Payton Talbott, o promissor peso-galo de 28 anos, marcou seu aguardado retorno ao octógono do UFC neste sábado, 3 de outubro de 2026, no evento UFC 332, realizado no Delta Center, em Salt Lake City. Em uma luta co-principal de grande expectativa, Talbott enfrentou o ex-campeão dos moscas Deiveson Figueiredo, buscando não apenas consolidar sua posição na divisão, mas também reverter um ano de inatividade e traçar um caminho ambicioso para uma agenda mais densa em 2027. Esta foi sua primeira aparição desde dezembro do ano anterior, quando superou outro ex-campeão, Henry Cejudo, no UFC 323, e agora o atleta egresso do Dana White’s Contender Series, com um cartel de 11 vitórias e apenas uma derrota, mira a chance de somar dois triunfos consecutivos sobre nomes de peso na história do esporte.
O ano de 2026 foi, para Talbott, um período de espera e frustração. Com mais de nove meses entre sua última luta e o confronto no UFC 332, a inatividade se tornou um obstáculo notável para o peso-galo, que chegou ao card ranqueado fora do top 10 da divisão. Durante esse hiato, negociações para enfrentar nomes como Sean O’Malley e Cory Sandhagen não prosperaram, um cenário que o lutador de Reno está determinado a evitar na próxima temporada. A busca por uma agenda mais ativa e desafiadora é a tônica de suas declarações recentes, visando um salto significativo em sua carreira.
Em entrevista ao CBS Sports, Talbott expressou claramente seu desejo de enfrentar adversários bem posicionados no ranking, embora sem um nome específico em mente. A intenção de competir com mais frequência em 2027 é uma prioridade, acreditando que uma sequência de lutas pode impulsioná-lo para o topo da categoria. Ele detalhou os motivos pelos quais algumas lutas não se concretizaram. No caso de Cory Sandhagen, Talbott não interpretou a falta de acordo como uma recusa do rival, mas sim como questões logísticas relacionadas à complexidade da montagem do card. O nome de Sean O’Malley, por sua vez, foi discutido antes que Deiveson Figueiredo fosse confirmado como seu oponente. Talbott também abordou a situação de Marcus McGhee, que reclamou publicamente da dificuldade em encontrar adversários, mas, segundo Talbott, não demonstrou interesse quando o próprio Talbott sugeriu o confronto.
A confiança em Talbott não vem apenas de seu próprio camp. Henry Cejudo, o ex-campeão em duas divisões e adversário derrotado em dezembro, tornou-se um de seus maiores defensores. Em participação em um podcast, Cejudo apontou Talbott como favorito contra Figueiredo, citando sua juventude, mãos mais afiadas, maior alcance e uma leitura apurada de distância. As falas de Cejudo, repercutidas pelo BJPenn.com, foram além, sugerindo que, caso Talbott tenha aprimorado sua luta de recuo, o uso de fintas e seus deslocamentos laterais, ele tem o potencial para ser um top 5 mundial. Cejudo também projetou o caminho ideal para o peso-galo: se Talbott superasse Figueiredo, deveria enfrentar Marlon “Chito” Vera. O ex-campeão afirmou que O’Malley recusou a luta contra Vera e que Talbott venceria esse duelo com folga, além de considerar Cory Sandhagen um nome adequado para o momento do lutador.
Longe dos holofotes do octógono, Talbott utilizou os meses de inatividade para se dedicar a outras paixões. Em entrevista ao site oficial do UFC, ele revelou que ocupou seu tempo com música, viagens e diversos projetos pessoais, garantindo que não houve tempo ocioso. Contudo, esse período o levou a uma reflexão profunda sobre sua rotina, defendendo que é mais eficaz estar presente e realizar poucas coisas bem-feitas do que se dividir em múltiplas frentes simultaneamente. Como exemplo dessa nova filosofia, ele mencionou ter completado quase 100% de dois jogos eletrônicos de ritmo lento, algo que, segundo ele, não teria paciência para fazer três anos antes.
A vitória sobre Henry Cejudo foi um divisor de águas na percepção de Talbott sobre seu próprio jogo. Ele afirmou que o resultado demonstrou sua capacidade de desenvolvimento e de desmantelar um lutador “cerebral”, um adversário que ele descreveu como extremamente inteligente. O peso-galo admitiu que, no início de sua carreira, foi excessivamente confiante, o que lhe custou caro na derrota para Raoni Barcelos, em janeiro de 2025. Mesmo com a derrota, Talbott fez questão de lembrar que derrubou um campeão olímpico de wrestling três vezes e venceu todos os rounds na avaliação dos jurados, evidenciando sua resiliência e habilidade.
A única derrota profissional de Talbott, para Raoni Barcelos, ganhou um peso diferente com o tempo, especialmente após Barcelos emendar uma sequência de resultados expressivos. No entanto, Talbott evitou reescrever a história, afirmando que, naquela noite, seu adversário foi simplesmente superior. Ele também relatou ter sofrido de vertigem intensa por vários meses após o combate. Em um episódio recente, em 26 de setembro, Talbott assistiu a Barcelos desmaiar no quinto round de uma luta que vencia, sendo retirado de maca do octógono e levado ao hospital. O incidente, segundo Talbott, trouxe de volta a lembrança de sua própria vertigem, gerando tristeza e o temor de reviver uma experiência semelhante. Ele afirmou acreditar que Barcelos havia recebido alta no mesmo dia.
O confronto no UFC 332 colocou Talbott diante de um campeão que reinou duas vezes na divisão dos moscas. Deiveson Figueiredo chegou ao combate expressando confiança em sua trocação, mas Talbott respondeu de forma direta, afirmando que o adversário não possui poder de striking suficiente para acompanhá-lo no duelo em pé. Por outro lado, o peso-galo revelou gostar de enfrentar rivais em seu melhor momento, pois costuma render mais quando está em desvantagem ou sob risco. Sobre Figueiredo, Talbott preferiu não vencer adversários que chegam abaixo de seu potencial, considerando positivo o cenário em que o oponente parece focado e pronto para a guerra, o que, para ele, favorece seu próprio desempenho.
Embora o UFC 332 tivesse como luta principal o duelo de título dos moscas femininos entre Natalia Silva e Wang Cong, Talbott é tratado pela organização como uma das principais atrações do evento. Na avaliação do card, seu nome aparece com um apelo equivalente ou até superior ao da disputa de cinturão. Ranqueado em 12º na divisão dos galos, ele disputou a co-principal com o objetivo claro de encurtar a distância para o top 10. Uma vitória sobre Figueiredo representaria a derrota de dois ex-campeões em sequência, em um ano que, de outra forma, foi marcado pela inatividade. O próprio lutador classificou essa possibilidade como algo “enorme” para seu currículo, expressando o desejo de que o público o reconheça como um lutador habilidoso, independentemente do que se diga sobre ele antes ou depois do combate. A jornada de Payton Talbott, marcada por talento, superação e uma clara visão de futuro, promete ser um dos enredos mais cativantes do UFC nos próximos anos.