhou'”, uma mentalidade perigosa que muitas vezes precede grandes decepções no futebol.

Enquanto o Flamengo chorava, o Palmeiras, seu arquirrival, celebrava. Com a eliminação rubro-negra, o caminho para a final da Libertadores ficou aberto para o alviverde, que rapidamente provocou o Flamengo com a mensagem “Bons ventos”, confirmando sua vaga na decisão contra o próprio Estudiantes. A final da Libertadores, portanto, será entre Palmeiras e Estudiantes, em data e local a serem confirmados, mas já com a certeza de que um time argentino, com sua garra e mística, conseguiu superar um gigante brasileiro que se viu preso na armadilha da autoconfiança excessiva.

A vexatória eliminação do Flamengo serve como um doloroso lembrete de que no futebol, especialmente na Libertadores, a história, a camisa e o favoritismo prévio não garantem nada. A paciência, a estratégia bem definida e a frieza nos momentos cruciais são tão ou mais importantes que o talento individual. O clube agora terá que lidar com as consequências dessa queda, reavaliar seu elenco, sua comissão técnica e, acima de tudo, a cultura de “já ganhou” que, mais uma vez, provou ser um veneno para as ambições rubro-negras.

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