O candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL), gerou um significativo mal-estar político e ampliou as preocupações de seus próprios aliados ao faltar à sabatina da Jovem Pan Floripa na última sexta-feira, 11 de setembro de 2026. Este episódio, que culminou com uma cadeira vazia no estúdio da emissora, é o mais recente de uma série de ausências em compromissos públicos cruciais de campanha, levantando questionamentos sobre sua estratégia eleitoral e sua real conexão com o eleitorado catarinense. A postura reclusa do ex-vereador, que não participou de debates, entrevistas ou sabatinas no estado até o momento, acende um sinal amarelo na disputa e é explorada com veemência por seus adversários, enquanto suas intenções de voto mostram um declínio.
A Cadeira Vazia e as Justificativas Contraditórias
A ausência de Carlos Bolsonaro na sabatina da Jovem Pan Floripa, agendada desde julho, foi notória. O apresentador Emanuel Soares manteve uma cadeira vazia no estúdio, um símbolo eloquente da falta do candidato, e informou ao público que a assessoria de Bolsonaro alegou um “compromisso em Brasília”, sem fornecer detalhes. Soares, em tom crítico, pontuou a recorrência do problema: “Carlos Bolsonaro simplesmente não apareceu. E não é só aqui: ele não comparece para entrevista nenhuma, para sabatina nenhuma, para debate nenhum”. A defesa do candidato, por sua vez, negou que a presença tivesse sido confirmada e afirmou ter avisado previamente sobre a viagem à capital federal. Contudo, a justificativa da assessoria, que citou uma determinação judicial permitindo a Carlos visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, às quartas-feiras ou aos sábados, às 8h, não se alinhou com o horário da sabatina, que ocorreu em uma sexta-feira. A discrepância nas informações apenas intensificou o clima de incerteza e a percepção de uma estratégia de esquiva.
Um Padrão de Ausências e Recusas
A falta à Jovem Pan não é um incidente isolado, mas sim parte de um padrão consolidado na campanha de Carlos Bolsonaro. Ele já havia se ausentado dos dois debates cruciais para os postulantes ao Senado: o primeiro, promovido pela rádio Som Maior em Criciúma, em 17 de agosto, e o segundo, organizado pela CBN na sede da NSC em Florianópolis, no dia 23 do mesmo mês. Além disso, o candidato recusou convites para futuras sabatinas, como a da NDTV, marcada para 18 de setembro, e a do Portal Upiara, prevista para 29 de setembro. Embora sua equipe declare que “avalia a participação nos próximos encontros”, a sequência de recusas e ausências projeta uma imagem de indisponibilidade e distanciamento do processo democrático de confronto de ideias.
A Estratégia do Silêncio e o Desconforto Interno
Correligionários de Carlos Bolsonaro, em conversas reservadas, revelaram que a ausência nos eventos públicos faz parte de uma tentativa calculada de evitar constrangimentos. A justificativa interna aponta para a pouca experiência do candidato em debates e sua reduzida ligação com Santa Catarina, um estado onde sua base eleitoral não é tão consolidada quanto em seu reduto político anterior. A estratégia visa, supostamente, blindá-lo de situações que poderiam expor fragilidades ou gerar gafes. No entanto, essa abordagem não é unânime entre os aliados. Uma parcela significativa esperava que ele aceitasse ao menos entrevistas em veículos considerados próximos da direita, como a Jovem Pan, e passou a classificar a falta à emissora como um “erro político” grave. Para esses, a ausência em um palco amigável representa uma oportunidade perdida de dialogar com um eleitorado já propenso a ouvi-lo, além de reforçar as críticas dos adversários.
O Temporal de Agosto: Um Agravante Político
O desconforto em torno da campanha de Carlos Bolsonaro cresceu exponencialmente após o temporal que atingiu Santa Catarina em agosto. Em um momento de crise e necessidade de liderança local, o candidato viajou a Brasília no dia 29 para visitar Jair Bolsonaro e só retornou ao estado na segunda-feira, 31 de agosto, mesmo com o agravamento dos impactos na Grande Florianópolis. Sua única manifestação pública durante esse período foi um breve *story* no Instagram lamentando os estragos. Essa postura foi interpretada por muitos como uma falta de engajamento com as urgências do estado que pretende representar, alimentando a narrativa de sua desconexão com a realidade catarinense e aprofundando a percepção de que sua candidatura é mais um projeto familiar do que um compromisso com os interesses locais.
Adversários Capitalizam sobre a Ausência
A estratégia de reclusão de Carlos Bolsonaro tem sido um prato cheio para seus adversários, que exploram abertamente sua origem carioca e sua ausência dos confrontos diretos. Em sabatina na Jovem Pan na terça-feira, 8 de setembro, o candidato Jeferson Rocha (PRD) atacou Carlos de forma contundente: “Pelo amor de Deus, frouxo assim a gente não quer aqui”. A declaração, carregada de agressividade, visa desqualificar Bolsonaro perante o eleitorado. Esperidião Amin (PP), por sua vez, adota uma tática mais sutil, mas igualmente eficaz, defendendo o voto de “catarinense em catarinense” sem citar diretamente o nome de Carlos. Essa retórica busca reforçar a ideia de que o estado precisa de representantes genuinamente locais, em oposição a candidatos “importados” ou com pouca identificação com a região.
A Mensagem da Campanha e o Cenário Eleitoral
Apesar de sua ausência nos debates, Carlos Bolsonaro utilizou o horário eleitoral de sexta-feira, 11 de setembro, para veicular sua mensagem. Em sua fala, ele afirmou que “o mais importante, claro, é eleger Flávio presidente da República” e definiu o Senado como “o campo de batalha onde a direita precisa ser maioria”. Essa declaração, que prioriza a eleição de seu irmão e a pauta ideológica da direita, pode ser vista como uma tentativa de mobilizar sua base mais fiel, mas também reforça a percepção de que sua candidatura está intrinsecamente ligada a um projeto político maior da família, e não necessariamente focada nas demandas específicas de Santa Catarina.
O impacto dessa estratégia já começa a ser sentido nas pesquisas. A AtlasIntel, divulgada na quinta-feira, 10 de setembro, mostrou que Carol de Toni (PL) liderava a disputa com 28,4%, seguida por Esperidião Amin, com 20,2%. Carlos Bolsonaro aparecia em terceiro, com 14,9% das intenções de voto, uma queda significativa em relação aos 18,3% que registrava em março. A diminuição do apoio, aliada à crescente insatisfação interna e à exploração por parte dos adversários, sugere que a campanha silenciosa de Carlos Bolsonaro, embora pensada para evitar riscos, pode estar custando caro em termos de visibilidade, credibilidade e, principalmente, votos. O sinal amarelo aceso pelos aliados agora se traduz em números que indicam um caminho cada vez mais desafiador para o candidato ao Senado.