Neste domingo, 27 de setembro de 2026, Ticiane Pinheiro protagonizou um dos momentos mais eletrizantes e comentados da “Dança dos Famosos”, quadro de grande audiência do “Domingão” da TV Globo. Com uma performance audaciosa e carregada de nostalgia, a apresentadora e dançarina reviveu o icônico “quadradinho de 8”, um movimento que a consagrou anos atrás e que, mais uma vez, gerou uma explosão de euforia na plateia, mas provocou reações mais comedidas e notas mais baixas por parte do júri técnico da competição. O evento não apenas reafirmou a capacidade de Ticiane de cativar o público, mas também acendeu o debate sobre a intersecção entre carisma popular e rigor técnico em um palco de dança.
A atmosfera no estúdio do “Domingão” já estava carregada de expectativa. A “Dança dos Famosos” havia desafiado seus participantes a explorar o universo do funk por duas semanas consecutivas, e a vez de Ticiane Pinheiro era aguardada com particular ansiedade nos bastidores. A razão para tal burburinho era clara: a memória coletiva do público brasileiro ainda guardava vividamente a imagem de Ticiane tentando, e conseguindo, executar o “quadradinho de 8” em um programa matinal anos antes. A pergunta que pairava no ar era se ela teria a coragem de revisitar aquele momento viral em um palco de tamanha visibilidade e pressão. A resposta veio de forma categórica e inesquecível.
A apresentação de Ticiane começou de maneira estratégica, com um ritmo mais contido, quase como uma preparação para o clímax que viria. Essa cadência inicial permitiu que a tensão aumentasse gradualmente, construindo uma narrativa de superação e entrega. No entanto, à medida que a música progredia e a energia no palco crescia, Ticiane foi “esquentando”, como descrevem os observadores, até o momento em que, com precisão e um sorriso contagiante, ela executou o tão esperado “quadradinho de 8”. A reação foi imediata e avassaladora: um grito uníssono irrompeu da plateia, que reconheceu a referência no mesmo instante, e aplausos fervorosos acompanharam a dança até o seu desfecho. Era evidente que Ticiane havia tocado um nervo cultural, transformando uma simples coreografia em um evento de celebração coletiva.
A história do “quadradinho de 8” na trajetória de Ticiane Pinheiro é um capítulo à parte na cultura pop brasileira. Sua primeira aparição com o movimento ocorreu durante sua fase como apresentadora do programa “Hoje em Dia”, na Record. Naquela ocasião, a artista recebeu um grupo de funk que estava em ascensão, e, em um momento de espontaneidade e interação, ela se propôs a aprender os passos. O resultado foi um vídeo que rapidamente viralizou, transformando o “quadradinho” em uma marca registrada de Ticiane e um meme duradouro, lembrado e referenciado por anos a fio. A decisão de resgatá-lo na “Dança dos Famosos” não foi apenas uma escolha coreográfica, mas um aceno inteligente à sua própria história e à memória afetiva do público.
Após a performance, o clima de descontração e reconhecimento continuou. O humorista Ed Gama foi o primeiro a quebrar o gelo com uma brincadeira que ecoou o sentimento geral: “E rolou o quadradinho que todo mundo estava esperando”, disse ele, provocando risos e confirmando que a expectativa havia sido plenamente atendida. O momento de avaliação, no entanto, trouxe uma nuance diferente para a noite. Se, por um lado, a plateia e os jurados artísticos foram unânimes em sua aprovação, o júri técnico demonstrou uma perspectiva mais analítica e, consequentemente, mais rigorosa.
Os jurados artísticos, que frequentemente valorizam a emoção, a presença de palco e o impacto geral da performance, concederam a Ticiane duas notas 10, refletindo o sucesso estrondoso de sua apresentação em termos de entretenimento e conexão com o público. Contudo, a avaliação técnica revelou uma outra faceta da dança. Ana Botafogo, uma das maiores referências da dança clássica no Brasil, atribuiu 8,8 pontos. Zebrinha, conhecido por sua exigência e olhar apurado para a técnica, foi ainda mais rigoroso, com 8,7 pontos. Carlinhos de Jesus, outra lenda da dança de salão e figura respeitada no cenário, acompanhou com um 8,8. Essas notas, que representaram a pontuação mais baixa da noite até aquele momento, sublinharam a complexidade de julgar uma performance que equilibra o carisma popular com a precisão técnica. A disparidade entre a euforia da plateia e a frieza dos números do júri técnico levanta questões pertinentes sobre os critérios de avaliação em programas de entretenimento que misturam celebridades com a arte da dança. A performance de Ticiane Pinheiro, ao mesmo tempo em que celebrou um ícone cultural, também serviu como um estudo de caso sobre a tensão inerente entre o espetáculo e a técnica apurada.