Flávio Bolsonaro Sob Holofotes: PF Aponta Senador Como ‘Usuário Master’ de Conta Ligada a Jato de Banqueiro

Capa
Uma nova e explosiva revelação agita o cenário político brasileiro nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, às 16:01. O senador e atual candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está no centro de uma investigação da Polícia Federal (PF) que o aponta como “usuário master” de uma conta bancária vinculada a uma empresa proprietária de um terço de um jato executivo. A aeronave em questão tinha entre seus cotistas o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e as informações foram divulgadas hoje pela colunista Malu Gaspar, do jornal “O Globo”, com base em um relatório da PF que integra a apuração sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As implicações dessa suposta ligação, que Flávio Bolsonaro e seu advogado Willer Tomaz veementemente negam, são profundas e podem reverberar intensamente no pleito eleitoral. A trama se desenrola em torno da Alcazar Holdings, uma empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que tem Willer Tomaz como único sócio. Segundo o relatório da PF, a conta bancária no Santander, em nome da Alcazar, teria tido Flávio Bolsonaro vinculado a ela como “usuário master” até maio de 2025. A Alcazar, por sua vez, detinha uma participação de 33,33% na Fraction 024, a proprietária do luxuoso Embraer Legacy 650 de matrícula PP-NLR. As outras duas cotas da aeronave pertenciam a Laerte Cosentino, dono da Totvs, e à Prime You, empresa da qual Daniel Vorcaro foi sócio entre setembro de 2021 e setembro de 2025. A complexa teia de empresas e participações societárias levanta questionamentos sobre a natureza das relações entre o senador, o advogado e o banqueiro. Foi justamente nesse Embraer Legacy 650 que Flávio Bolsonaro viajou com Willer Tomaz em janeiro de 2025, em um trajeto de ida e volta entre Brasília e Fort Lauderdale, na Flórida. A viagem já havia sido revelada pela revista “Piauí” em 23 de setembro, quando o senador afirmou ter pegado carona a convite de um amigo. Tomaz, na ocasião, declarou desconhecer que a Prime You era cotista da aeronave ou que pertencia a Vorcaro. Curiosamente, a mesma aeronave transportou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, em agosto de 2025, adicionando mais um elemento de interesse público à investigação. A PF busca entender se a suposta vinculação de Flávio à Alcazar pode esclarecer as relações indiretas do senador com a Fraction 024 e, consequentemente, com o jato e seus demais proprietários. A principal evidência que sustenta a alegação da PF, conforme Malu Gaspar, provém de uma troca de e-mails recuperada do iCloud de Willer Tomaz. Em 22 de maio de 2025, Fayla Menezes, secretária do advogado, teria solicitado ao Santander a desassociação de duas contas do perfil master da Alcazar: uma identificada como “Flávio Bolsonaro” e outra como “conta PF Willer”. O banco confirmou a exclusão pouco mais de duas horas depois. Para os investigadores, o perfil de usuário master confere a Flávio um “nível elevado de acesso e gerenciamento” sobre a conta, o que “sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa”. Esta interpretação da PF é crucial para a investigação, sugerindo que o senador poderia ter um envolvimento financeiro mais profundo do que o publicamente admitido. Além da conta da Alcazar, o relatório da PF aponta que Willer Tomaz teria utilizado outra empresa, a Cathedral Holding, para adquirir passagens aéreas para Flávio Bolsonaro e seus familiares. O celular do advogado conteria reservas em jatos executivos Bombardier Challenger 350 para dois voos específicos: um entre Lisboa e Nice, em 11 de abril de 2025, com Flávio, Tomaz e suas respectivas esposas; e outro entre Cascais e Nice, em 23 de maio de 2025, com Flávio, sua mulher Fernanda Bolsonaro, as filhas, Tomaz, sua mulher Flávia Corrêa, e outros parentes. O destino final da segunda viagem, segundo a coluna, seria Mônaco. Em março de 2025, os dois também teriam realizado um safári na África do Sul, acompanhados pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA), que também é investigado no escândalo do INSS, ampliando o círculo de relações sob escrutínio. A investigação da PF também revelou que Tomaz e Flávio Bolsonaro se comunicavam por meio do Confide, um aplicativo de mensagens criptografadas que possui a funcionalidade de autodestruição e bloqueio de capturas de tela. O número do senador estaria inclusive entre os contatos favoritos do advogado, indicando uma comunicação frequente e com preocupações de privacidade que chamam a atenção dos investigadores. O uso de tais ferramentas por figuras públicas em meio a investigações levanta questões sobre a transparência e a natureza das conversas. Em resposta às acusações, a assessoria de Flávio Bolsonaro divulgou um comunicado categórico. O senador nega veementemente ter mantido qualquer conta com Willer Tomaz ou suas empresas como “usuário master”, classificando todas as afirmações nesse sentido como falsas. A defesa argumenta que o próprio e-mail apresentado pela PF comprova a indevida vinculação, uma vez que solicita justamente a desassociação. Para o senador, o pedido de exclusão apenas reforça que qualquer associação existente estava errada e precisava ser corrigida. O comunicado também critica o momento da divulgação, afirmando que “essas insinuações surgem em pleno período eleitoral e exigem responsabilidade”, e que “a divulgação de Fake News é crime eleitoral e os responsáveis deverão responder na forma da lei”. Willer Tomaz, por sua vez, também repudiou as “inverdades reiteradas na reportagem”. O advogado reafirma que mantém com Flávio Bolsonaro apenas uma relação de amizade, sem qualquer vínculo financeiro ou societário. Ele nega que os dois tenham dividido conta bancária e considera que extrair do e-mail ao Santander uma “eventual participação econômica ou societária” é uma mera “ilação”. Quanto aos deslocamentos citados, Tomaz afirma que foram viagens de lazer com as famílias, nas quais os passageiros embarcaram como convidados, sem qualquer pagamento ou contrapartida. O advogado também acusa a conversão de “conjecturas em denúncias” em plena campanha eleitoral como um propósito evidente de interferir no pleito. Por fim, ele declara que a exposição de dados sigilosos de seu celular e iCloud integra um “vazamento criminoso” já sob investigação da Polícia Federal, e que os autores responderão na Justiça. A complexidade das acusações e das defesas promete um desdobramento intenso nos próximos dias, com potencial impacto nas eleições presidenciais.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *