Nesta sexta-feira, 2 de outubro de 2026, o Brasil e a comunidade neurodiversa foram abalados pela notícia do falecimento de Fernanda Fialho, aos 29 anos. A influenciadora digital, natural do Rio de Janeiro e criadora do aclamado perfil @paraquetabu, deixou um legado inestimável na luta pela conscientização sobre o autismo, a maternidade atípica e a saúde mental. Sua morte, cuja causa não foi revelada, provocou uma onda de comoção e luto entre os quase 163 mil seguidores e milhares de pessoas que encontraram em sua trajetória uma voz de representatividade, apoio e esperança. Fernanda Fialho não apenas compartilhava sua rotina como mulher autista e mãe de uma menina também autista, mas defendia incansavelmente a importância do diagnóstico precoce e da construção de uma rede de apoio sólida, transformando a vida de muitos ao desmistificar o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Fernanda Fialho era uma figura proeminente no cenário digital brasileiro, reconhecida por sua autenticidade e coragem em abordar temas complexos e muitas vezes estigmatizados. Diagnosticada com autismo nível 2 de suporte, ela se tornou uma palestrante e escritora influente, utilizando sua própria experiência para educar e inspirar. O perfil @paraquetabu, fundado em 2018, inicialmente serviu como um refúgio para compartilhar sua jornada com tratamentos de saúde mental. Contudo, com o tempo, o espaço evoluiu para se tornar um farol de informação e acolhimento sobre sua vivência como mulher autista e, posteriormente, como mãe de uma criança autista. Sua plataforma não era apenas um diário pessoal, mas um centro de discussões sobre neurodiversidade, desmistificando preconceitos e promovendo a aceitação.
A trajetória de Fernanda rumo ao diagnóstico de autismo é um testemunho da complexidade e dos desafios enfrentados por muitos adultos no espectro. Sua descoberta veio após o diagnóstico de sua filha, Ana Laura. Ao acompanhar a menina em suas terapias, Fernanda começou a reconhecer em si mesma características e padrões de comportamento que se alinhavam com o Transtorno do Espectro Autista. Essa epifania a impulsionou a buscar sua própria avaliação, culminando em um diagnóstico que reescreveu sua história pessoal. Antes dessa revelação, Fernanda havia passado anos em um labirinto de tratamentos psiquiátricos, com múltiplas internações e diagnósticos que, posteriormente, foram questionados à luz da compreensão de seu autismo. Essa experiência dolorosa e muitas vezes solitária a tornou uma defensora ainda mais fervorosa da importância de diagnósticos precisos e da escuta atenta às narrativas individuais.
A relação com sua filha, Ana Laura, era um dos pilares centrais do conteúdo compartilhado por Fernanda. Em suas redes sociais, ela abria as portas para a realidade de uma família atípica, mostrando com sensibilidade e transparência as nuances do dia a dia: as sessões de terapia, os desafios inerentes, as pequenas e grandes descobertas, e, acima de tudo, os momentos de profundo afeto e conexão entre mãe e filha. Essa exposição genuína não só humanizava a experiência do autismo, mas também oferecia um espelho para outras famílias que se viam representadas em suas lutas e vitórias. Fernanda fazia questão de enfatizar a necessidade de uma rede de apoio robusta, destacando o papel fundamental de seu pai, que auxiliava nos cuidados tanto com ela quanto com Ana Laura, exemplificando a importância da comunidade e do suporte familiar.
Além de sua forte presença digital, Fernanda Fialho transcendeu as telas, levando sua voz e sua experiência para outros formatos e públicos. Ela era autora de “A História que Meus Pais Não Contariam – Sobrevivendo sem o Diagnóstico de Autismo”, uma obra literária que aprofunda sua jornada pessoal até a descoberta do autismo e como a chegada de Ana Laura foi um catalisador para sua própria compreensão. O livro se tornou uma ferramenta vital para muitos que buscavam entender suas próprias histórias ou as de seus entes queridos. Sua atuação se estendia a palestras e eventos, onde compartilhava seu conhecimento e vivências. Em participações em podcasts especializados, como o AutisPod, ela discutia abertamente a singularidade de ser uma família onde mãe e filha compartilham o diagnóstico de autismo nível 2 de suporte, oferecendo insights valiosos e quebrando tabus.
A notícia de sua morte, divulgada nesta sexta-feira, reverberou intensamente, gerando manifestações de luto e homenagens emocionadas de todos que acompanhavam seu trabalho e sua inspiradora trajetória. Seguidores, familiares e profissionais da área destacaram a importância de Fernanda para a ampliação do debate sobre o autismo na vida adulta, a maternidade atípica e a saúde mental. Sua capacidade de articular suas experiências pessoais com uma linguagem acessível e empática criou um espaço seguro para que muitas pessoas autistas se identificassem com seus relatos, sentindo-se vistas e compreendidas. Fernanda Fialho não apenas informava; ela validava sentimentos, desconstruía estigmas e pavimentava caminhos para uma sociedade mais inclusiva e consciente. Seu legado é um lembrete poderoso da força da narrativa pessoal e do impacto transformador que uma única voz pode ter na vida de milhares. A ausência de Fernanda será sentida profundamente, mas sua contribuição para a causa do autismo permanecerá como um farol de esperança e um convite contínuo à empatia e ao entendimento.