Quaest Lança Pesquisa Crucial: Eleições 2026 e Crise no STF Agitam Cenário Político

A metodologia da Quaest é robusta, começando pela intenção de voto espontânea, onde o eleitor revela sua preferência sem a apresentação de nomes. Em seguida, a pesquisa avança para cenários estimulados, testando o conhecimento, potencial de voto e rejeição de uma lista extensa de pré-candidatos. No primeiro cenário, treze nomes são apresentados: Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Escritor Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Hertz Dias (PSTU), Lula (PT), Pablo Marçal (PRTB), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara (UP), Veterinário Wilson Grassi (Democrata) e Zema (Novo). A inclusão de figuras de diferentes espectros políticos, desde nomes já consolidados a emergentes, visa capturar a diversidade do eleitorado brasileiro e as nuances de um pleito que se desenha como um dos mais polarizados da história recente do país. A ausência de Pablo Marçal em um segundo cenário de primeiro turno, que conta com doze candidatos, sugere uma tentativa de medir o impacto de sua eventual saída da corrida, um movimento comum em campanhas eleitorais para consolidar apoios e estratégias.
Após a indicação da preferência, o eleitor é questionado sobre a firmeza de sua escolha, um indicador crucial da volatilidade do voto e da capacidade dos candidatos de reterem seus apoiadores. A pesquisa também projeta cinco cenários de segundo turno, todos com Lula (PT) como um dos protagonistas, enfrentando Augusto Cury, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Zema. Essa abordagem multifacetada permite antecipar possíveis confrontos e entender a dinâmica de transferência de votos e a formação de alianças em uma eventual segunda etapa do processo eleitoral. A escolha desses adversários para Lula reflete a percepção do instituto sobre os nomes com maior potencial de competitividade, seja por representarem a oposição direta, como Flávio Bolsonaro, ou por se destacarem como alternativas de centro ou de uma direita mais moderada.
Um bloco significativo do questionário é dedicado ao caso Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, um escândalo que tem dominado o noticiário e gerado intensos debates. A Quaest busca entender o nível de conhecimento do eleitor sobre o assunto e, mais importante, quem, na avaliação dos entrevistados, teve a imagem mais negativamente afetada: o Congresso Nacional, o STF, o governo Lula e o PT, o Banco Central, o governo anterior e a família Bolsonaro, ou todos esses grupos. Essa análise é vital para compreender como escândalos de corrupção e financeiros reverberam na opinião pública e moldam a percepção sobre as instituições e os atores políticos envolvidos, podendo ter um impacto direto na intenção de voto.
A pesquisa aprofunda-se nos acontecimentos mais recentes envolvendo Vorcaro e os ministros do STF Alexandre de Moraes e André Mendonça, questionando o eleitor sobre seu conhecimento do episódio e quem considera estar agindo corretamente. Em seguida, a Quaest investiga se a crise no STF influencia o voto para presidente, podendo reforçar a escolha atual, levar o eleitor a considerar uma mudança ou não ter influência alguma. Este é um ponto sensível, pois a imagem do Judiciário, especialmente do Supremo, tem sido objeto de intensa escrutínio e polarização, e sua percepção pública pode se traduzir em capital político ou desgaste para os candidatos.
Além disso, o questionário apresenta uma série de propostas para alterar o funcionamento do Supremo Tribunal Federal, refletindo um debate crescente na sociedade sobre a reforma da Corte. Entre as sugestões testadas estão a criação de mandato com prazo fixo para ministros, a possibilidade de Congresso e Judiciário também indicarem integrantes, a proibição de decisões monocráticas e a criação de um novo código de ética e conduta. Propostas como o aumento das exigências para chegar ao STF e a criação de uma “quarentena” para impedir que pessoas que ocupem cargos políticos sejam indicadas imediatamente para a Corte também são avaliadas. Essas questões buscam medir o apoio popular a reformas que visam aumentar a transparência, a imparcialidade e a legitimidade do STF, temas que frequentemente emergem em períodos eleitorais como pautas importantes para a renovação política e institucional.
Outro bloco relevante da pesquisa procura identificar o posicionamento político dos entrevistados, classificando-os como lulistas, mais próximos da esquerda, independentes, mais próximos da direita ou bolsonaristas. Essa segmentação é fundamental para entender a base de apoio de cada corrente ideológica e como ela se distribui no eleitorado. A Quaest também compara o ambiente político de 2026 com o de 2022, perguntando aos entrevistados se os desentendimentos entre amigos e familiares por motivos políticos estão mais ou menos frequentes e se as pessoas se sentem mais ou menos à vontade para falar sobre seu voto para presidente. Essa análise contextualiza o grau de polarização social e o impacto da política nas relações interpessoais, oferecendo um panorama sobre a saúde do debate democrático no país.
A percepção de honestidade de seis candidatos presidenciais — Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Escritor Augusto Cury (Avante) — é outro ponto de investigação, assim como o grau de confiança no STF, na Presidência da República e no Congresso Nacional. A honestidade e a confiança nas instituições são pilares da democracia e indicadores cruciais para a decisão do eleitor. Por fim, a pesquisa mede a exposição à campanha eleitoral, questionando sobre a principal fonte de informação política (televisão, jornais, rádio, sites e portais, redes sociais, aplicativos de mensagens, pessoas próximas e ferramentas de inteligência artificial) e se o eleitor já assistiu a programas eleitorais no rádio ou na televisão. Este dado é essencial para compreender a eficácia dos diferentes canais de comunicação e o papel crescente das novas mídias e da inteligência artificial na formação da opinião pública.
Com 2.004 entrevistas, um nível de confiança de 95% e margem de erro máxima de cerca de 2 pontos percentuais, a pesquisa da Quaest, contratada pela Globo e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03607/2026, é um termômetro essencial para o cenário político brasileiro. Seus resultados, aguardados com grande expectativa, oferecerão um retrato detalhado das tendências eleitorais e das preocupações dos eleitores a pouco mais de um mês do pleito, fornecendo subsídios importantes para candidatos, analistas e a própria sociedade.