Exército Brasileiro Avança em Contrato Bilionário para Obuseiros ATMOS com Avibras sob Nova Gestão Batista, Reacendendo Debates sobre Influência e Transparência

Capa
O Exército Brasileiro está prestes a assinar, no próximo dia 27 de outubro de 2026, o contrato para a aquisição do lote experimental de obuseiros autopropulsados ATMOS, um sistema desenvolvido pela israelense Elbit Systems. Este passo crucial, que visa modernizar o apoio de fogo da Força Terrestre, representa o desfecho de um impasse de quase dois anos, viabilizado por um memorando de entendimento entre a Avibras Aeroco e a AEL Sistemas, subsidiária brasileira da Elbit. Contudo, a recente aquisição da Avibras pela Globe Investimentos, holding dos empresários Joesley e Wesley Batista, anunciada em 15 de outubro, adiciona uma camada de complexidade e controvérsia ao negócio, avaliado em cerca de R$ 1 bilhão para a aquisição total de 36 obuseiros. A negociação para a compra do ATMOS, escolhido pelo Exército em abril de 2024 para o programa de Viatura Blindada de Combate Obuseiro Autopropulsado 155 mm Sobre Rodas, permaneceu paralisada em meio a tensões políticas e diplomáticas relacionadas à guerra na Faixa de Gaza e às relações entre Brasil e Israel. O modelo de aquisição prevê inicialmente a compra de duas unidades para avaliações técnicas e operacionais no Brasil. A aprovação bem-sucedida desta etapa experimental é a condição para que o contrato avance para a aquisição das 34 unidades restantes, garantindo a verificação do desempenho e adequação do equipamento antes de sua incorporação em larga escala. A entrada da Avibras nas tratativas foi um fator determinante para destravar o processo. A empresa brasileira, conhecida por seu portfólio que inclui o sistema ASTROS, mísseis, foguetes e veículos especiais, firmou um acordo para participar do negócio, com a expectativa de realizar a montagem e a integração dos sistemas no Brasil, possivelmente utilizando suas instalações industriais em Jacareí, no interior de São Paulo. Essa participação industrial nacional é vista como um caminho para criar demanda por integração, manutenção e suporte ao longo da vida útil dos equipamentos, embora o alcance desses benefícios dependa das responsabilidades efetivamente atribuídas às empresas nacionais nos instrumentos contratuais. A reviravolta mais recente e que gerou intenso debate público foi a conclusão da aquisição da Avibras Aeroco pela Globe Investimentos, anunciada oficialmente em 15 de outubro de 2026. A Globe, uma holding de investimentos pessoais dos irmãos Joesley e Wesley Batista, tornou-se a única acionista da Nova AVB, controladora integral da Avibras, mantendo o capital da fabricante sob controle nacional. A nova administração da Avibras declarou a intenção de ampliar a produção e recuperar mercados de exportação. A presença dos irmãos Batista, no entanto, reacende um histórico de controvérsias que permeia o cenário político-econômico brasileiro. Comentários em fóruns de discussão e análises de especialistas apontam para “esquemas e mais esquemas” envolvendo os empresários e governos anteriores. Durante as gestões de Lula e Dilma Rousseff, o grupo JBS, ligado aos Batista, experimentou um crescimento exponencial, impulsionado por aportes bilionários e empréstimos subsidiados do BNDES, muitas vezes intermediados por figuras governamentais. As delações premiadas de Joesley Batista, por exemplo, revelaram que o grupo teria gerado cerca de US$ 150 milhões em propinas, divididas entre os períodos dos governos Lula e Dilma, depositadas em contas no exterior para beneficiar lideranças e campanhas do Partido dos Trabalhadores. O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi apontado como o principal interlocutor do esquema nas negociações de propinas e aportes financeiros junto à cúpula do partido e ao BNDES. Outros nomes citados nas delações e investigações incluem Antonio Palocci e João Vaccari Neto. As investigações do Tribunal de Contas da União (TCU) estimaram em mais de R$ 700 milhões os prejuízos causados aos cofres públicos em operações do BNDES com o grupo JBS. É importante notar que as delações dos empresários também atingiram dezenas de políticos de outros partidos, como PSDB e MDB, incluindo Michel Temer e Aécio Neves, demonstrando a amplitude das ramificações. Embora haja quem aponte que algumas dessas acusações foram desmentidas ou carecem de provas, o debate público sobre a ética e a transparência em grandes negócios envolvendo o Estado e grupos econômicos permanece aceso. A discussão sobre a participação de grandes grupos privados em setores estratégicos como a indústria de defesa, especialmente quando há um histórico de controvérsias, levanta questões sobre a política industrial de estado. Enquanto alguns defendem a necessidade de uma política industrial robusta para o desenvolvimento nacional, outros criticam a intervenção estatal, apontando para o risco de prejuízos anuais com estatais ou compras superfaturadas e direcionadas. A polarização é evidente, com defensores e críticos de diferentes abordagens econômicas e políticas. O obuseiro ATMOS, por sua vez, é um sistema de artilharia moderno e de alta capacidade. Combina um obuseiro de 155 mm com tubo de 52 calibres e uma plataforma sobre rodas, conferindo-lhe mobilidade tática superior. Segundo a Elbit Systems, o equipamento dispõe de navegação e pontaria automatizadas, recursos de carregamento e integração com sistemas de comando e controle, além da capacidade de empregar munições guiadas. Sua mobilidade permite deslocar a peça entre posições de tiro com maior rapidez, característica relevante para reduzir a exposição da artilharia à reação adversária. A incorporação desses novos obuseiros deverá ampliar significativamente o apoio de fogo da Força Terrestre, um objetivo estratégico para a defesa nacional. Paralelamente, o debate público se estende a detalhes técnicos e operacionais, como a utilidade da numeração de série em projéteis. Enquanto alguns argumentam que a numeração de munições é inócua e apenas encarece a produção, sem eficácia real na identificação de criminosos – já que munições são furtadas, roubadas, perdidas ou recarregadas, e a identificação individual é complexa –, outros veem valor em qualquer rastreabilidade. A maioria concorda que o raiamento da arma é a “digital” mais eficaz para a identificação. A complexidade do cenário se acentua com as projeções políticas futuras. Comentários sugerem que um futuro governo, independentemente de sua orientação, enfrentará desafios econômicos significativos, com previsões de “tisouraço” e aperto fiscal. A expectativa é que a influência de grupos econômicos junto ao governo central possa garantir pedidos e entregas, o que, para alguns, é preferível à inação, enquanto para outros, representa a perpetuação de “esquemas”. Em suma, a iminente assinatura do contrato do ATMOS pelo Exército Brasileiro é um marco para a modernização militar, mas está intrinsecamente ligada a uma teia de interesses industriais, históricos de controvérsias financeiras e debates políticos sobre o papel do Estado e do setor privado na economia brasileira. A participação da Avibras sob a nova gestão dos irmãos Batista coloca o negócio sob um escrutínio ainda maior, exigindo máxima transparência e fiscalização para garantir que os benefícios da modernização militar não sejam ofuscados por questionamentos sobre a integridade dos processos.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *