A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que encerrou suas atividades neste domingo, 13 de setembro de 2026, no Anhembi, consolidou-se como a edição mais grandiosa e bem-sucedida de sua história. O evento, que teve início em 4 de setembro, atraiu um público recorde de 760 mil pessoas, superando os 722 mil visitantes registrados em 2024, e impulsionou um aumento expressivo de 57% no faturamento médio dos expositores, marcando um novo patamar para o mercado editorial brasileiro e reafirmando a força da cultura do livro no país.
A magnitude do evento não se traduziu apenas em números de público, mas também em um vigoroso desempenho financeiro para as editoras. O crescimento médio de 57% no faturamento dos expositores em relação à edição anterior é um indicativo claro da efervescência do setor. Este sucesso foi alimentado por uma combinação estratégica de programação diversificada, a presença de autores de renome nacional e internacional, e iniciativas inovadoras de acesso e engajamento.
O Fenômeno Jovem e as Novas Tendências
Um dos pilares do sucesso desta Bienal foi, inegavelmente, o entusiasmo do público jovem. O evento foi marcado por multidões, filas quilométricas e uma energia contagiante, especialmente nos estandes que abrigavam os best-sellers da literatura juvenil. Autoras como a americana Lynn Painter, que se tornou a mais vendida da editora Intrínseca, contribuíram para um aumento de 85% no faturamento da casa em comparação com 2024. A aposta em “book charms”, livros-chaveiro que funcionam como acessórios, também se mostrou uma estratégia eficaz para atrair e engajar esse público, transformando a leitura em um estilo de vida.
O selo Alt da Globo Livros, focado no público jovem, celebrou sua “melhor Bienal de São Paulo da história”, registrando um crescimento de 100% em relação a 2024. O diretor Mauro Palermo destacou o sucesso de arrasa-quarteirões como a série “Rivalidade Ardente”, da canadense Rachel Reid, cujo livro “Jogo a Longo Prazo” foi o segundo mais vendido da editora, atrás de “Adversária do Vilão”, da americana Hannah Nicole Maehrer. A presença de Hannah Bonam-Young e Bal Khabra, autoras internacionais muito queridas pelos brasileiros, também foi um fator determinante para o sucesso do estande.
Destaques Editoriais e a Força da Ficção
Diversas editoras reportaram resultados excepcionais, evidenciando a diversidade e o dinamismo do mercado. A Companhia das Letras viu seu faturamento crescer 67% em relação à última Bienal paulistana, impulsionada pelo lançamento do thriller erótico “A Estranha na Cama”, de Raphael Montes, que liderou as vendas do estande, seguido por “Jantar Secreto”. A Rocco teve um desempenho ainda mais notável, com um faturamento 121% maior que o de 2024 e 37% superior ao da Bienal do Rio do ano passado. Os dez livros mais vendidos da Rocco no evento foram de autoria feminina, abrangendo desde a edição comemorativa de “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, até os volumes da série “Jogos Vorazes”, de Suzanne Collins.
Na Autêntica, o faturamento cresceu 84%, com Paula Pimenta e o primeiro volume de “A Música da Minha Vida”, spin-off de “Fazendo Meu Filme”, como a autora mais vendida. A HarperCollins registrou um impressionante crescimento de 150% no faturamento em comparação com 2024, tendo a americana Kristy Boyce, autora de romances geek como “Dungeons & Drama” e “Dados & Disputas”, como sua principal vendedora. A Record, por sua vez, aumentou seu faturamento em 76%, com as vendas de ficção nacional, puxadas por Carla Madeira e Babi A. Sette, crescendo 30%. A editora atribuiu parte desse sucesso à maior movimentação noturna e às iniciativas de cashback nos ingressos.
Estratégias de Acesso e Engajamento
A Bienal de 2026 implementou uma estratégia inovadora para atrair o público adulto e evitar o esvaziamento do Anhembi no período noturno. De segunda a quinta-feira, após as 17h, o ingresso custava R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), valores que eram integralmente convertidos em crédito para a compra de livros no evento. Nos demais horários e dias, as entradas custavam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), com cashback de R$ 15 e R$ 7,50, respectivamente. Essa política de incentivo direto à compra de livros não apenas democratizou o acesso, mas também impulsionou as vendas, mostrando-se um diferencial crucial para o recorde de faturamento.
A programação cultural também foi um ponto forte, com quase 3.500 horas de atividades distribuídas por 11 espaços temáticos. Além da tradicional Arena Cultural, Salão de Ideias e Papo de Mercado, a 28ª edição estreou a Alameda do Artistas e o Saúde e Bem-Estar, ampliando o leque de interesses e atraindo um público ainda mais diversificado. Cerca de 800 autores participaram do evento, incluindo estrelas internacionais como a curadora espanhola Marta Sanz, que elogiou a literatura latina e lançou um livro sobre menopausa, a ativista Angela Davis, que abordou temas como envelhecimento e direitos das mulheres, e a americana SenLinYu, autora de “Alchemised”, uma fanfic de “Harry Potter” que se tornou um fenômeno global.
Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), que organizou o evento em parceria com a RX Brasil, resumiu o sentimento geral: “Esta edição histórica mostra a força da Bienal como um grande encontro cultural e também como um importante motor para toda a cadeia do livro”. O sucesso da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo não apenas celebrou a leitura, mas também demonstrou o potencial de crescimento e inovação do mercado editorial brasileiro, consolidando o evento como um marco cultural e econômico de relevância inquestionável.