A Retórica Inusitada de Trump: Elogios e Críticas à Aparência Masculina Marcam Campanha das Midterms 2026

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Às vésperas das cruciais eleições de meio de mandato dos Estados Unidos em 2026, o ex-presidente Donald Trump tem adotado uma estratégia de campanha peculiar e, para muitos, desconcertante. Em vez de focar exclusivamente em temas tradicionais e urgentes como a inflação crescente ou a política externa, Trump tem dedicado uma parte significativa de seus discursos em comícios por todo o país a comentários efusivos sobre a aparência física de homens, sejam eles aliados políticos, adversários ou até mesmo membros das Forças Armadas. Essa abordagem, que oscila entre elogios grandiosos e críticas mordazes, tem se tornado uma marca registrada de sua retórica neste período eleitoral de alto risco, levantando questões sobre as prioridades de sua mensagem e o impacto em um eleitorado dividido.

A mensagem de um líder durante uma campanha de alto risco é, por natureza, crucial. Espera-se que um ex-presidente, ainda uma figura central na política republicana, concentre seus esforços em persuadir os americanos sobre questões de política pública, como o controle da alta dos preços ou o fim de conflitos internacionais. No entanto, Trump tem optado por um caminho diferente, revelando um fascínio de longa data pela estética masculina. Ele frequentemente descreve homens que o agradam visualmente como se tivessem “saído diretamente de uma seleção de elenco de Hollywood” – a expressão original “central casting” – uma metáfora que ele tem empregado com crescente frequência e entusiasmo nos últimos meses.

O Elogio Efusivo: De Candidatos a Atletas

A disposição de Trump para se entusiasmar com o corpo masculino tem sido notável. Em um comício em Highland Heights, Kentucky, no último sábado, o ex-presidente rapidamente se lembrou de seu encontro com Ed Gallrein, candidato republicano local à Câmara dos Representantes. Trump descreveu Gallrein como alguém que parecia ter saído de um “central casting” e exclamou: “Olhem só para esse homem bonito”. Gallrein, que derrotou um crítico de Trump nas primárias de maio, foi claramente favorecido pela aprovação estética do ex-presidente.

Ainda no Kentucky, e posteriormente em Ohio, Trump voltou sua atenção para o senador Jon Husted, de Ohio. Após descobrir que Husted jogara futebol americano na faculdade, Trump confessou ter examinado minuciosamente o físico do senador. “Nunca tinha feito isso com um homem antes”, disse Trump, detalhando: “Examinei a bunda dele e depois olhei para os ombros. Olhei para os pés. Olhei para a mão. Olhei para o contorno do maxilar. Estudei o cara. Ele tem um maxilar marcante.” Em um comício posterior, Trump reiterou a observação, dirigindo-se diretamente a Husted no palco: “Parabéns. Agora finalmente todo mundo sabe.” Sem apresentar provas, Trump chegou a afirmar que Husted, que enfrenta uma disputa acirrada, havia ganhado “nove ou dez pontos desde que falei sobre isso”.

Na Geórgia, durante um comício em Dalton na última sexta-feira, Trump não demorou a avaliar os atributos físicos de Jon Ossoff, senador democrata, e de seu adversário republicano, o deputado Mike Collins. Enquanto Collins foi elogiado como um “homem bonito e másculo de verdade”, Ossoff recebeu uma avaliação menos lisonjeira. Em seguida, Trump elogiou Rick Jackson, candidato republicano ao governo da Geórgia, como um “cara muito bonito, distinto, de aparência maravilhosa”.

A admiração de Trump pela forma física não se limitou ao cenário político. Em seus discursos, ele frequentemente faz referência às Forças Armadas, afirmando que, como presidente, teve a oportunidade de interagir com soldados que pareciam ter saído de um “central casting”. “Agora podemos ter soldados grandes, fortes e bonitos”, disse ele, acrescentando que “não seria possível contratar homens com uma aparência tão boa”, uma experiência que, segundo ele, não teve na Trump Tower.

