Fabiano Zettel: Cunhado de Ex-Banqueiro Revela Fortuna de R$ 20 Bilhões no Exterior e Esquema de Ocultação de Bens

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O advogado e pastor Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, revelou em gravações e áudios de WhatsApp obtidos pela revista Piauí, e divulgados na última quarta-feira (30 de setembro), que Vorcaro mantinha uma fortuna estimada em R$ 20 bilhões no exterior antes de sua prisão. As conversas, que vieram à tona em meio à profunda crise do Banco Master e à subsequente liquidação da instituição, também expõem o próprio Zettel admitindo ter ocultado recursos fora do Brasil para se proteger de um possível bloqueio de bens, evidenciando uma complexa teia de manobras financeiras e temores de retaliação judicial. As declarações de Zettel, que manteve um relacionamento com uma mulher identificada como Marina entre o início de 2023 e sua prisão em março deste ano, oferecem um panorama detalhado das movimentações financeiras e da tensão que cercava os negócios de Vorcaro. Os diálogos, que abrangem tanto aspectos pessoais quanto relatos sobre pagamentos e a iminência de medidas judiciais, revelam a tentativa de Zettel de se desvincular publicamente das operações do cunhado, mesmo enquanto atuava como peça central em diversas delas. Em um dos trechos mais reveladores, datado de outubro de 2025, Zettel descreve uma viagem ao exterior com o objetivo explícito de proteger parte de seus próprios recursos. “Semana passada, o Banco Central deu três semanas para o Daniel reformular o banco, senão ele vai ser liquidado. Eu fui lá [no exterior], escondi um dinheiro, porque se der tudo errado e der uma merda danada e tudo meu for bloqueado, eu tenho que ter um dinheiro pra poder continuar vivendo e mantendo as coisas”, afirmou Zettel a Marina, sublinhando o pânico diante da crise iminente do Banco Master. A conversa ocorreu poucas semanas antes da determinação do Banco Central, em 18 de novembro de 2025, de encerrar as atividades da instituição, culminando na prisão de Vorcaro pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para Dubai. A véspera da liquidação do Banco Master é retratada por Zettel em uma conversa com Marina, onde ele descreve a viagem de Brasília para São Paulo ao lado do cunhado, a quem sarcasticamente chamou de “príncipe”. A aparente calma daquele momento, “Graças a Deus, a gente achou que ia estourar algo de ruim, mas hoje não estourou nada”, contrasta drasticamente com os eventos que se seguiram, demonstrando a volatilidade e a incerteza que pairavam sobre os envolvidos. Após a prisão de Vorcaro, a preocupação de Zettel com a possibilidade de também ser alvo das autoridades se tornou palpável. Ele questionou Marina sobre as notícias, mencionando a apreensão de telefones e iPads de outros envolvidos, e revelou ter um aparelho escondido em um compartimento de seu carro como medida de precaução. “Já fecharam o banco, bloquearam as contas, bloquearam os bens, ele tá preso, quatro diretores do banco estão presos, mas ainda tem outros mandados para serem cumpridos. Então, assim, eu tô tomando todo o cuidado do mundo”, desabafou. O nível de estresse era tamanho que Zettel relatou ter tomado Rivotril na noite anterior à operação policial, não percebendo as tentativas de seus advogados de contatá-lo. As gravações divulgadas pela Piauí expõem uma relação complexa e multifacetada entre Zettel e Vorcaro, marcada por dependência profissional, tensão e ressentimento, mas também por momentos de lealdade. Enquanto nas conversas com Marina, Zettel descrevia o cunhado como alguém pouco dedicado ao banco, que só teria intensificado sua presença quando os negócios começaram a ruir, as mensagens diretas trocadas com Vorcaro, e obtidas pela Polícia Federal, revelam um tom diferente. “Irmão, eu não furo com vc não! Você sempre estará nas minhas prioridades! Até o fim!! E quando voltar, avisa! Quero te ver! Tô com saudade!”, escreveu Zettel, evidenciando uma dualidade em sua postura. A