Nesta quinta-feira, 1º de outubro de 2026, às 21h30, os Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, tornaram-se o epicentro do último e decisivo debate entre os candidatos à Presidência da República antes do primeiro turno das eleições. Com a mediação do jornalista César Tralli, o encontro reúne Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) para um embate de ideias crucial, transmitido pela TV Globo, GloboNews e g1. A ausência notável do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, que optou por uma entrevista ao Flow Podcast, agendada para as 20h45, marca profundamente a dinâmica e as expectativas deste confronto final, a apenas três dias do pleito.
A decisão de Lula de não comparecer ao debate da maior emissora do país, em um momento tão crítico da campanha, reverberou intensamente no cenário político. Enquanto seus adversários se preparam para o confronto direto, buscando consolidar votos e conquistar indecisos, o presidente escolhe uma plataforma digital para se comunicar com o eleitorado. Essa estratégia, que pode ser interpretada como um movimento de confiança na sua base eleitoral ou uma tática para evitar embates diretos e focar em um público específico, levanta questionamentos sobre os riscos e benefícios de tal abordagem a poucos dias do primeiro turno, marcado para domingo, 4 de outubro. A escolha por um formato de entrevista em podcast, em detrimento do tradicional debate televisivo, sinaliza uma mudança nas táticas de comunicação política e na forma como os candidatos buscam engajar os eleitores.
### O Palco dos Candidatos Presentes e as Regras do Jogo
No palco dos Estúdios Globo, a ausência de Lula abriu espaço para um confronto mais focado entre os quatro candidatos presentes. Flávio Bolsonaro, representando o Partido Liberal (PL), Ronaldo Caiado, do Partido Social Democrático (PSD), Augusto Cury, do Avante, e Romeu Zema, do Partido Novo, têm a oportunidade de apresentar suas propostas e visões para o país, buscando se diferenciar e atrair o eleitorado que ainda não definiu seu voto. A dinâmica do debate, com a ausência do incumbente, pode permitir que os demais candidatos tenham mais tempo de fala e maior destaque para suas plataformas, potencializando suas chances de impactar a reta final da campanha.
A Globo estabeleceu como critério para os convites a representação parlamentar dos partidos, considerando o número mínimo previsto para participação no encontro. Este critério, que visa garantir a presença de candidatos com maior representatividade no Congresso Nacional, gerou discussões e disputas judiciais. A inclusão de Romeu Zema, por exemplo, não foi automática. Inicialmente excluído, o Partido Novo contestou a decisão, argumentando que possuía cinco deputados federais, número que, segundo a legenda, preenchia o requisito mínimo. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob a presidência do ministro Nunes Marques, acatou o pedido do Novo, determinando que fosse considerada a composição atual da bancada da legenda, garantindo assim a participação de Zema no debate.
Por outro lado, o candidato Renan Santos, do partido Missão, também buscou na Justiça o direito de participar do debate. Contudo, seu pedido foi negado pelo TSE. O entendimento da corte foi que o partido Missão não preenchia o requisito mínimo de representação parlamentar estabelecido para o debate, reforçando a rigidez dos critérios adotados e a importância da representatividade legislativa na definição dos participantes de eventos eleitorais de grande visibilidade. Essas decisões judiciais sublinham o papel fundamental do TSE na arbitragem de disputas eleitorais e na garantia da aplicação das regras que regem o processo democrático.
### Estrutura do Confronto e a Reta Final da Campanha
O debate foi estruturado em quatro blocos, desenhados para proporcionar um confronto abrangente e dinâmico. Em dois desses blocos, os candidatos discutirão temas determinados pela produção, o que garante a abordagem de assuntos de interesse nacional e a confrontação de propostas em áreas específicas. Nos outros dois blocos, os postulantes terão a liberdade de escolher livremente os assuntos das perguntas aos seus adversários, permitindo estratégias mais personalizadas, ataques diretos e a exploração de pontos fracos ou controvérsias dos oponentes. Essa combinação de temas fixos e livres visa equilibrar a profundidade do debate com a espontaneidade e a capacidade de argumentação dos candidatos.
Este encontro na TV Globo encerra a rodada de debates presidenciais na televisão antes do primeiro turno. Sua realização a apenas três dias da votação confere-lhe um peso estratégico imenso. É a última grande oportunidade para os candidatos se dirigirem a milhões de eleitores simultaneamente, para esclarecer propostas, rebater críticas e, crucialmente, influenciar os votos dos indecisos. A performance de cada candidato neste debate pode ser decisiva para a formação da opinião pública nos momentos finais da campanha, impactando diretamente o resultado das urnas no domingo. A ausência do presidente Lula, portanto, não apenas altera a dinâmica do debate em si, mas também redefine as estratégias de comunicação de todos os envolvidos na reta final desta corrida presidencial de 2026. A nação aguarda os desdobramentos deste confronto, que promete ser um dos pontos altos e mais comentados do ciclo eleitoral.