Macará Escreve História Contra o Gigante Santos na Sul-Americana: Um Duelo de Sonhos e Tradição

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Nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, o modesto Club Deportivo Macará, do Equador, vive o ápice de sua trajetória ao enfrentar o Santos Futebol Clube, um dos mais laureados gigantes do futebol brasileiro, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana. O palco do confronto de ida, que se inicia às 19h (horário de Brasília), é a icônica Vila Belmiro, no Brasil, onde a equipe equatoriana busca desafiar as expectativas e consolidar sua ascensão meteórica no cenário continental, em um jogo que já é considerado o mais importante de seus 87 anos de existência. A atmosfera em Ambato, cidade-sede do Macará, é de pura euforia. Desde o momento em que o Santos confirmou sua classificação para as oitavas, após superar a Universidad Central (VEN) nos playoffs, o clube equatoriano transformou a partida em um evento histórico. As redes sociais do Macará foram inundadas com artes promocionais e mensagens que celebram o “jogo da história”, um “momento histórico” para a cidade e para o clube. A mobilização é tamanha que, mesmo com o jogo de ida sendo no Brasil, a expectativa para o duelo da volta, a ser disputado na próxima quinta-feira, já resultou na venda total dos ingressos, prometendo uma casa cheia e um caldeirão para receber o Peixe.

A presença de nomes como Neymar e Gabigol, mesmo que apenas em montagens promocionais do Macará, ilustra a dimensão do adversário que os equatorianos terão pela frente. Para o presidente do Macará, Jorge Salazar, a importância do confronto transcende a mera participação. Em entrevista à Rádio ABC Deportivo, Salazar afirmou categoricamente: “Se vencermos o Santos, será o melhor Macará de todos os tempos.” Essa declaração reflete a ambição e o reconhecimento de que o clube está diante de uma oportunidade ímpar de redefinir sua própria narrativa no futebol sul-americano. A jornada do Santos até aqui na Sul-Americana foi marcada por um segundo lugar em seu grupo, atrás do Recoleta, o que o levou a disputar os playoffs contra a Universidad Central, vinda da Libertadores. A vitória nesse confronto abriu caminho para o sorteio que o colocou frente a frente com o Macará, um adversário que, apesar de menos badalado, demonstrou grande solidez em sua campanha. O Macará, por sua vez, não chegou a este estágio por acaso. A equipe vive sua melhor campanha em uma competição de grande porte da Conmebol, um feito que coroa anos de esforço e crescimento. Em 2018 e 2020, o clube chegou à fase preliminar da Libertadores, mas não conseguiu avançar para a fase de grupos em nenhuma das ocasiões. O ano de 2026, no entanto, marcou um divisor de águas. Após superar o Orense (EQU) para garantir sua vaga, o Macará fez história ao se classificar para a fase de grupos da Sul-Americana pela primeira vez. E não parou por aí: terminou como líder do Grupo A, somando 10 pontos e superando equipes tradicionais como Tigre (ARG), América de Cali (COL) e Alianza Atlética (PER).

Fundado em 25 de agosto de 1939, o Club Deportivo Macará está longe de ser considerado um dos grandes nomes do futebol equatoriano, cujas principais conquistas se resumem a cinco títulos da segunda divisão local. A equipe está sediada na cidade de Ambato, que conta com aproximadamente 150 mil habitantes e se destaca por sua altitude de 2.600 metros acima do nível do mar, um fator que pode influenciar o desempenho dos adversários no jogo de volta. O Estádio Bellavista, onde o Macará manda seus jogos, é um palco compartilhado com outras equipes da cidade, como o Técnico Universitário e o Mushuc Runa, refletindo a realidade de clubes com menor poderio financeiro. A força do Macará reside em seu coletivo e em algumas individualidades que se destacam. O principal jogador da equipe é o atacante uruguaio Franco Posse, apelidado de “Killer” (matador), que tem sido uma peça fundamental no esquema tático do time. Com 13 gols e quatro assistências em 31 jogos disputados na temporada, Posse representa a principal ameaça ofensiva dos equatorianos. No comando técnico, outro uruguaio, Guillermo Sanguinetti, chegou ao clube no ano passado e foi o arquiteto por trás da campanha que levou o Macará à Sul-Americana e, agora, a este momento histórico. Sua experiência e capacidade de organização tática foram cruciais para a solidez demonstrada pela equipe. O confronto entre Santos e Macará é mais do que um simples jogo de futebol; é um embate entre a tradição consolidada de um bicampeão mundial e a ascensão meteórica de um clube que, pela primeira vez, se permite sonhar tão alto. Para o Santos, a partida representa mais um passo em sua busca por um título continental. Para o Macará, é a chance de gravar seu nome na história, de mostrar ao continente que a paixão e a organização podem superar as diferenças de investimento e tradição. A Vila Belmiro testemunhará o início de uma série que promete emoções e, para os equatorianos, a concretização de um sonho que começou a ser desenhado há 87 anos.

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