reportagem detalha o papel operacional de Zettel, que executava pagamentos, organizava assinaturas de contratos e atendia a demandas pessoais de Vorcaro. As mensagens indicam que as movimentações financeiras dependiam da autorização do então controlador do Master, reforçando a hierarquia e o controle exercido por Vorcaro. Zettel também operacionalizava repasses a advogados, auxiliares e outros personagens citados nas investigações. Entre os nomes que surgem, está o do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com Zettel tratando de parcelas relacionadas ao filme “Dark Horse”. “O cara do ‘filme’ não sai da minha cola. Me mandou um fluxo gigante”, afirmou Zettel, indicando a pressão por esses pagamentos, que chegavam a ele por intermédio do lobista Thiago Miranda. Além disso, a Piauí aponta a associação de Zettel a estruturas financeiras sob investigação. Ele era proprietário do fundo Leal, que controlava o Arleen, utilizado na aquisição de participação no resort Tayayá. Zettel também realizava pagamentos destinados a Luiz Philippi Mourão, conhecido como Sicário, figura apontada pelos investigadores como integrante de um núcleo responsável por monitoramento, obtenção de informações sigilosas, coação e intimidação de pessoas que poderiam contrariar os interesses de Vorcaro. Apesar de sua função operacional, Zettel não possuía autonomia para escolher qual empresa faria cada pagamento, com Vorcaro definindo a empresa e liberando os recursos. Em um momento de desabafo com Marina, Zettel expressou sua visão sobre o cunhado, afirmando que Vorcaro “esticava demais a corda”. Ao ouvir de Marina que Vorcaro seria “burro”, Zettel ponderou: “Para umas coisas, ele é inteligente. Para outras, ele é burro. Ele é emocionalmente burro. Por ele ser inteligente, ele conseguiu fazer o dinheiro todo. Por ele ser burro emocionalmente, ele transformou a vida dele nesse circo.” Após a prisão de Vorcaro, Zettel manifestou a intenção de demonstrar que não tinha relação com o Banco Master desde 2024 e de sustentar que suas empresas, especialmente a Moriah Investimentos, eram independentes dos negócios do cunhado. Contudo, mensagens obtidas pela Polícia Federal, segundo a Piauí, mostram Vorcaro participando de decisões relacionadas à Moriah, inclusive autorizando um pagamento ao doleiro Lúcio Funaro. Zettel também atribuiu sua exposição pública às relações políticas que mantinha, afirmando: “Há um movimento para me desmoralizar porque eu sou o link do Daniel com o Tarcísio”, em referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Na eleição de 2022, Zettel doou R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões à campanha de Jair Bolsonaro. A revista relata que essas doações alimentaram suspeitas sobre a possibilidade de Zettel funcionar como intermediário financeiro entre Vorcaro e figuras da direita, embora a reportagem ressalte que essa hipótese não é apresentada como conclusão judicial. O vultoso patrimônio de Vorcaro no exterior voltou a ser tema das conversas após a primeira prisão do ex-banqueiro. Zettel relatou que o cunhado enfrentava dificuldades para acessar os recursos. “Ele está completamente sem dinheiro. Não está conseguindo acessar, não está conseguindo trazer.” Na sequência, Zettel afirmou que Vorcaro teria mantido uma quantia muito superior no exterior, os R$ 20 bilhões, mas que agora não consegue acessá-la. “Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar. Porque se pegar, é preso de novo. Então, não adianta nada juntar dinheiro fora. Se ferra do mesmo jeito. Não sei até onde o Daniel tem essa consciência. Eu acho que ele é meio inconsequente”, concluiu Zettel, revelando a ironia de uma fortuna inacessível e a percepção de uma imprudência que levou a vida de Vorcaro a se transformar em um “circo”. A cifra de R$ 20 bilhões é uma afirmação de Zettel nas gravações, e a reportagem da Piauí não indica que as autoridades tenham confirmado oficialmente a existência ou o montante exato.

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