Datafolha 2026: Lula e Flávio Bolsonaro em Empate Triplo Acirram Disputa Presidencial a Duas Semanas do Primeiro Turno

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Uma pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira, 17 de setembro de 2026, revelou um cenário de extremo equilíbrio na corrida pela Presidência da República, apontando um empate técnico triplo entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A duas semanas do primeiro turno, os dois principais candidatos aparecem tecnicamente empatados nas intenções de voto para o primeiro e segundo turnos, além de registrarem o mesmo patamar de rejeição, intensificando a polarização e a incerteza sobre o desfecho eleitoral.

O levantamento, encomendado pela TV Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, ouviu 2.002 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 15 e 16 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-04029/2026. Os dados mais recentes solidificam a percepção de uma eleição decidida nos detalhes, onde cada movimento de campanha e cada debate público podem ter um impacto decisivo.

A Disputa Pelo Primeiro Turno: Uma Vantagem Numérica em Declínio

No cenário de primeiro turno estimulado, Lula mantém a liderança com 39% das intenções de voto, o mesmo percentual registrado na pesquisa anterior, divulgada em 11 de setembro. Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresentou um ligeiro crescimento, passando de 35% para 36%. Com uma diferença de apenas três pontos percentuais entre os dois e considerando a margem de erro de dois pontos, ambos os candidatos estão em empate técnico, refletindo a alta competitividade da eleição.

A análise da série histórica do Datafolha revela uma tendência de aproximação notável. A distância entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno é a menor desde a primeira quinzena de maio, quando a diferença também era de três pontos (38% a 35%). Desde então, a vantagem de Lula chegou a dez pontos em junho, mas vem diminuindo consistentemente: foi de oito pontos em julho, seis em agosto, cinco no início de setembro e quatro na semana passada. Esse encurtamento da distância sugere um momento de crescimento para a candidatura de Flávio Bolsonaro e um desafio para Lula em manter sua base.

Cenário de Segundo Turno e a Persistência do Empate

A projeção para um eventual segundo turno entre os dois líderes da corrida presidencial espelha a mesma paridade observada no primeiro. Lula aparece com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 44%. Esses índices repetem os números do levantamento anterior, mantendo o empate técnico e a imprevisibilidade sobre quem sairia vitorioso em um confronto direto. A estabilidade desses percentuais indica que as bases de apoio de ambos os candidatos estão consolidadas, mas também que nenhum deles conseguiu abrir uma vantagem decisiva.

Nesse cenário de segundo turno, os votos brancos, nulos ou nenhum somam 8%, e os indecisos representam 1% do eleitorado. A pequena parcela de eleitores ainda não decididos ou que optam por anular o voto pode se tornar o fiel da balança, caso a disputa permaneça tão apertada até o dia da votação. A capacidade de mobilização e convencimento desses eleitores será crucial para definir o próximo presidente.

Rejeição Recorde e Compartilhada: O Terceiro Empate

Um dos dados mais impactantes da pesquisa Datafolha é o empate numérico na rejeição dos dois principais candidatos. Questionados sobre em quem não votariam de jeito nenhum no primeiro turno, Flávio Bolsonaro e Lula registraram 47% de rejeição cada. Ambos os candidatos viram seus índices de rejeição crescerem um ponto percentual em relação à pesquisa anterior, quando tinham 46% cada. Esse dado sublinha a profunda polarização do eleitorado brasileiro, onde uma parcela significativa da população se opõe veementemente a um ou a outro.

A alta rejeição compartilhada por Lula e Flávio Bolsonaro sugere que a eleição de 2026 não será apenas uma escolha por um candidato, mas também uma rejeição ao seu oponente. Esse cenário pode levar a um voto útil estratégico no segundo turno, onde eleitores podem optar por um candidato não por identificação plena, mas para evitar a vitória do outro. A capacidade de mitigar a rejeição ou de capitalizar a rejeição do adversário será um fator determinante nas próximas duas semanas.

Os Demais Candidatos e o Espaço Reduzido

A pesquisa Datafolha também mapeou as intenções de voto para os demais candidatos no primeiro turno, que, em sua maioria, permanecem com percentuais baixos e sem grande impacto na disputa principal. O escritor Augusto Cury (Avante) mantém 6% das intenções de voto. Ronaldo Caiado (PSD) registra 4%, enquanto Renan Santos (Missão) aparece com 3%. Romeu Zema (Novo) tem 2%, e Samara Martins (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO) registram 1% cada. Edmilson Costa (PCB), Clariana Barão (DC), Hertz Dias (PSTU) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata) aparecem com 0% ou oscilações mínimas, indicando que a eleição se consolidou como uma disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Os índices de rejeição para esses candidatos secundários também foram aferidos. Renan Santos (Missão) tem 15% de rejeição, seguido por Romeu Zema (Novo) com 14% e Ronaldo Caiado (PSD) com 13%. Rui Costa Pimenta (PCO) registra 11%, Samara Martins (UP) e Edmilson Costa (PCB) têm 10% cada. Augusto Cury (Avante) aparece com 9%, Clariana Barão (DC) e Hertz Dias (PSTU) com 7% cada, e Wilson Grassi (Democrata) com 6%. Uma pequena parcela do eleitorado (2%) afirma que votaria em qualquer um ou não rejeita nenhum candidato, enquanto outros 2% rejeitam todos ou não votariam em nenhum. Os indecisos sobre rejeição somam 2%.

A Reta Final: Estratégias e Desafios

Com o primeiro turno a apenas duas semanas, a campanha eleitoral entra em sua fase mais intensa e decisiva. O empate técnico em todas as frentes – primeiro turno, segundo turno e rejeição – aponta para uma eleição extremamente apertada, onde a mobilização de eleitores, a capacidade de comunicação e a exploração de eventuais erros dos adversários serão cruciais. A tendência de Flávio Bolsonaro de diminuir a diferença em relação a Lula indica que a campanha do PL tem conseguido converter parte dos indecisos ou atrair eleitores de outros candidatos. Para Lula, o desafio é reverter essa tendência de queda na vantagem e consolidar sua liderança.

A alta rejeição de ambos os candidatos também sugere que a eleição pode ser definida por quem conseguir apresentar uma imagem menos negativa ou por quem for percebido como o “mal menor” por uma parcela do eleitorado. Os debates televisivos, a propaganda eleitoral no rádio e na TV, e as redes sociais se tornarão palcos ainda mais importantes para a disputa final, onde cada palavra e cada imagem serão minuciosamente analisadas. O Brasil se prepara para uma das eleições mais imprevisíveis e polarizadas de sua história recente.

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