O futebol brasileiro se despede neste domingo, 13 de setembro de 2026, de uma de suas figuras mais emblemáticas e influentes: Paulo Sérgio Scudiere Angioni. O diretor executivo de futebol do Fluminense Football Club, que completou 80 anos, faleceu na madrugada do último sábado, 12 de setembro, no Rio de Janeiro, após uma batalha contra um câncer no pâncreas que o mantinha internado em um hospital na Zona Sul da cidade desde o início do mês. A notícia, comunicada oficialmente pelo Fluminense em suas redes sociais, mergulhou o clube e o cenário esportivo nacional em profundo luto, marcando o fim de uma trajetória de mais de quatro décadas dedicadas à gestão e ao desenvolvimento do futebol.
A partida de Angioni não representa apenas a perda de um dirigente, mas de um verdadeiro visionário, cuja contribuição para a modernização da gestão no esporte é inegável. Sua carreira, descrita pelo Fluminense como “uma das mais longevas e bem-sucedidas do futebol brasileiro”, foi pautada pela inovação e pela capacidade de construir equipes vencedoras. Ele foi, de fato, um pioneiro na função de diretor executivo no Brasil, um cargo que hoje é fundamental na estrutura dos grandes clubes, mas que, em seus primórdios, exigiu uma visão estratégica e uma coragem para desbravar novos caminhos administrativos e esportivos.
As últimas homenagens a Angioni foram prestadas neste domingo, 13 de setembro. O velório, que teve início às 9h e se estendeu até as 12h no Salão Nobre do Fluminense Football Club, em Laranjeiras, reuniu familiares, amigos, dirigentes e personalidades do esporte, todos unidos na dor da despedida e no reconhecimento de seu legado. O sepultamento, por sua vez, ocorreu às 13h, no Cemitério do Catumbi, em uma cerimônia reservada para os mais próximos, encerrando um dia de profunda comoção e reverência a um homem que dedicou sua vida ao esporte que tanto amava. A presença massiva de figuras do futebol e a comoção generalizada nas redes sociais e nos veículos de imprensa atestam a dimensão de sua influência e o carinho que Angioni conquistou ao longo de sua jornada.
Um Legado de Conquistas e Amizades
A trajetória de Paulo Angioni é um espelho da evolução do futebol brasileiro nas últimas décadas. Com passagens por alguns dos principais clubes do país e pela seleção brasileira, ele acumulou inúmeras conquistas esportivas. No entanto, o comunicado do Fluminense faz questão de ressaltar que, além dos troféus, Angioni “se destacou, fundamentalmente, pela coleção de amigos que acumulou ao longo de sua trajetória”. Essa característica humana, a capacidade de construir relações duradouras e de cultivar o respeito mútuo, é um testemunho de seu caráter e de sua forma de atuar, que transcendia as quatro linhas do campo e os bastidores das negociações.
Sua mais recente e marcante passagem pelo Fluminense, a quarta em sua carreira, iniciou-se em 2018 e foi um período de renascimento para o clube. Angioni foi um dos principais arquitetos da retomada do protagonismo tricolor, culminando em uma era de glórias que recolocou o Fluminense no cenário mundial. Sob sua gestão no departamento de futebol, o clube conquistou a Taça Rio de 2020, as Taças Guanabara de 2022, 2023 e 2026, e os Campeonatos Cariocas de 2022 e 2023. Mais do que os títulos estaduais, sua liderança foi crucial para as conquistas da Conmebol Libertadores e da Recopa, troféus que não apenas coroaram o esforço de anos, mas também ajudaram o Fluminense a se destacar globalmente, um feito que parecia distante em momentos anteriores. A visão estratégica de Angioni, sua experiência e sua capacidade de montar elencos competitivos foram pilares para esses êxitos, transformando o sonho da torcida em realidade palpável.
Um Olhar Para o Futuro: A Formação de Jovens Talentos
Além das conquistas imediatas, a contribuição de Angioni à formação dos jovens talentos também foi amplamente citada e será lembrada por muitos. Sua visão ia além do presente, investindo na base e no desenvolvimento de atletas que representariam o futuro do clube e do futebol brasileiro. Suas lições, pautadas em “exemplo de vida, compaixão e solidariedade”, permanecerão entre aqueles que tiveram o privilégio de trabalhar ao seu lado e de aprender com sua vasta experiência. Essa dedicação à formação de novas gerações de jogadores e profissionais do futebol é um dos aspectos mais duradouros de seu legado, garantindo que sua influência continue a reverberar por muitos anos.
Angioni, que era um tricolor de coração, iniciou sua carreira no início dos anos 1980, deixando o Clube Municipal, na Tijuca, para trabalhar no Vasco da Gama, onde permaneceu por notáveis 14 anos. Essa primeira grande experiência em um clube de ponta do Rio de Janeiro solidificou sua reputação e abriu as portas para uma trajetória de sucesso. Ao longo de sua extensa carreira, ele passou por alguns dos mais importantes clubes do país, deixando sua marca em instituições como Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Bahia e Olaria, além de suas múltiplas passagens pelo Fluminense. Em cada um desses clubes, Angioni aplicou sua expertise, sua capacidade de gestão e sua paixão pelo futebol, contribuindo para a organização e o sucesso das equipes.
Sua experiência não se limitou aos clubes. Angioni também teve uma importante passagem pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), atuando como supervisor da seleção brasileira em 1989 e 1990. Nesse período, ele esteve envolvido com a equipe nacional em momentos cruciais, aplicando sua visão e seu conhecimento para auxiliar no planejamento e na execução das atividades da seleção. Essa experiência na esfera nacional e internacional apenas reforça a amplitude de sua influência e a profundidade de seu conhecimento sobre o esporte em todas as suas facetas.
A morte de Paulo Angioni deixa um vazio imenso no futebol brasileiro. Sua figura, sinônimo de competência, ética e paixão, será lembrada não apenas pelos títulos que ajudou a conquistar, mas pela forma como conduziu sua vida e sua carreira: com profissionalismo exemplar, dedicação incansável e uma humanidade que o tornou querido por todos. À sua família e amigos, o Fluminense e toda a comunidade do futebol expressam seus sentimentos mais elevados, na certeza de que o legado de Paulo Angioni perdurará como um farol para as futuras gerações de dirigentes e amantes do esporte. O adeus a Angioni é um momento de tristeza, mas também de celebração de uma vida extraordinária, dedicada a construir e a elevar o futebol brasileiro.