Keiko Fujimori Impõe Mão de Ferro: Novas Regras Rígidas Transformam Escolas Públicas do Peru

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Na última segunda-feira, a presidente do Peru, Keiko Fujimori, anunciou um conjunto de novas e rigorosas normas de conduta para as escolas públicas do país. As medidas, que visam combater a violência, o bullying e o assédio sexual, além de impor um código de vestimenta e comportamento mais estrito, surgem como uma resposta direta à crescente indignação pública após graves incidentes de agressão entre estudantes, prometendo restaurar a ordem e a disciplina nas instituições de ensino peruanas. A iniciativa da presidente Fujimori reflete uma postura de “mão de ferro” que marcou sua campanha e os primeiros meses de seu governo, eleita em 7 de junho de 2026, em sua quarta tentativa de chegar ao cargo máximo do país. Sua plataforma, centrada na promessa de usar as Forças Armadas contra o crime e de restabelecer a segurança, agora se estende ao ambiente educacional. As novas diretrizes preveem a expulsão de alunos envolvidos em casos graves de violência, uma medida que havia sido flexibilizada e agora retorna com força total, sinalizando uma tolerância zero para comportamentos disruptivos e agressivos. Além do combate direto à violência, as regras abordam aspectos da apresentação pessoal dos estudantes, gerando debate sobre a liberdade individual versus a disciplina institucional. Maquiagem, unhas pintadas, cabelos tingidos ou excessivamente longos e o uso de aparelhos eletrônicos em sala de aula sem autorização expressa do professor estão agora proibidos. O ministro da Educação do Peru, José Antonio Chang, detalhou que as saias escolares deverão ter um comprimento adequado, reforçando a intenção de padronizar a aparência e promover um ambiente mais formal e focado nos estudos.

Essas normas, que ainda passarão por um período de contribuições da sociedade civil antes de sua implementação definitiva, são apresentadas por Fujimori como um passo essencial para “promover um debate sobre a disciplina nas instituições de ensino e estabelecer uma resposta mais firme a episódios de violência entre estudantes”. A presidente enfatizou a necessidade de estender a ordem das ruas para as salas de aula, declarando: “A ordem não é apenas nas ruas, ela também precisa retornar às nossas escolas, às nossas salas de aula”. Ela sublinhou a importância de entender que, embora existam direitos, também há obrigações, e que a falta de disciplina não será mais tolerada. O governo peruano deixou claro que não aceitará casos de bullying, violência ou assédio sexual nas escolas. A presidente Fujimori fez um apelo direto aos estudantes para que denunciem essas situações às autoridades educacionais, garantindo que os suspeitos serão encaminhados ao Ministério Público e à Polícia Nacional. Essa abordagem visa criar um ambiente de segurança e responsabilidade, onde as vítimas se sintam protegidas e os agressores sejam responsabilizados legalmente. As sanções e advertências serão proporcionais à gravidade das ocorrências, com critérios de gradação que podem culminar na expulsão em situações mais sérias. O ministro Chang reiterou que as novas exigências serão aplicadas a todas as instituições públicas de ensino, enquanto as escolas privadas manterão a autonomia para estabelecer suas próprias regras internas de apresentação e conduta. A distinção reflete a complexidade do sistema educacional peruano e a tentativa do governo de focar sua intervenção onde tem maior controle e responsabilidade direta. A expectativa é que, com essas medidas, o governo consiga impedir novos episódios de agressão e restaurar a confiança da população nas escolas públicas.

A urgência dessas medidas é compreendida no contexto de uma onda de indignação que varreu o país a partir de 15 de setembro. Naquela data, veio à tona a denúncia de uma suposta violência sexual contra um estudante de 16 anos durante uma viagem em um ônibus escolar. O incidente ocorreu no Liceo Naval Almirante Guise, uma instituição de prestígio administrada pela Marinha de Guerra do Peru. A repercussão foi imediata e severa, levando um tribunal de Lima a determinar quatro meses de internação preventiva para seis adolescentes envolvidos, que foram encaminhados ao Centro Juvenil de Diagnóstico e Reabilitação de Lima, conhecido popularmente como Maranguita, no distrito de San Miguel. O caso do Liceo Naval não foi um evento isolado; ele serviu como catalisador para a denúncia de outros episódios de bullying e violência em diversas escolas peruanas. Relatos de supostas práticas de racismo e elitismo dentro da própria instituição administrada pela Marinha vieram à tona, expondo feridas sociais profundas e a necessidade de uma intervenção governamental robusta. Diante da gravidade da situação e da pressão pública, o governo de Fujimori agiu rapidamente, determinando a reorganização do Liceo Naval e transferindo sua administração para o Ministério da Educação até o próximo ano. Segundo o ministro Chang, essa medida já estaria contribuindo para recuperar a ordem e a disciplina na instituição, servindo como um modelo para as reformas mais amplas. A decisão de Keiko Fujimori de intervir de forma tão contundente na educação reflete sua visão de governo, onde a ordem e a segurança são pilares inegociáveis. Sua vitória apertada nas eleições de 2026, onde superou o rival de esquerda Roberto Sánchez por uma margem mínima, deu-lhe um mandato para implementar políticas que muitos veem como autoritárias, mas que seus apoiadores consideram essenciais para a estabilidade do país. A imposição de regras rígidas nas escolas é, portanto, uma extensão lógica de sua promessa de campanha de restaurar a autoridade do Estado em todas as esferas da sociedade. Enquanto as novas normas aguardam as contribuições da sociedade civil, o debate sobre o equilíbrio entre disciplina e liberdade, entre a necessidade de segurança e o risco de cerceamento da individualidade, já está em curso. A administração Fujimori aposta que essas medidas não apenas coibirão a violência, mas também moldarão uma nova geração de cidadãos peruanos mais disciplinados e conscientes de suas obrigações. O desafio será implementar essas regras de forma justa e eficaz, garantindo que a busca pela ordem não se sobreponha aos direitos fundamentais dos estudantes e que o ambiente escolar se torne, de fato, um espaço seguro e propício ao aprendizado e ao desenvolvimento integral. A nação observa atentamente os próximos passos dessa “revolução disciplinar” na educação peruana.

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