O Inferno é Real: A Profunda Rivalidade de Ohio que Incendeia a Major League Soccer

Nesta noite de 18 de outubro de 2026, o TQL Stadium em Cincinnati será palco de um dos confrontos mais intensos do futebol norte-americano: o “Hell is Real derby”, que coloca frente a frente o FC Cincinnati e o Columbus Crew, duas equipes de Ohio cuja rivalidade transcende o campo, enraizada em uma placa religiosa icônica e uma década de disputas acirradas na Major League Soccer. O embate, que será transmitido pela Apple TV, não é apenas mais um jogo na tabela, mas um capítulo crucial na história de uma das mais recentes, porém profundamente enraizadas, divisões no cenário esportivo dos Estados Unidos, onde a tradição do Crew colide com a ascensão do Cincinnati.
A alcunha “Hell is Real” (O Inferno é Real) para este derby não é uma invenção de marketing esportivo, mas uma referência direta a um marco visual inconfundível e amplamente conhecido. Uma imponente placa religiosa, visível da Interestadual 71, que conecta as duas metrópoles de Ohio, exibe a mensagem “HELL IS REAL” em letras maiúsculas brancas e ousadas, com a letra “H” em vermelho, sobre um fundo preto austero. Localizada em meio às terras agrícolas do Condado de Madison, entre Columbus e Cincinnati, a frase rapidamente foi adotada pelos torcedores nas redes sociais, especialmente no Twitter, e se tornou o grito de guerra e o nome oficial para a rivalidade. A ironia e a intensidade da mensagem ressoaram com a paixão dos fãs, transformando um símbolo religioso em um emblema esportivo.
O presidente do FC Cincinnati, Jeff Berding, capturou a essência dessa apropriação cultural ao explicar: “Obviamente, em uma rivalidade apaixonada e estadual, talvez o perdedor sinta que foi para o Inferno”. Essa percepção sublinha a profundidade emocional que o derby evoca, onde a derrota não é apenas um revés tático, mas uma experiência quase existencial para os envolvidos. A placa, antes um ponto de reflexão religiosa, tornou-se um lembrete constante da batalha que se desenrola a cada encontro entre as duas equipes, um símbolo que transcende o esporte e se enraíza na paisagem e na cultura local.
Até 2026, a Major League Soccer reconhece 13 derbies oficiais, confrontos que se destacam no calendário por sua capacidade de criar divisões profundas entre torcedores ou por desenvolver rivalidades intensas após derrotas dolorosas, controversas ou perdas de copas. Enquanto alguns desses clássicos remontam à fundação da liga em meados dos anos 90, a maioria das rivalidades é relativamente nova, emergindo à medida que o torneio se expande e novas franquias são incorporadas. O “Hell is Real derby” se insere nesse contexto de novas rivalidades, tendo fervilhado silenciosamente em Ohio ao longo da última década, consolidando-se como uma das datas-chave na lista de jogos da MLS.
As duas áreas metropolitanas, Columbus e Cincinnati, embora separadas por apenas 90 milhas, possuem suas próprias idiossincrasias, características e diferenças, tanto dentro quanto fora dos gramados. Essa distinção cultural e social entre as cidades alimenta a rivalidade, transformando-a em um espelho das identidades regionais. No centro dessa disputa estão duas equipes com histórias e trajetórias distintas na liga, que representam a velha guarda e a nova onda do futebol norte-americano.
De um lado, o Columbus Crew, um dos membros fundadores da MLS, ostenta uma história que se estende por mais de três décadas. O Crew é uma das equipes mais condecoradas da liga, acumulando nove grandes troféus, incluindo três MLS Cups, três Supporters’ Shields e uma League Cup. Para seus torcedores e para a própria instituição, eles são a equipe dominante de Ohio, e o estado veste as cores preto e dourado. Essa tradição e sucesso conferem ao Crew uma aura de autoridade e um senso de propriedade sobre o futebol na região, vendo-se como o padrão ouro a ser alcançado.
Em contraste, o FC Cincinnati é visto como o “novato no bloco”, tendo se tornado uma franquia de expansão em 2018 e feito sua estreia na MLS em 2019. Sua chegada à liga trouxe uma nova energia e uma base de fãs apaixonada, mas também a necessidade de provar seu valor contra os gigantes estabelecidos. Essa dinâmica de “novo contra velho” é um componente central da rivalidade, com o Cincinnati buscando desafiar a hegemonia do Crew e estabelecer sua própria identidade e legado na liga.
O momento que verdadeiramente acendeu a chama da rivalidade ocorreu em 10 de agosto de 2019, no primeiro encontro entre as duas equipes, em Columbus. O FC Cincinnati chocou os anfitriões ao abrir uma vantagem de dois gols em apenas 25 minutos de jogo, um feito que reverberou por toda a liga. No entanto, o Columbus Crew demonstrou sua resiliência e experiência: Gyasi Zardes diminuiu a diferença cobrando um pênalti, e Pedro Santos empatou o placar no minuto seguinte, aos 60 minutos. Esse jogo de reviravoltas, com a promessa de uma vitória surpreendente do novato e a recuperação dramática do veterano, solidificou a base para uma rivalidade que prometia ser épica.
Desde aquele primeiro confronto eletrizante, as duas equipes se enfrentaram um total de 22 vezes até o presente momento, com 18 jogos pela temporada regular e quatro nos playoffs. O balanço geral pende a favor do Columbus Crew, que acumula 10 vitórias contra seis do FC Cincinnati, com os demais jogos terminando em empate. Essa estatística, embora favorável ao Crew, não diminui a intensidade de cada novo encontro, onde a história e o placar anterior muitas vezes são deixados de lado em favor da paixão e da urgência do momento.
A próxima edição desta rivalidade de futebol de Ohio, que ocorre ainda hoje, promete ser mais um capítulo emocionante. O TQL Stadium, casa do FC Cincinnati, será o palco onde a tradição do Columbus Crew enfrentará a ambição do Cincinnati. Para os fãs de futebol, tanto nos Estados Unidos quanto globalmente, o “Hell is Real derby” é um lembrete de como o esporte pode transcender o campo, incorporando elementos culturais, geográficos e históricos para criar uma narrativa rica e envolvente. É um testemunho da capacidade da Major League Soccer de gerar rivalidades autênticas e apaixonadas, que capturam a imaginação e o coração dos torcedores, transformando cada jogo em uma experiência inesquecível, onde o “inferno” pode ser, de fato, muito real para o lado perdedor.