**Brasília, 21 de outubro de 2026, 05:12** – Em um movimento que reverberou intensamente nas redes sociais e no debate político nacional, o deputado federal eleito Guilherme Cortez (PSOL-SP) emitiu um grave alerta na última segunda-feira, 19 de outubro de 2026, traçando paralelos históricos contundentes entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, e o ex-presidente Fernando Collor de Mello. A manifestação de Cortez, veiculada em vídeo, visa conscientizar a população brasileira sobre os riscos de repetir escolhas políticas do passado, especialmente no contexto do segundo turno da eleição presidencial deste ano, que coloca Flávio Bolsonaro em disputa direta com o atual presidente Lula (PT). A comparação, detalhada e incisiva, foca em padrões de ascensão política, discursos e potenciais desdobramentos econômicos e sociais que, segundo o parlamentar, o Brasil “não precisa viver de novo”.
A análise de Cortez inicia-se com a identificação de um perfil político que, embora se apresente como uma força de renovação, possui raízes profundas na política tradicional. O deputado do PSOL descreve uma figura que ascende ao cenário nacional como um “jovem político tentando ser presidente do Brasil”, carregando um “sobrenome conhecido” e sendo “filho de deputado”. A crítica se aprofunda ao apontar que essa figura “nunca trabalhou na vida e sempre viveu da política”, características que, segundo Cortez, ecoam a trajetória de Collor. O discurso adotado por essa figura é classificado como “truculento”, prometendo “acabar com privilégios”, um apelo que, no passado, gerou “muitas expectativas da população” e garantiu “maioria no Congresso”. Essa combinação de fatores, para Cortez, cria um cenário de vulnerabilidade para a repetição de erros históricos, onde a promessa de mudança radical pode mascarar a continuidade de práticas políticas arraigadas e perigosas.
A memória histórica evocada por Cortez não se limita ao perfil do líder, mas se estende à composição e à atuação da equipe econômica que o acompanha. O parlamentar paulista fez questão de relembrar a presença de uma “ministra da Fazenda com personalidade forte”, cuja promessa era “ajustar as contas públicas custe o que custasse”. Contudo, a realidade se mostrou drasticamente diferente, com a ministra anunciando, no “primeiro dia de mandato”, que os cortes prometidos seriam, na verdade, “contra o povo”, culminando no confisco da poupança de um país inteiro. Este evento, um dos mais traumáticos da história econômica recente do Brasil, serve como um ponto central na advertência de Cortez, sublinhando a fragilidade das promessas de austeridade quando confrontadas com a realidade da gestão pública e os interesses da população. A menção à personalidade forte da ministra e à sua promessa de ajuste a qualquer custo reforça a ideia de uma abordagem intransigente que, no passado, teve consequências devastadoras para milhões de brasileiros.
Os desdobramentos econômicos e sociais da gestão de Collor, destacados por Cortez, pintam um quadro sombrio de crise e instabilidade. O deputado enfatizou que o presidente em questão “fez a inflação bater 82% no seu governo”, um índice que corroeu o poder de compra das famílias e desorganizou a economia. Paralelamente, os “salários estagnados” e a queda de “4% no PIB” (Produto Interno Bruto) resultaram em um cenário de recessão profunda. Empresas de diversos setores “quebraram”, incapazes de suportar o ambiente econômico adverso, enquanto cidadãos comuns enfrentavam dificuldades extremas, como “gente sem conseguir sacar dinheiro no banco para comprar remédio”. Este detalhe, em particular, ilustra a dimensão humana da crise, onde a política econômica impactou diretamente a capacidade das famílias de acessar bens e serviços essenciais, gerando um sofrimento generalizado e uma profunda sensação de desamparo.
Além da catástrofe econômica, a gestão de Collor foi marcada por escândalos de desvio de recursos públicos, que culminaram na revelação de um esquema de corrupção em larga escala. Cortez não hesitou em afirmar que o presidente, que inicialmente se apresentava como um “bom moço”, “de bom moço não tinha nada”, e que “descobriu-se depois que era um dos maiores corruptos da história do país”. Essa revelação de corrupção, que minou a confiança da população nas instituições e na classe política, adiciona uma camada de gravidade à comparação, sugerindo que a retórica anticorrupção pode, por vezes, ser uma fachada para práticas ilícitas ainda mais profundas. A desilusão popular com a figura que prometia moralizar a política foi um fator crucial para a mobilização que se seguiu.
O desfecho daquele período histórico, conforme recordado por Guilherme Cortez, foi a mobilização da sociedade civil. Um “grande movimento popular precisou sair às ruas e derrubar o seu governo, antes que ele quebrasse o país inteiro”. Essa lembrança serve como um poderoso chamado à ação e à vigilância democrática. O parlamentar do PSOL direciona seu apelo às novas gerações, que talvez não tenham vivido diretamente aqueles anos, mas cujos “pais, tios e avós não esquecem”. Ele as incentiva a “perguntar para eles”, buscando na memória coletiva a lição de que “o Brasil não precisa viver isso de novo”. A mensagem final é um convite à reflexão crítica e à conscientização antes da decisão final nas urnas, reforçando a importância de aprender com o passado para construir um futuro diferente. A advertência de Cortez, portanto, transcende a mera comparação política, transformando-se em um apelo à responsabilidade cívica e à preservação da memória histórica como ferramenta para evitar a repetição de ciclos de crise e desilusão. A polarização atual e a iminência de uma escolha crucial no segundo turno intensificam a relevância e a urgência dessa mensagem.