Entre 5 de setembro e 2 de outubro de 2025, a cidade de São Paulo foi palco de uma série de descobertas macabras que chocaram a população e alimentaram intensas especulações nas redes sociais: cinco corpos foram encontrados em diferentes regiões da capital paulista, muitos deles envoltos em sacos plásticos, cobertores ou sacolas. Embora a Polícia Civil tenha, até o momento, investigado os casos separadamente e negado a existência de um serial killer, a sequência de crimes, com suas características perturbadoras, gerou um clamor público por respostas e levantou questões sobre a segurança e a natureza da violência na metrópole.
A repercussão dos casos ganhou força exponencialmente nas plataformas digitais, onde perfis dedicados a crimes reais começaram a compilar informações sobre as mortes, destacando supostas semelhanças entre as ocorrências. Essa mobilização online não apenas amplificou a teoria do serial killer, mas também gerou críticas à imprensa, acusada por usuários de uma suposta “falta de atenção” diante da sequência de assassinatos que se desenrolava.
A Cronologia dos Casos: Um Mês de Descobertas
A onda de crimes teve início na manhã de 5 de setembro de 2025, na zona sul de São Paulo. Garis que realizavam seus trabalhos na Rua Contos Gauchescos, no bairro do Jabaquara, fizeram a primeira e perturbadora descoberta: um cadáver dentro de um saco plástico preto, por volta das 6h50. O corpo estava amarrado e havia sido descartado em um canto da via pública. A identidade da vítima não foi divulgada pelas autoridades, e a investigação ficou a cargo do 16º Distrito Policial, na Vila Clementino.
Apenas cinco dias depois, em 10 de setembro, a zona leste da capital registrou a descoberta de dois cadáveres em um intervalo inferior a 24 horas. Os locais onde os corpos foram encontrados estavam a menos de três quilômetros de distância um do outro, adicionando uma camada de proximidade geográfica que alimentou ainda mais as especulações. Um dos corpos foi localizado em um terreno baldio na Rua Zenichi Sato, no bairro Colônia. A vítima estava amarrada e enrolada em um cobertor, com a cabeça coberta por sacos plásticos, o que dificultou a identificação inicial de sexo e características físicas. As condições climáticas adversas também prejudicaram o trabalho pericial, impedindo uma avaliação imediata sobre possíveis ferimentos.
Ainda naquele dia, outro corpo foi encontrado na Rua Osmano Ungaretti, na Vila Chuca. Desta vez, a vítima era uma mulher, também localizada enrolada em um cobertor e dentro de um saco plástico. Este caso apresentava um detalhe ainda mais sombrio: o corpo exibia ferimentos compatíveis com disparos de arma de fogo. Ambos os episódios da zona leste foram encaminhados para investigação no 53º Distrito Policial, no Parque do Carmo.
O quarto caso, ocorrido em 19 de setembro, apresentou características distintas dos anteriores, introduzindo um novo nível de brutalidade. Partes de um corpo foram encontradas dentro de sacolas plásticas em uma área de difícil acesso no Jaçanã, na zona norte. Moradores foram os primeiros a localizar os restos mortais e acionaram a polícia, que confirmou tratar-se de um homem. Uma mulher procurou as autoridades, acreditando que a vítima fosse seu sobrinho, Murilo Sanches dos Santos, que estava desaparecido. A identificação foi posteriormente confirmada pela polícia. Durante as buscas, os policiais encontraram roupas e uma faca, e equipes especializadas precisaram utilizar técnicas de rapel para acessar determinadas áreas e procurar outras partes do corpo. A investigação deste caso ficou sob a responsabilidade do 73º Distrito Policial.
O caso mais recente da sequência ocorreu em 2 de outubro, no Parque Ecológico do Tietê, próximo ao CT Joaquim Grava, utilizado pelo Corinthians, na zona leste da capital. Policiais militares encontraram o corpo de um homem dentro de um saco plástico, abandonado na ciclovia da Via Parque. Os braços e as pernas da vítima estavam presos com fita adesiva. O homem, que não havia sido identificado até o momento da reportagem original, vestia camiseta vermelha e calça de moletom cinza. Um estojo de munição foi localizado próximo ao cadáver, e, embora a natureza exata dos ferimentos não pudesse ser determinada inicialmente, um delegado que acompanhou a ocorrência apontou sinais claros de morte violenta. O caso foi registrado como homicídio no 24º Distrito Policial e permanece sob investigação.
A Posição Oficial: Homicídios Separados, Motivações Diversas
Diante da crescente pressão e das teorias que ganhavam as redes sociais, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) manteve uma postura de cautela. Segundo informações publicadas pela CNN Brasil e pelo Metrópoles, a SSP-SP afirmou que os homicídios são investigados separadamente e que, até o momento, não foram identificados elementos que permitam estabelecer uma conexão entre as ocorrências. As autoridades ressaltaram que os casos apresentam locais, circunstâncias e características diferentes, o que dificulta a associação a um único autor.
O secretário-adjunto de Segurança Pública de São Paulo, delegado Nico Gonçalves, reforçou ao Metrópoles que ainda era prematuro estabelecer as circunstâncias exatas dos crimes ou falar na existência de um serial killer. A SSP também destacou que os episódios apresentam dinâmicas, locais e métodos distintos. Na avaliação dos investigadores, a utilização de sacos plásticos, sacolas ou tecidos para envolver as vítimas, embora seja uma característica comum em parte dos casos, pode estar mais relacionada à tentativa de transportar ou esconder os cadáveres, sem necessariamente indicar um padrão comum de autoria ou a ação de uma mesma pessoa.
O Trabalho da Polícia: Cautela e Investigações Independentes
A Polícia Civil, por meio do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), adotou uma abordagem meticulosa, trabalhando com equipes dedicadas a cada um dos inquéritos policiais instaurados. Segundo a SSP, os investigadores já trabalham com suspeitos e possíveis motivações nos episódios em que foi possível identificar as vítimas. Entre as linhas de investigação consideradas estão vingança, justiçamento e outras circunstâncias específicas relacionadas a cada homicídio, afastando, por enquanto, a ideia de um elo unificador entre as mortes.
Apesar da intensa repercussão e da pressão pública por uma resposta unificada, a teoria do serial killer, que ganhou tanto espaço nas redes sociais, não encontrou respaldo nas evidências e análises das autoridades policiais até o momento da reportagem original. A Polícia Civil mantém investigações independentes sobre cada homicídio, concentrando esforços na identificação de vítimas, na busca por suspeitos e na elucidação das motivações por trás de cada um dos cinco casos que abalaram a capital paulista. A complexidade e a diversidade das ocorrências exigem uma análise aprofundada e individualizada, buscando justiça para cada uma das vidas perdidas em meio a esse período de incerteza e temor.