Vorcaro Implica Instituto Lula e Cúpula do PT em Esquema Milionário por Acesso a Fundos de Pensão

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Em uma reviravolta que abala o cenário político brasileiro, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e atualmente detido desde março sob acusações de uma das maiores fraudes bancárias do país, revelou ter negociado e efetuado pagamentos ilícitos ao Instituto Lula e para a produção de um documentário sobre o presidente, em troca de acesso privilegiado aos bilionários fundos de pensão de servidores federais. As confissões, obtidas pela VEJA e registradas em áudios e documentos, detalham um complexo esquema de propinas que, segundo Vorcaro, envolveria figuras proeminentes do Partido dos Trabalhadores, como o ex-tesoureiro João Vaccari Neto, o diretor do Instituto Lula Paulo Okamoto, o senador Jaques Wagner, e os ex-ministros Alexandre Padilha e Olavo Noleto, lançando uma sombra sobre a campanha de reeleição do presidente Lula, que até então se mantinha distante das acusações envolvendo o banqueiro.

A trama se desenrola em meio a um clima de degradação moral já estabelecido pelas investigações contra Vorcaro, conhecido por sua habilidade em cooptar poderosos através de propinas milionárias e festas luxuosas. As provas colhidas pela Polícia Federal já demonstravam sua vasta rede de contatos, abrangendo líderes partidários do PL ao PT e “irmãos” nos três Poderes. Contudo, a nova camada de revelações, que veio à tona em 09 de outubro de 2026, é particularmente explosiva, pois atinge diretamente o círculo mais próximo do presidente. Lula, que anteriormente usou o caso Vorcaro para atacar adversários como Flávio Bolsonaro – também flagrado pedindo milhões ao banqueiro para o filme “Dark Horse” –, agora se vê em uma posição delicada, com as acusações apontando para seu próprio instituto e aliados.

O Acordo com Vaccari e o Instituto Lula: 30 Milhões e a “Taxa” de 10%

De acordo com os relatos de Vorcaro, a aproximação com o PT para acessar os fundos de pensão do Banco do Brasil, Caixa Asset e Previ foi arquitetada por seu sócio, o então CEO do Master, Augusto Lima. Este, por sua vez, teria contado com a intermediação de Jaques Wagner, então líder do governo Lula no Senado, para um primeiro encontro com João Vaccari Neto. Nesse encontro, a condição para o credenciamento do Banco Master junto aos fundos foi estabelecida: um pagamento “por fora”, em espécie, de aproximadamente 30 milhões de reais. Esse valor seria destinado a cobrir despesas de um documentário sobre Lula que estava sendo gravado no exterior – o filme “Lula”, de Oliver Stone – além de outros valores não especificados diretamente ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamoto.

Em áudios obtidos pela VEJA, Vorcaro detalha a negociação: “Banco do Brasil a gente estruturou isso com ele [Vaccari]. É… O Augusto adianta ali para o Okamotto do Instituto Lula… E aí tem o negócio do filme também. O cara [Vaccari] pede para colocar dinheiro no filme do Lula.” O banqueiro chega a comparar a situação com o financiamento do filme de Bolsonaro, mas ressalta a diferença crucial: “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais [que o filme de Bolsonaro]. Eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal.” Além da quantia inicial, Vaccari teria exigido uma “taxa” de 10% sobre tudo o que o Banco Master captasse junto aos fundos de previdência da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. Se o plano tivesse sido totalmente bem-sucedido, o petismo poderia ter embolsado 1 bilhão de reais, enquanto Vorcaro lucraria 9 bilhões de reais na mesma operação.

Apesar da gravidade das alegações, a Procuradoria-Geral da República (PGR) inicialmente não levou o caso adiante, justificando a ausência de provas concretas, uma vez que os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro vivo. Contudo, a defesa de Vorcaro contra-argumentou, afirmando que o banqueiro possuiria evidências como mensagens de WhatsApp, registros das pessoas que retiraram o dinheiro e detalhes sobre as rotas e locais usados pelos operadores nas entregas. Esses detalhes foram compilados em um anexo levado à PGR em junho passado, quando uma segunda proposta de delação foi descartada.

A Rede de Influência de Padilha e Noleto no Planalto

A confissão de Vorcaro não se limita a Vaccari e ao Instituto Lula. O banqueiro também detalha o envolvimento de outros personagens graúdos do PT na busca por acesso aos fundos de pensão. Ele narra que, entre o fim de 2023 e o início de 2024, formou uma equipe interna no Banco Master para captação institucional junto a novos produtos financeiros através dos fundos de pensão do Governo Federal. Foi nesse período que ele começou a receber “propostas espúrias” e “mordidas” de políticos e seus emissários.

Nessa fase, entram em cena o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Alexandre Padilha, e seu secretário-executivo, Olavo Noleto. O contato inicial de Vorcaro com os presidentes dos fundos estatais se deu através de um operador petista identificado apenas como “Júlio”, que possuía livre acesso ao gabinete de Padilha no Planalto. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro corroboram essa versão, mostrando que Júlio apresentou o banqueiro a Olavo Noleto. A aproximação foi celebrada em uma mensagem de celular pelo empresário Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro de Lula e parceiro de Vorcaro em outros negócios: “Olavo me enviou mensagem falando que gostou muito de você”, escreveu Mares Guia.

Vorcaro relata ter ido pessoalmente ao Planalto para conhecer Padilha e ter participado de pelo menos dois jantares com o ministro enquanto tentava implementar o esquema de negócios com os fundos das estatais. Em uma dessas reuniões, com a presença de Olavo, seu primo Fernando e Júlio, Padilha teria afirmado que “o que eu tratasse com Olavo seria como se eu estivesse tratando com o próprio Padilha”. Após esse encontro, Vorcaro recebeu Júlio, Olavo e o primo deste em sua casa para uma conversa mais reservada, onde a condição para acessar fundos como Previ, Petros e Postalis foi explicitada: “só haveria um jeito de entrar na Previ, Petros e Postalis: mediante pagamento de propina também na ordem de 10% de tudo o que o banco captasse”.

Com a condição estabelecida, Júlio passou a atuar em favor de Vorcaro. Mensagens no celular do banqueiro indicam que ele foi pessoalmente ao Postalis, em Brasília, para se reunir com a cúpula do fundo, e também conseguiu reuniões com Petros e Previ, com a ajuda de Padilha, via Olavo Noleto. A urgência em fechar esses negócios era evidente, como mostra um diálogo de 8 de abril de 2024, onde Vorcaro pede a Júlio um e-mail para o Petros, e o operador responde: “Já repassei. Agora é o amigo com dever dele. Ontem”. As revelações de Daniel Vorcaro, que incluem detalhes sobre pagamentos em espécie, mensagens de celular e a articulação de encontros com figuras-chave do governo e do partido, prometem intensificar as investigações e gerar um novo e profundo abalo na política nacional, exigindo respostas claras dos envolvidos e do próprio presidente da República.

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