Elton John no Rock in Rio 2026: O Triunfo da Lenda em Meio à Despedida e Desafios Pessoais

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Na noite de 7 de setembro de 2026, o lendário cantor e pianista Elton John ascendeu ao Palco Mundo do Rock in Rio, na Cidade do Rock, Zona Oeste do Rio de Janeiro, para uma performance que transcendeu a mera música. Às 23h, o ícone britânico, aos 79 anos, fez história ao liderar o lineup do festival pela primeira vez, marcando um retorno significativo ao Brasil após nove anos e desafiando as expectativas de sua aposentadoria e recentes desafios de saúde. Sua apresentação não foi apenas um concerto, mas um testemunho de resiliência e um reencontro aguardado com o público brasileiro, que o viu anteriormente em 2011 e 2015, quando abriu para Rihanna e Rod Stewart, respectivamente. A expectativa em torno da performance de Elton John era imensa, dada a sua trajetória e o contexto de sua “aposentadoria técnica” após a Farewell Yellow Brick Road World Tour, encerrada em 2023. Desde então, suas aparições têm sido esporádicas, focadas em eventos beneficentes ou privados. O Rock in Rio representou, sem dúvida, o maior palco que o artista pisou desde seu afastamento da rotina exaustiva das turnês. O dia 7 de setembro foi um marco para o festival, que abriu seus portões às 14h, com o Palco Mundo recebendo Luísa Sonza convidando Roberto Menescal às 16h10, seguido por Jon Batiste às 18h15 e Gilberto Gil às 20h30, culminando com a aguardada entrada de Elton John. O evento, com classificação etária de 16 anos, encerrou-se à 0h45. O retorno de Elton John ao cenário de grandes festivais foi cercado por uma profunda análise de sua condição física e vocal. Os últimos anos foram particularmente desafiadores para o artista. Em 2021, ele passou por uma cirurgia no quadril após uma queda, e em 2023, submeteu-se a duas operações para a colocação de próteses nos joelhos, demonstrando seu bom humor ao transformar as patelas removidas em joias, conforme noticiado pelo New York Post. Contudo, o desafio mais recente e impactante veio em 2024, quando uma grave infecção ocular o deixou completamente cego do olho direito e com a visão comprometida no esquerdo. Em entrevista ao The Times, ele expressou o impacto dessa condição em sua qualidade de vida, mencionando a dificuldade em ler e acompanhar os filhos em atividades esportivas. Apesar desses obstáculos significativos, a paixão de Elton John pela música permanece inabalável. Sua contribuição para a versão retrabalhada da canção “Seein’ Stars” da banda americana de hardcore Turnstile, presente no álbum NEVER ENOUGH: VERSIONS (2026), é uma prova de sua contínua relevância e versatilidade artística. Além disso, as seis apresentações que realizou em 2026, incluindo um show na House of Blues de Dallas em fevereiro, atestaram que sua forma ao vivo, dadas as circunstâncias, ainda é notavelmente boa. A longevidade e a coesão de sua banda são fatores cruciais para essa performance consistente. Músicos como Nigel Olsson (bateria), Davey Johnstone (guitarra) e Ray Cooper (percussão) acompanham o cantor há mais de 25 anos, com passagens que remontam aos anos 1970. John Mahon (percussão), Kim Bullard (teclados) e Matt Bissonnette (baixo) também são membros de longa data, com um deles completando 30 anos na formação. Essa sinergia permite que a banda não apenas domine o vasto repertório, mas também ofereça o suporte necessário nos momentos em que a idade do artista se faz sentir, como a dificuldade em atingir algumas notas mais altas ou a necessidade de um teleprompter para as letras, como observado em Dallas. O desafio de fôlego para um headliner em um festival do porte do Rock in Rio é sempre a duração e a intensidade do show. Enquanto as apresentações da Farewell Yellow Brick Road World Tour frequentemente se estendiam por duas horas e meia, Elton John não realizava um set de duas horas desde 2023. O mais próximo disso foi o Curebound Concert For Cures de 2025, em San Diego, com 17 canções em uma hora e 45 minutos. A questão que pairava era se o público aceitaria um show mais curto, desde que repleto dos clássicos que o consagraram. A resposta, provavelmente, foi um retumbante sim, pois o repertório de Elton John é um tesouro de sucessos atemporais. Os shows mais recentes de Elton John, desde 2023, têm sido uma celebração de seus maiores hits. O álbum *Goodbye Yellow Brick Road* (1973) é consistentemente o mais representado, com cerca de quatro músicas. *Honky Château* (1972) contribui com duas ou três faixas por show, enquanto *Madman Across The Water* (1971), *Caribou* (1974) e *Too Low For Zero* (1982) também cedem mais de uma canção. O restante de sua vasta discografia é pontuado por um hit por álbum, uma escolha que reflete a “benção e maldição” de ter “sucessos em excesso”, onde a demanda do público por clássicos é quase insaciável. A única inclusão mais recente em seu setlist é “Cold Heart”, do álbum colaborativo *The Lockdown Sessions* (2021), originalmente com Dua Lipa, mas apresentada em versão solo. Uma inclusão quase certa para o público brasileiro é a emotiva “Skyline Pigeon”, tradicionalmente executada apenas em terras brasileiras. Considerando o padrão de suas apresentações recentes, o repertório provável que ecoou na Cidade do Rock incluiu: 1. “Saturday Night’s Alright for Fighting” 2. “Bennie and the Jets” 3. “I Guess That’s Why They Call It the Blues” 4. “Mona Lisas and Mad Hatters” 5. “Tiny Dancer” 6. “Goodbye Yellow Brick Road” 7. “Philadelphia Freedom” 8. “Rocket Man” 9. “Levon” 10. “Candle in the Wind” 11. “Daniel” ou “Sorry Seems to Be the Hardest Word” 12. “Take Me to the Pilot” 13. “Don’t Let the Sun Go Down on Me” 14. “The Bitch Is Back” 15. “Crocodile Rock” 16. “I’m Still Standing” 17. “Cold Heart” 18. “Your Song” A performance de Elton John no Rock in Rio 2026, portanto, foi muito mais do que um show de música. Foi um evento que celebrou a perseverança de um artista que, apesar dos desafios da idade e da saúde, continua a encantar e inspirar. Seu retorno como headliner, nove anos após sua última visita ao Brasil e em meio a uma aposentadoria que ele ocasionalmente desafia, solidifica seu lugar não apenas como um ícone musical, mas como um exemplo de dedicação e amor à arte, deixando uma marca indelével na história do festival e na memória de seus fãs brasileiros.

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