O advogado Willer Tomaz, figura conhecida por sua proximidade com o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), encontra-se no epicentro de uma complexa e multifacetada investigação da Polícia Federal. As apurações revelaram que Tomaz movimentou uma quantia milionária, especificamente R$ 4,8 milhões, na plataforma de apostas online Bet7K, que se tornou alvo da Operação Narco Bet em novembro de 2025 sob a grave suspeita de ser utilizada para lavagem de dinheiro oriundo do Primeiro Comando da Capital (PCC). Paralelamente, o jurista também é investigado por transações que somam R$ 1,4 bilhão na casa de apostas Blaze, com a PF suspeitando que ambos os fluxos financeiros funcionavam como estratégia para dissimular e ocultar a procedência e o destino final de valores, levantando sérias questões sobre a integridade financeira e as conexões políticas envolvidas, culminando em uma recente decisão judicial desfavorável ao advogado em 16 de outubro de 2026.
### A Teia da Bet7K e a Operação Narco Bet
A plataforma Bet7K, gerida pela organização Ana Gaming, emergiu como um ponto focal nas investigações da Polícia Federal. A Operação Narco Bet, deflagrada em novembro de 2025, desvendou um intrincado esquema de lavagem de capital, apontando para a utilização da plataforma para movimentar recursos ilícitos do PCC. Neste cenário, o advogado Willer Tomaz surge como um dos principais personagens, tendo movimentado uma quantia expressiva de R$ 4,8 milhões. Registros do Ministério da Fazenda detalham que a transação inicial de Tomaz consistiu em um aporte de R$ 1,3 milhão, que, por meio de apostas e jogos eletrônicos, expandiu-se para uma movimentação total de R$ 4,3 milhões na Bet7K. Desse montante, o advogado efetuou o resgate de R$ 426 mil. A relevância da Bet7K no cenário nacional é sublinhada pelo fato de a plataforma ter figurado, inclusive, como patrocinadora oficial do Santos Futebol Clube, conferindo-lhe uma fachada de legitimidade que agora é questionada pelas autoridades.
As investigações aprofundadas da Polícia Federal revelaram a engenharia financeira por trás da Bet7K. A estrutura para custear a obtenção das licenças de funcionamento da plataforma foi, segundo as apurações, montada por Rodrigo de Paula Morgado, indivíduo apontado como o responsável pela contabilidade do PCC. O levantamento investigativo também mapeou repasses milionários em criptoativos, realizados por fora do sistema bancário e financeiro tradicional, o que dificulta o rastreamento e a fiscalização. Esse fluxo de valores envolvia diretamente o contador do PCC, a estrutura da Ana Gaming e Gustavo Afonso Ribeiro e Lacerda, conhecido pelas alcunhas de “Feio” e “Brabo”, associado pela Polícia Federal à gestão da plataforma. A complexidade dessas transações e a participação de figuras ligadas ao crime organizado reforçam a gravidade das acusações de lavagem de dinheiro que pesam sobre a Bet7K e, por extensão, sobre as movimentações de Willer Tomaz na plataforma.
### A Conexão Política e o Enigma da Blaze
A proximidade de Willer Tomaz com o senador Flávio Bolsonaro não passou despercebida pelos investigadores, adicionando uma camada de complexidade e sensibilidade política ao caso. Essa conexão ganha ainda mais relevância diante de outra frente apuratória que envolve o advogado: a movimentação de R$ 1,4 bilhão na casa de apostas Blaze. A Polícia Federal suspeita que tanto os palpites efetuados no portal quanto os fluxos de valores transacionados entre múltiplas contas associadas a Willer funcionavam como uma sofisticada estratégia para dissimular e ocultar a procedência e a destinação final das quantias. Essa modalidade de “lavagem” através de apostas online, onde grandes volumes de dinheiro são movimentados para simular ganhos ou perdas legítimas, é uma tática conhecida no submundo do crime organizado para dar uma aparência legal a fundos ilícitos. A investigação busca determinar se os recursos movimentados por Tomaz na Blaze também possuem origem ou destino criminoso, e qual seria o papel exato do advogado nesse esquema.
### A Defesa da Ludopatia e a Decisão Judicial
Diante do Judiciário, Willer Tomaz apresentou uma linha de defesa que buscou atribuir suas vultosas movimentações financeiras a uma patologia: a ludopatia, caracterizada pelo vício compulsivo em jogos. O advogado sustentou a existência de inconsistências na operação da Blaze, utilizando esses argumentos para fundamentar uma ação judicial em que pleiteava a restituição de R$ 163 milhões cobrados da empresa. Contudo, o pedido de Tomaz foi rejeitado pela Justiça de São Paulo na sexta-feira, 16 de outubro de 2026. Na decisão, o magistrado Guilherme Madeira Dezem, titular da 44ª Vara Cível da capital paulista, salientou detalhes que contradizem a imagem de um apostador comum. O juiz destacou que o autor do processo havia requisitado tratamento e condições sob medida para efetuar apostas de valores astronômicos, solicitando, inclusive, a disponibilização de mesas privadas de blackjack. Essa observação judicial sugere que as atividades de Tomaz na Blaze iam muito além de um vício descontrolado, indicando um comportamento calculado e privilegiado dentro da plataforma.
A rejeição do pedido de restituição pela Justiça de São Paulo representa um revés significativo para a defesa de Willer Tomaz e reforça a seriedade das investigações em curso. A alegação de ludopatia, embora uma condição real, foi confrontada com evidências de um padrão de apostas que demandava tratamento VIP e condições especiais, o que levanta dúvidas sobre a genuinidade do argumento como única explicação para as transações bilionárias. A decisão judicial, somada às apurações da Operação Narco Bet, coloca o advogado em uma posição cada vez mais delicada, com as autoridades buscando desvendar a real natureza de suas movimentações financeiras e suas possíveis conexões com o crime organizado. O desdobramento desses casos promete continuar no radar da opinião pública e das autoridades, com potenciais implicações para o cenário político e jurídico brasileiro.