O quarterback do New York Giants, Jaxson Dart, também foi alvo dos elogios de Trump. Em maio, em Suffern, Nova York, Dart apresentou o ex-presidente. Em seu discurso, Trump comparou Dart ao secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmando que Lutnick “tem boa aparência, é bonito — razoavelmente”, mas “não se parece com Jaxson”. Trump concluiu: “Eu preferiria ter a aparência de Jaxson. Escolheria Jaxson qualquer dia.” Quando Dart se lesionou no mês passado, Trump expressou votos de recuperação, recordando com carinho o “grande talento, um cara bonito, muito bonito” que o havia apresentado.

Em maio, na cerimônia de formatura da Academia da Guarda Costeira dos Estados Unidos, Trump demonstrou-se impressionado com alguns formandos. Ao convidar o aluno com o melhor desempenho acadêmico ao palco, ele disse: “Quero dar uma olhada nele”, e em seguida, brincou: “Odeio homens bonitos.” Pouco depois, ao parabenizar o mesmo aluno por seu desempenho nos testes físicos, Trump exclamou: “Uau, esse cara deve ser impressionante. Acho que vamos ter que convidá-lo para subir aqui. Suba aqui, por favor. Quero ver. Quero dar uma olhada nele.”

As Críticas e a Linha Tênue da Lealdade

Nem mesmo os aliados mais próximos de Trump escaparam de suas avaliações críticas. Durante a convenção republicana de meio de mandato em Dallas, no mês passado, o ex-presidente deixou clara sua desaprovação pela aparência do candidato republicano ao Senado pelo Texas, Ken Paxton. “Algumas pessoas talvez não gostem da maneira como ele se veste — Eu não gosto”, disse Trump. Ele continuou: “Talvez ele não seja o homem mais bonito que já vi.” Apesar da crítica, Trump pediu a seus apoiadores que votassem em Paxton, justificando: “Mas sabem o que ele é? É o melhor procurador-geral dos Estados Unidos.” Trump chegou a mencionar que seus assessores o haviam desaconselhado a comentar a aparência de Paxton, mas ele insistiu que precisava fazê-lo porque “é verdade”.

A avaliação de Jon Ossoff, senador democrata da Geórgia, foi ainda mais contundente. Após elogiar Mike Collins, seu adversário republicano, Trump afirmou: “Não acho que ele [Ossoff] seja bonito. Na verdade, acho que Mike Collins é um homem bonito e másculo de verdade. Másculo de verdade. Não tenho tanta certeza quanto a Ossoff.” O ex-presidente chegou a comparar Ossoff a Pee-wee Herman, o personagem cômico de gravata-borboleta.

A comparação com Howard Lutnick, secretário de Comércio, também ilustra a natureza direta das avaliações de Trump. Embora Lutnick tenha sido descrito como “bonito — razoavelmente”, a preferência explícita por Jaxson Dart, o quarterback, sublinhou a hierarquia estética que Trump parece estabelecer em seus discursos.

Implicações de uma Estratégia Inusitada

A disposição de Donald Trump em desviar o foco de questões políticas substanciais para a aparência física de homens em seus comícios é uma característica marcante de sua campanha para as eleições de meio de mandato de 2026. Em um cenário político já polarizado e com desafios econômicos e sociais prementes, a escolha de Trump de se engajar em discursos “muitas vezes divagantes” e “sem seguir um roteiro” levanta questões sobre a eficácia de sua comunicação e o que ele busca transmitir ao eleitorado. Enquanto alguns podem ver isso como parte de seu estilo imprevisível e autêntico, outros podem interpretá-lo como uma distração de debates mais sérios, ou até mesmo como uma forma de reforçar uma imagem de masculinidade e força, elementos frequentemente presentes em sua retórica política. A reta final desta campanha promete continuar a ser moldada por essa abordagem singular, que desafia as convenções da política tradicional e mantém os observadores atentos às suas próximas declarações.

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